domingo, 27 de junho de 2010

Banco codigato

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão

A rentabilidade elevada dos títulos do Tesouro Nacional, devido aos juros altíssimos no Brasil, é um dos atrativos para que investidores e especuladores estrangeiros aumentem seu apetite para ganhar em cima de nossos papéis. Em maio, foi batido o recorde de participação (8,95%) dos estrangeiros em nosso trilionário endividamento. Os “gringos” detêm R$ 133,4 bilhões do total de R$ 1,52 trilhão do estoque da dívida interna em títulos públicos.

Por que os fundos soberanos e outros investidores sentem segurança em ganhar dinheiro com os papéis do endividamento interno Brasileiro? Elementar, caro Watson. O Brasil é o paraíso da banqueiragem. Nosso modelo econômico – que alguns vendem como “um sucesso fenomenal” – funciona em simbiose com o sistema financeiro. Verdadeiras máquinas de moer gente, o Estado mau gastador e bancos são parceiros dependentes um do outro.

O Capimunismo tupiniquim é muito estranho. Tem uma lógica especulativa própria. Quem trabalha e produz não tem razão. Usar o dinheiro público, com eficiência, para melhoria e qualidade em infraestrutura parece pecado mortal. Controle de gastos desnecessários, nem pensar! Poupar para investir produtivamente, sai fora! O “bom negócio” é se endividar, sobreviver e, se possível, lucrar com o crédito que a banqueiragem nos disponibiliza.

Um caboclo amigo meu, especialista em banqueiragens, explica a situação com uma situação inusitada. Em um sitio na internet chamado Blog do Codigato há uma singela história de um gatinho, com um defeito na cauda. Por sorte, o bichano foi amparado por uma alma caridosa.

Assim, para entender a banqueiragem, podemos fazer uma analogia entre o pobre animalzinho e os bancos. Igual ao gatinho, os bancos tem um defeito de nascença. O governo permite que emprestem um dinheiro que não é deles (os depósitos à vista). Estranho privilégio.
Se uma pessoa tiver dois apartamentos, é lógico que poderá morar em um e alugar o outro. Pode ainda deixar o segundo vazio, ou emprestá-lo para parente ou amigo. Pode até vendê-lo. O seu vizinho não pode alugá-lo ou usá-lo porque isto seria usurpação de direito. Os bancos não seguem tal lógica.

Sob o eufenismo de “alavancagem,” o governo tolera de maneira criminosa esta prática totalmente ilegal, que gera inflação e lucros (juros) para os que emprestam o dinheiro alheio. Pior ainda quando um banco chega ao estado de insolvência, (por não poder restituir imediatamente os depósitos à vista aos seus verdadeiros donos), e pede “socorro” ao governo que o acode com o dinheiro do contribuinte, num cotubérnio indecoroso.

A atividade de emprestar dinheiro é perfeitamente lícita desde de que o banqueiro EMPRESTE O QUE É DELE ou o dinheiro que tomou a prazo (pagando juros ao depositante) para emprestá-lo a prazo igual ou menor, obviamente por um juro mais caro. O resto é empulhação para tentar tapar o sol com uma peneira.

Em resumo, Banco, no Brasil, precisa ser Banco. De verdade. Ao persistir tal “alavancagem”, com crescimento da dívida interna improdutiva, uma hora, vão acabar comendo o rabo do gatinho defeituoso. Aí a situação vai feder. Mais que cocô de gato.


Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 27 de Junho de 2010.

3 comentários:

Anônimo disse...

De acordo! E é assim que até o zé mané que faz o crediário nas casas bahia deve aos banqueiros internacionais. Mais e mais lucros para que financiem a gastança do estado, tornando-o cativo, não é? Escravo, não é? E o estado pode providenciar as leis que lhe conferem mais poder, não é? É só pagar aos legisladores uma boa gorjeta, não é?
Um dia, quando eu era metido a besta, um amigo empresário, formado nos EUA, me aconselhou: "Você pode endividar-se com os bancos, até o valor do seu patrimônio". Caí na esparrela. Perdí o patrimônio e ainda estou devendo.
Assim é o Estado Brasileiro, em números trilionários, fatiando o patrimônio que de fato não pertence aos que decidem pela nação.

Anônimo disse...

Serrão


Dá nojo viver nesse país vagabundo de última categoria moral.
A campanha aberta financiada pelo infeliz e ajoelhado povo brasileiro, em favor do binômio de candidata/terrorista, está sendo feita sem-vergonhamente pela imprensa venal e bandida.
No ISENTO Noblat, o tal dono do Vox-lula, já dá como ganha a candidata sem neurônio.

Meus instintos mais do que primitivos estão em alta.

Anônimo disse...

O "nosso sistema financeiro" está configurado para isso mesmo, transferir riqueza da sociedade para o governo e os bancos.
Somos um país de escravos pagadores de juros, impostos, multas e taxas.
A ideologia esquerdista serve para camuflar
tudo.
Da mídia, dos "intelectuais" , sindicatos, partidos políticos, nada se pode esperar, estão todos mamando ou esperando a vez.
O país vai quebrar brevemente, porque esse sistema destrói a própria base que o sustenta, que é a economia real, fruto da sociedade e não de iniciativas do governo.