domingo, 2 de maio de 2010

Pelo amor de Deus, devolvam minha identidade!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Só o homem perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, é maior do que os seus inimigos é capaz de sobreviver”.

(Ministro Cesar Peluso, Presidente do STF, em seu voto contrário à revisão da Lei da Anistia).

Por José Anselmo dos Santos

Nada mais gratificante, nestes últimos anos, que ouvir os votos dos Ministros do STF, relacionando a tradição brasileira do perdão para os envolvidos em movimentos políticos. Também foi prazeroso aprender como o Direito permeia a história e reforça a tradição pacífica do povo brasileiro. Como aprecia as diferenças culturais, que os comunistas teimam em ignorar. Como está intimamente ligado à tradição democrática.

Ao mesmo tempo me dei conta dos anseios do meu coração, pensando como o militar que fui um dia, na defesa de um projeto particular de nação, uma escolha de brasileiros afirmando a independência própria, para consolidar a tradição cultural e ação sem interferência de terceiros, sem copiar, sem consentir na assimilação por outras culturas e modelos econômicos que desprezam o labor dos mais simples.

A que distância nos encontramos hoje do intelecto genuinamente nacional! Pela vontade dos atuais governantes internacionalistas, as Leis, todo o passado histórico, todas as tradições, foram afogadas na “espiral do silêncio”. Pessoalmente tive minha vida desfigurada por esta técnica, que impõe e consolida na opinião pública, somente os valores impostos pelo poder vigente.

A percepção da nação sobre os fatos é parcial. Escondem-se os aspectos da realidade que não interessam aos que detêm o poder. Assim se reescreve a história de uma nação, assim se destroem personalidades conflitantes e opiniões contrárias, mesmo que documentadas, comprovadas. Parece verdadeiro o insensato. Ao povo o pão e o circo.

Senti na própria pele como os que comandam o processo da Anistia utilizaram e continuam aplicando as técnicas da espiral do silêncio. Mesmo com um Advogado acompanhando os trâmites, os burocratas interpõem dificuldades que inviabilizam até a devolução da minha identidade. O processo parece uma novela de Kafka.

É necessário provar que nasci, apresentar uma certidão de nascimento. O cartório do município manda uma certidão dizendo que não existe o registro de nascimento. Onde foi parar? Como sumiu? Mistério. O defensor entra com um pedido liminar que a Justiça autoriza. É feita uma coleta de digitais e assinaturas na Marinha do Brasil. Os peritos oficiais comprovam que aquela pessoa identificada sou eu mesmo: José Anselmo dos Santos.

A Justiça autoriza que a Marinha do Brasil forneça meus documentos de identidade. Vem a resposta burocrática. A Marinha não cumprirá a ordem judicial para o caso específico de um “expulso”. Ora e de que vale a Anistia de 1979, que o nosso tribunal constitucional reafirmou que é lei a ser cumprida? De que vale a ordem judicial que manda me devolver a elementar identidade?

Contornando o vai e vem da liminar, que já vai completar seu primeiro aniversário, o Diário Oficial da União publica nova decisão: a Secretaria de Segurança Pública deve emitir um documento de identidade civil.

O processo burocrático volta ao status quo ante: somente apresentando a certidão de nascimento que já se sabe, não existe, pode-se emitir o documento. E sem identidade, cpf, conta bancaria, sei lá mais o quê... o meu processo da Anistia não entra em julgamento na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Será que só me resta recorrer a Deus, mesmo sabendo que Ele não interfere no livre arbítrio dos homens, menos ainda quando se trata de parte da espécie que recebeu o perdão da anistia, mas recusa a interpretá-la como um ato de pacificação nacional, seguindo a sábia decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil?

Voltando à espiral do silêncio, chego à conta dos 70 anos, presenciando a aridez do pensamento nacional veiculado exaustivamente por todas as mídias, enquanto um documento como o voto do relator Ministro Eros Grau, num momento significativo da nossa história é logo desmontado: os portais de internet, os jornais diários destacam mais a decepção dos que defendem a aplicação de leis internacionalistas, que a obediência à Constituição vigente e a interpretação da maioria da Suprema Corte e seu significado.

Buscando os registros escritos, cada brasileiro sente uma lacuna. Os livros escolares têm acentuado esta lacuna contando uma história desfigurada. A nova intelectualidade brasileira impede a divulgação do que vá na contra mão da versão internacionalista dos governantes. Nos anos 1964, a nação apreciava as inteligências políticas e culturais brasileiras defendendo o alinhamento internacional com o capitalismo ou com a internacional comunista.

Ainda estou por ver alguém que apresente e defenda uma proposição clara para adotarmos a defesa do Brasil, dos interesses dos brasileiros, distante da submissão dos controles mentais, econômicos e culturais externos. Um pensamento autóctone afastado do constrangimento servil, que valoriza o pensamento gerado além fronteiras, mesmo que para destruir as crenças e os costumes.

Chego ao fim da vida submetido a esta espiral do silêncio. Todos os militantes e “estoriadores” repetiram (e repetem) exaustivamente invencionices, criando um mito que por tempo me pesou carregar e sem espaço para relatar o que vi e vivi, as poucas ocasiões foram logo esquecidas. Agradeço aos jornais e jornalistas que transcreveram na íntegra minhas razões e narrativas, logo silenciadas.

Vivi à margem espantado diante da deformação da verdade. Como qualquer vivente tive acesso a documentos que estão na internet, como o Livro Negro do Comunismo, o Projeto Orvil, diversos livros não alinhados com as versões dos comunistas, podendo esclarecer inúmeras dúvidas pessoais, podendo aprender sobre as razões e motivação verdadeira de ambos os lados contendores.

A grande diferença é que hoje as ideias são impostas. Esta geração de moços formados pela escola ideologizada, se acha melhor que todas as gerações anteriores. Em sua presunção nem desconfiam que a liberdade pressupõe a escolha do bem, nem desconfiam que ricos e pobres, negros, índios, brancos e mestiços, formam uma mesma nação, carente de norte, de honestidade, de independência e da grandeza referida pelo Ministro Peluso. É esta grandeza espiritual que parece nos faltar para viver numa sociedade livre.

As Leis existem. Resta que todos as cumpram. Como minha cidadania ainda não foi devolvida, como não tenho um documento de identidade, resta esperar que a justiça seja feita.

Espero, até quando os olhos estiverem abertos e a mente ativa.

Pelo amor de Deus: devolvam a minha identidade! E, logo em seguida, façam valer a anistia a que todos já tiveram direito, menos eu.

José Anselmo dos Santos é um sujeito sem identidade.

3 comentários:

Anônimo disse...

"reforça a tradição pacífica do povo brasileiro. Como aprecia as diferenças culturais"

Tradição pacífica? Aprecia diferenças culturais? Parece que o ilustre articulista esqueceu de fatos como a Guerra do Paraguai, onde os 'pacíficos' brasileiros dizimaram a população do país vizinho à mando da Inglaterra. Parece também que não conhece a campanha de ódio e extermínio étnico-cultural que os brasileiros movem contra os gaúchos há mais de 20 anos. Só para citar dois exemplos.


José Anselmo dos Santos é um sujeito sem vergonha na cara, um analfabeto cultural, incapaz de compreender e identificar a realidade que o cerca, ou seja, José Anselmo dos Santos é um brasileiro.

guerreira disse...

Anônimo, sem vergonha e sem caráter são os governos que conheci depois de meu nascimento, 1941. NUNCA desejaram um povo com o mínimo de educação e cultura. Dona Dilma, falsificadora de currículos está aí, com todos os seus documentos. Serrão, não passo um dia sem ler seu blog. Os dois artigos (o seu e a carta) já foram repassados para a minha lista, atualmente composta por poucos que ainda não estão inertes.

Anônimo disse...

Guerreira - Maria Cecilia; Que Deus te abençoe. Nosso grupo de oração estará rezando por sua recuperação.

Quanto ao Anselmo, acho que já pagou por seus pecados e está anistiado. Chega, devolvam a identidade a esse homem. Porém não concordo que entre na fila p/ receber indenização.