quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre o cidadão Boilesen

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Aristóteles Drummond

O filme Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski , embora dê acolhida a absurdas e delirantes acusações contra o empresário que adotou o Brasil com mais fervor do que muitos brasileiros, serve para mostrar um momento histórico que não parece suficientemente esclarecido mas, sim, muito deturpado pela máquina de mentir que é a marca das esquerdas.

As acusações são as de que um homem da cultura, educação, estimado pelos amigos e respeitado pela família, presença social e moral ilibada, empresário de responsabilidade, pudesse assistir a torturas, prática imoral e condenável que mancha a humanidade desde sempre e que não tem ideologia, nem raça nem nacionalidade.

Desde que o mundo é mundo, na guerra como na paz, a autoridade policial, na angústia de obter informações, exorbita. Boilesen queria ajudar o Brasil a afastar o perigo de descambar para um regime de esquerda radical, de ter o terrorismo como rotina ou ver parte de seu território ocupado por um grupo à imagem e semelhança das FARC, da Colômbia. E o fez com coragem e bravura. É um homem a ser lembrado, embora no Brasil de hoje haja quem queira dar ares de heroísmo a seus assassinos, anistiados depois pelo general João Figueiredo.

É chocante a informação, vinda de membros do movimento que assassinou o empresário de maneira covarde e bárbara, de que estavam na lista três outros empreendedores: Otávio Frias, presidente da Folha de S. Paulo, Peri Igel, da Ultragaz, e Sebastião Camargo, da Camargo Correa. E o ex-deputado Hélio Bicudo ainda justificou o crime como que um "aviso" para que os empresários não ajudassem os agentes da ordem e segurança. Por sinal, o alerta funciona até hoje, quando vemos empresários pusilânimes na militância socialista.

Na ocasião, o DOPS paulista era comandado não apenas pelo controverso delegado Fleury, mas também pelo hoje senador Romeu Tuma, nome respeitado no Senado, onde exerce seu segundo mandato. E o governador de São Paulo era Roberto de Abreu Sodré.

Está chegando ao limite a paciência da sociedade que viveu ou conheceu os anos de chumbo – marcados por sequestros, atentados, assassinatos, "justiçamentos", assaltos a bancos com vítimas – com a tentativa de se mostrar os agentes da lei e da ordem como monstros. Circula, já com boa tiragem efetivada, o livro A Verdade Sufocada – que não é encontrado em livrarias, podendo-se apenas comprá-lo via Correio –, em que o coronel Brilhante Ulstra dá seu depoimento emocionado. Ele foi vítima de tortura moral indigna, fartamente divulgada pela mídia. E aparece muito bem no filme em mais de um momento.

Mas o que fica de positivo nessa onda de revanchismo delirante – querem até alterar nomes de logradouros e grandes obras do período revolucionário – é que não escondem a verdade. Mataram e teriam matado mais, em nome dos ideais de Stálin e Mao Tsé Tung. E o que é pior: chegaram atrasados a este tipo de "revolução", pois em 20 anos o mundo mudou.
Sobre estas verdades e equívocos não querem falar. O melhor seria ficarem calados e gratos à generosa anistia concedida pelo general Figueiredo.

O presidente Lula, vê-se bem, gostaria de virar a página. Ele sabe como foram as coisas. Representa um Brasil novo, mas é pressionado. Assim, essa união a destempo dos esquerdistas ainda quer nos levar a uma sucessão entre dois nomes comprometidos com o ranço do ressentimento, da frustração de, por mais que se esforcem, não chegarem perto do acervo de realizações dos 20 anos de autoritarismo progressista, seja no plano federal ou nos estaduais.

Nesse capítulo de violência para cá e para lá, ambos os lados foram levados a exageros – sendo que a iniciativa, é bom observar, foi dos desajustados, normalmente filhos da classe média. O primeiro sangue derramado foi no Recife, visando o marechal Costa e Silva, candidato a presidente da República. Da bomba assassina, morreram um almirante e um jornalista. Mas para estes, nem uma palavra de solidariedade e muito menos verbas públicas.

Em tempo: o filme comete uma omissão – o prefeito paulista Faria Lima aparece muitas vezes ao lado de Boilesen, sem referência ao fato de que este era seu co-sogro . E Fernando Henrique Cardoso troca as bolas ao atribuir o AI-5 a uma disputa do presidente Costa e Silva com seu antecessor, Castelo Branco, que já estava enterrado há mais de ano.

O AI-5 foi decretado para restabelecer a paz e tranquilidade da família brasileira, sem o qual não teríamos vencido o terror.

Aristóteles Drummond é jornalista e vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Artigo originalmente publicado no Diário do Comércio de São Paulo de 13 de janeiro de 2009.

Nota da redação do Alerta Total: Veja, no YouTube, em duas partes, entrevista sobre o livro mais boicotado pela imprensa e livrarias: A Verdade Sufocada.

http://www.youtube.com/watch?v=Nd25EpN7WT8

Um comentário:

Unknown disse...

Baixar o Documentário - "Cidadão Boilesen" - http://mcaf.ee/23o7b