domingo, 28 de fevereiro de 2010

Créeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuu, velocidade 5...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão

Os impostos e contribuições – injustos e elevados – serão o grande tema a ser explorado pelo candidato de oposição que quiser ganhar a eleição presidencial deste ano. Pesquisas reservadas, encomendadas por partidos políticos para consumo interno, constatam que a violenta carga tributária no Brasil é percebida pela opinião pública, de todas as classes sociais, como um dos principais problemas. A (falta) de segurança pública – ou os efeitos da violência – aparece logo em seguida como outro ponto a ser atacado.

Eis a grande armadilha para os principais candidatos favoritos à sucessão de Lula. Dilma Rousseff, José Serra ou Ciro Gomes terão imensas dificuldades em tratar do problema dos impostos. Os três estão muito próximos e dependentes da máquina estatal – aquela que o antropólogo Darcy Ribeiro dizia que foi feita, no Brasil, como uma moenda para moer gente. O equipamento tupiniquim, além de triturar, também rouba o cidadão. Promove a extorsão do imposto, taxa e contribuição, sonegando aos brasileiros a contrapartida do que é pago no maior sacrifício.

O discurso de “Estado forte”, ensaiado por Dilma Rousseff, é uma tragédia de marketing. Só é interessante na visão obtusa dos discípulos do camarada Josef Stalin – grande ícone do planejamento totalitário da cada vez mais viva União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O Brasil precisa de um Estado justo e democrático – não o modelo que está aí, “moendo gente”, embora dê bolsas famílias para fazer uma média com os mais pobres e realmente necessitados. Dilma só pode produzir demagogia com seu discurso. Mudar ou melhorar o Brasil, estruturalmente, seu grupo político já comprovou que não pode. Então, para ela, no popular, é alto o risco de “creu! Na velocidade cinco...

Outro com chances quase fatais de levar um “creu”, na quinta ou maior velocidade, é o governador paulista José Serra. O tucano também não tem condições de atacar o problema dos impostos. Até porque foi o governo do cineasta Fernando Henrique Cardoso quem pegou a carga tributária em 28% e elevou para 34%. A tucanagem fiscal foi responsável por criar, exageradamente, “contribuições (compulsórias) sociais” – que hoje são a maior fonte que prejudica quem deseja investir na produção. Serra não terá como se defender se for atacado na questão dos impostos. Então, “créu”...

Para azar agora da campanha da Dilma, Lula deu continuidade à política de FHC – inchando, “aparelhando” com sua turma e aumentando o desperdício da máquina estatal de moer gente. Nazipetistas e seus primos tucanos sociais democratas ficarão presos ao discurso da própria arapuca que armaram na concepção equivocada de Estado que eles têm. No caso do Serra, a porca ainda vai torcer o rabo em outra: séria questão a segurança pública. Nem que faça um “acordo político” com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o famoso PCC, Serra conseguirá mostrar que teve bons resultados no combate à violência. Na percepção da população, os governos (inclusive o dele) falham neste quesito.

Nesta campanha, especificamente, Serra ainda vai tomar um “creu” de seu inimigo nada oculto, no próprio partido, Fernando Henrique Cardoso. Como bem observou o atento Cesar Maia, no artigo FHC vai fazer gol contra, a campanha de Serra corre o alto risco de ser comprometida pela esdrúxula campanha transnacional de FHC pela descriminalização do uso de drogas. Nem é preciso entrar no mérito da iniciativa – se é boa ou ruim, justa ou injusta. Pesquisas já revelaram que a população é contra. Além disso, países que fizeram micro-experiências da proposta de FHC se deram mal. Se Serra, confrontado pela polêmica, ficar ao lado de FHC, apanha da opinião pública. Se bater de frente com o príncipe dos sociólogos, vai tomar um “créu” dentro do ninho tucano.

Antes que o leitor se canse ou se traumatize com tanto “creu”, uma conclusão óbvia ululante: Serra, Dilma ou Ciro (variação de ambos) são candidaturas com problemas estruturais de imagem. Só podem ser salvos por um milagre dos bites nas urnas eletrônicas não auditáveis. Se surgir um candidato alternativo que ataque, com soluções objetivas, a questão dos impostos e da insegurança, demonstrando que o Brasil pode ser governado com seriedade, competência e honestidade não demonstradas até agora, podemos ter, em 2010, uma quase repetição do fenômeno que elegeu o desconhecido Fernando Collor de Mello em 1989. As pré-condições para isto estão aí, para quem quiser ver.

Por isso, vale indicar dois candidatos que têm potencial de surpreender este ano. Uma é bem conhecida. Marina Silva, pelo Partido Verde. Mas a candidata do PV tem uma dificuldade séria a ser superada. Até outro dia era do mesmo PT da Dilma Rousseff. Aliás, o dna político da Marina é mais petista que o da própria candidata de Lula – que tem origem no PDT do falecido caudilho Leonel de Moura Brizola. Outra dificuldade para Marina é tornar popular e interessante o seu discurso marcadamente ecológico. As pessoas não compreendem e não revertem o que os verdes falam em votos.

Outro candidato que tem potencial de surpreender era desconhecido até outro dia, quando a revista Istoé (no intuito de criticar um movimento conservador em ascendência no Brasil), lançou seu nome. O nome dele é Mario de Oliveira. Entra na corrida pelo pequeno PT do B (www.ptdob.org.br). O nome do partido, com o número 70, pode até parecer ironia. Presidido por Luis Henrique de Oliveira Resende, o Partido Trabalhista do Brasil, até algum tempo atrás, mantinha fortes relações de namoro com o mineiro Aécio Neves. Como ele não se viabilizou como candidato presidencial, Resende sentiu no ar o potencial para algo novo. E resolveu apostar no Mário.

É bom ficar de olho nele. Visite o site www.mariooliveira.com.br e tire suas conclusões. Mario e Marina têm tudo para roubar a cena eleitoral em 2010. Dilma, Serra e Ciro, cuidado com o "créu".

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 28 de Fevereiro de 2010.

10 comentários:

Anônimo disse...

É a real oportunidade de mobilização para que os brasileiros resgatem a auto estima e o orgulho cívico.
Isto, com planejamento gerencial de alto nível, com liberdade para a iniciativa privada, como aponta o candidato Mario - capacidade e experiência ele tem - nos conduzirá ao estado democrático de direito.

Unknown disse...

Qualquer um é melhor que a Dilma Peruqueira Zacarias....voto em qualquer pessoa menos em alguém do corruPTos!!!!

Anônimo disse...

Prezado jornalista
Permita-me uma observação

Diante da dimensão da tragédia nacional não podemos imaginar que apenas um nome, um grupo ou um partido político realizarão a transformação que o Brasil necessita.
De fato, o candidato citado, será um dos poucos nomes, senão o único, a debaterem uma proposta diferenciada no próximo pleito(proposta essas que ao meu ver resgatam as idéias nacionalistas e de independência nacional do saudoso profº Celso Brant,ex-ministro da educação de Juscelino Kubitschek, fundador do PMN e falecido em 2004)
No entanto, a dimensão do problema não permitem saídas convencionais ou por caminhos institucionalmente viciados, comprovadamente corrompidos e fadados ao fracasso político, a corrupção e a degradação moral dos grupos e dos indivíduos.
Creio que a saída deva ser processual, não necessariamente institucionalizada em partidos políticos, devendo-se caracterizar-se mais como um movimento democrático da sociedade, do que um movimento político.
Esta demandará uma verdadeira "guerra", nos diversos espaços sociais, de curto, médio e longo prazo, da qual todos os brasileiros com espírito republicano e democrático, tenho a convicção, participarão, a exemplo do esforço que você já realiza em seu blog diário.

De qualquer forma não deixa de ser uma boa notícia a presença do referido candidato no próximo pleito eleitoral.

Anônimo disse...

Prezado jornalista
Permita-me uma observação

Diante da dimensão da tragédia nacional não podemos imaginar que apenas um nome, um grupo ou um partido político realizarão a transformação que o Brasil necessita.
De fato, o candidato citado, será um dos poucos nomes, senão o único, a debaterem uma proposta diferenciada no próximo pleito(proposta essas que ao meu ver resgatam as idéias nacionalistas e de independência nacional do saudoso profº Celso Brant,ex-ministro da educação de Juscelino Kubitschek, fundador do PMN e falecido em 2004)
No entanto, a dimensão do problema não permitem saídas convencionais ou por caminhos institucionalmente viciados, comprovadamente corrompidos e fadados ao fracasso político, a corrupção e a degradação moral dos grupos e dos indivíduos.
Creio que a saída deva ser processual, não necessariamente institucionalizada em partidos políticos, devendo-se caracterizar-se mais como um movimento democrático da sociedade, do que um movimento político.
Esta demandará uma verdadeira "guerra", nos diversos espaços sociais, de curto, médio e longo prazo, da qual todos os brasileiros com espírito republicano e democrático, tenho a convicção, participarão, a exemplo do esforço que você já realiza em seu blog diário.

De qualquer forma não deixa de ser uma boa notícia a presença do referido candidato no próximo pleito eleitoral.

Anônimo disse...

Sim, o tema é pertinente, já que o povo constatou que paga impostos altíssimos com a desoneração da linha branca por causa da crise. Realmente, a maioria não sabia que pagava tanto imposto por nada ou zero de retorno do Estadão.

Por outro lado, é também pertinente a contradição entre fazer reforma agrária e ter um exército de pessoas que acham que receberão um pedaço de terra e o título, enquanto a cambada comunista trabalha para extinção completa do direito de propriedade e até das escovas de dentes.

Realmente, o que precisamos é de um candidato que saia fora desse círculo vicioso entre PT e PSDB, ambos comprometidos com arrecadações monstros e pouquíssima competência para administrar a máquina público, só entendo mesmo de populismo e distribuição de esmolas.

Anônimo disse...

Sim, o tema é pertinente, já que o povo constatou que paga impostos altíssimos com a desoneração da linha branca por causa da crise. Realmente, a maioria não sabia que pagava tanto imposto por nada ou zero de retorno do Estadão.

Por outro lado, é também pertinente a contradição entre fazer reforma agrária e ter um exército de pessoas que acham que receberão um pedaço de terra e o título, enquanto a cambada comunista trabalha para extinção completa do direito de propriedade e até das escovas de dentes.

Realmente, o que precisamos é de um candidato que saia fora desse círculo vicioso entre PT e PSDB, ambos comprometidos com arrecadações monstros e pouquíssima competência para administrar a máquina público, só entendo mesmo de populismo e distribuição de esmolas.

Anônimo disse...

Serrão, olha eu aqui outra vez, para te "encher o saco" com um texto tão longo!
Agora, enviando uma carta, abaixo — em três postagens, visto que ultrapassa o limite de dígitos da tua página —, publicada em um conhecido "site", de um certo grupo de pessoas também, tanto quanto tu, preocupadas com o futuro da democracia(?) no nosso País.
Pelo assunto, tratado com fina ironia, talvez a carta fosse melhor, digamos, "degustada" ou "assimilada" pelo escritor e apicultor Arlindo Montenegro, que, no último 27/02, assinou o artigo "Realidade e Imaginação", mas, eu acredito que interage mais com o teu próprio artigo: o "Créeeeeeeuuuuuu velocidade 5", e por isso te envio. Caso aches interessante, publica,"com todas as letras" (conforme eu "copiei" e "colei" aqui) e o crédito ao grupo, citado ao final, que já a publicou.

Recebe um fraterno abraço do amigo

Roberto Santiago

***************************
PARTE 1:

O GRUPO GUARARAPES RECEBEU ESTA CARTA BEM ESCRITA. É DE UMA REALIDADE QUE DÓI. NÃO TEM O QUE COMPLEMENTAR, MAS NOS JORNAIS DE 27 DE FEV. DE 2010 VAMOS ENCONTRAR AS RAZÕES DA CARTA:
1 – Ex- prefeito de BH Fernando Pimentel (PT) envolvido no Mensalão;
2 – Deputado Leornado Prudente , o homem do dinheiro da meia, renuncia para não ser cassado;
3 - Caixa 2 pagou dívida de Fórum Social no RS. Foram mais de 1 milhão de reais e envolve o tesoureiro do PT Delúbio Soares e o PT do RS.
4 - Ministra Dilma e Zé Dirceu envolvidos nos negócios da OI e Eletronet. É coisa para milhões de reais
5 - Arruda, governador do DF, ainda preso;
6 – Quadrilha da Câmara Federal desvia dois milhões de reais. Roubo.
7 - Deputado pede voto com dinheiro da Câmara.
SÓ O GOVERNADOR PRESO. E RESTO COMO FICA?PALITANDO OS DENTES?
VAMOS LER A HISTÓRIA DO ZÉ.
CARTA DO ZÉ AGRICULTOR PARA LUIS DA CIDADE

A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade

Prezado Luis, quanto tempo.
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

CONTINUA NA PARTE 2, a seguir.

Anônimo disse...

PARTE 2 (CONTINUAÇÃO DA CARTA):

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que

CONTINUA NA PARTE 3 - FINAL

Anônimo disse...

PARTE 3 (FINAL DA CARTA):

ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)


VAMOS REPASSAR PARA INFORMAR. A INTERNET É A NOSSA ARMA.

MANDE A CARTA PRA CUBA. O PRESIDENTE ESTÁ LÁ DANDO DINHEIRO, PARA DEFENDER A LIBERDADE.


Publicada em: 28/02/2010
Estamos Vivos! Grupo Guararapes! Personalidade Jurídica sob reg. Nº 12 58 93, Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza.

Anônimo disse...

Serrão, dá uma olhada no artigo "Pronunciamento do Padre Ricardo" (27/02/2010), em www.averdadesufocada.com
O Padre "pega pesado" mesmo. É muito corajoso.

Recebe um fraterno abraço do amigo

Roberto Santiago