domingo, 2 de maio de 2010

Anistia para quem precisa: Anselmo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

“Há coisas que não podem ser esquecidas. É necessário não esquecermos, para que nunca mais as coisas voltem a ser como no passado”.

(Mario Benedetti, poeta uruguaio, citado pelo poeta-ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal)


Por Jorge Serrão

Será que o advogado Luciano Blandy terá de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para que José Anselmo dos Santos tenha o elementar direito de ter de volta uma carteira de identidade? Será que o STF também precisará ser acionado para que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça pare de protelar o julgamento do pedido de anistia feito pelo mesmo José Anselmo – que é um exilado forçado do regime pós-64?

As duas perguntas têm respostas tão elementares que nem deveriam ser feitas. Ainda mais depois que o STF, por 7 votos a 2, sacramentou que a Lei de Anistia, de 1979, é pra valer. Pelo menos para José Anselmo dos Santos, tal lei nunca valeu, e só Deus sabe se valerá ou quando valerá. Abaixo, publicamos um artigo em que ele suplica ao Supremo Criador dos Mundos que lhe devolva a identidade e lhe conceda a anistia.

O ministro-poeta Eros Grau, relator do recente julgamento sobre a Lei de Anistia, foi direto à solução do impasse histórico: “A anistia é mesmo para ser concedida a pessoas indeterminadas e não a determinadas pessoas. Os subversivos obtiveram a anistia às custas dessa amplitude. Era ceder e sobreviver ou não ceder e continuar a viver em angústia. Em alguns casos, nem mesmo viver. Quando se deseja negar o acordo político que efetivamente existiu, resultam fustigados os que se manifestaram politicamente em nome dos subversivos. Inclusive a OAB”.

José Anselmo dos Santos não pode ser “justiçado”, eternamente, pelas conseqüências da grande farsa histórica criada em torno do “Cabo Anselmo”. O personagem é um cadáver politicamente insepulto. Anselmo – que nunca foi cabo na vida, apenas um marinheiro de primeira classe - é taxado de “traidor” pela Marinha – instituição que o odeia. O ex-revolucionário Anselmo também é rotulado de “traidor” por aqueles que optaram pela luta armada para implantar o comunismo no Brasil, na Era pós-64.

Já escrevi aqui e repito. Anselmo é um marinheiro que entrou de gaiato no navio da História. Da autopsia de sua sobrevida, só vale a pena relatar todos os erros que cometeu de verdade. Os erros não podem ser esquecidos. Deviam servir de lição. Outros agentes inconscientes das ideologias não devem repeti-los.Anselmo aprendeu tudo da pior maneira possível.

Agora, tem um livro pronto para contar sua versão dos fatos. O problema é achar quem tenha coragem de publicar tal obra que fala algumas verdades. Muitas desagradam a traídos e traidores, derrotados e vencedores.

Paciência. Agora, o que importa é cumprir a Lei. A identidade de Anselmo precisa ser restituída imediatamente. Sua anistia deve ser homologada, sem privilégios. Ele não pode sobreviver como um homem que não existe. Enfim, nem ele - nem ninguém – merece ser vítima da espiral autoritária do silêncio que assombra e ameaça o projeto ou sonho de se construir uma democracia brasileira.

Leia, abaixo, o artigo de Anselmo: Pelo amor de Deus, devolvam minha identidade!

Releia também: Tenho direito a anistia, sim!

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 2 de Maio de 2010.

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