quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Defesa da Poluição - Faz sentido?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Argemiro Pertence

Surgiu recentemente uma corrente de pensamento de pouca influência advogando a tese de que o lançamento de toneladas diárias de gás carbônico (CO2) na atmosfera, fruto da maciça industrialização e do crescimento exponencial dos motores dos veículos, especialmente nos grandes centros urbanos – todos grandes consumidores de combustíveis de origem fóssil - não é o responsável pelo aquecimento global que, segundo outras correntes de pensamento, ameaça o ambiente em nosso planeta e, por consequência, as formas de vida que conhecemos.

Defendem aqueles que as alterações climáticas produzidas pela atividade humana são irrisórias se comparadas com as produzidas por causas naturais, como, por exemplo, as periódicas alterações na atividade solar ou na órbita terrestre.Conclui a nova corrente de pensamento que os ambientalistas, com sua posição contrária ao lançamento de gás carbônico na atmosfera visam, ao fim das contas, conter o desenvolvimento dos países do sul, mantendo-os submetidos economicamente, preservando assim a hegemonia dos países do norte desenvolvido. Nesta linha de pensamento chegou-se até mesmo à publicação de um livro com um título bastante sugestivo: `A fraude do aquecimento global`.

Vejamos alguns fatos: se o desenvolvimento implica na instalação de fábricas com seus milhares de chaminés, não existe razão plausível para cada vez um maior número de grandes empresas industriais estarem deslocando suas novas unidades de produção, tecnologicamente mais avançadas do que suas matrizes, para países da periferia. Nunca antes os países do sul receberam tantos investimentos industriais de países do norte. Os principais exemplos são: Brasil, México, China, Indonésia, Taiwan, Filipinas, África do Sul e Egito. De outro lado, os países investidores são os EUA, o Japão, os da Europa Ocidental e até mesmo a Coreia do Sul.

Em recente encontro entre empresários brasileiros e alemães realizado em Munique, Sigrid Zirbel, diretora do departamento de mercados internacionais da BDI (Confederação da Indústria Alemã) e coordenadora da organização do encontro, pelo lado alemão, acha que o mercado brasileiro poucas vezes se mostrou tão atraente para os alemães, mesmo com a crise.`O Brasil tem uma economia muito dinâmica, com previsão de crescimento entre 5% a 6% para este ano. Há muitos projetos brasileiros, principalmente nos ramos da energia e infraestrutura, para os quais a Alemanha tem muito a oferecer`, lembra. Ela destaca, ainda, que o forte das empresas alemãs são soluções sustentáveis do ponto de vista ambiental (Ricardo Orlandini - Notícias em Destaque, RS – 31/05/2010).

Não se pode ignorar o fato de que o custo da mão-de-obra nos países periféricos é significativamente menor que nos países centrais, o que também justifica que o capital se desloque para a periferia. O fato é que, a despeito de quaisquer outras motivações, o desenvolvimento dos países do sul tem se dado também à custa de significativos investimentos industriais de empresas com sede em países do norte desenvolvido.

Há, portanto, um claro conflito entre a posição da nova corrente antiambientalista e os fatos. São as empresas dos próprios países desenvolvidos que estão transferindo processos industriais tecnologicamente mais avançados para nós. E por que transferem? Em primeiro lugar, como já mencionado, porque a mão-de-obra é mais barata o que implica em redução de custos. A seguir, entra o fator espaço. Países como a Alemanha, a França, o Reino Unido e outros não dispõem de mais espaços seguros e disponíveis para esse tipo de aplicação. Por fim, é claro, por questões ambientais: a pressão dos governos e outros órgãos de defesa do meio ambiente têm levado essas empresas a buscarem áreas onde esse tipo de controle é mais frouxo.

Se levada a sério a posição da nova corrente antiambientalista, chegaríamos à absurda conclusão que os governos dos países centrais não querem o desenvolvimento através da industrialização de seus países e, por certo, haveria multidões nas ruas protestando contra essa diáspora do capital.Um outro aspecto desconsiderado ou desconhecido pela nova corrente é que os países do norte desenvolvido já não consideram mais o investimento industrial tão necessário aos seu desenvolvimento. Eles já se encontram um nível acima desse patamar.

Enquanto os países do sul têm necessidade de indústrias poluidoras, os do norte aplicam parcela significativa de seus recursos públicos e privados no desenvolvimento e na pesquisa. Partem da ciência pura até o desenvolvimento de novas tecnologias. Importantes e férteis parcerias entre governos, universidades e empresas têm produzido importantes avanços especialmente nos campos da biologia, dos novos materiais e da energia. É esta concentração de esforços em áreas mais nobres que permite também a transferência da indústria para a periferia do sistema capitalista.

Desconhecem os adeptos da nova crença que o mundo do capital não é mais aquele imenso quebra-cabeças com centenas de peças – os países - de variados tamanhos, cada peça cuidando de seus interesses patrióticos. Neste sentido, sua avaliação parou no tempo e no espaço. O capital globalizado não tem pátria. O capital visa apenas o lucro, seja ele obtido na China, na Croácia ou no Brasil.

Portanto, concentrar sua tese simplesmente no combate contra os defensores do meio ambiente como sendo instrumentos de bloqueio para o desenvolvimento das nações periféricas é uma visão míope da questão. A nova corrente deveria, em lugar de apenas combater, propor alternativas para o crescimento desses países e melhoria das condições de vida de suas populações.

Argemiro Pertence é engenheiro, ex-vice-presidente da AEPET e comentarista internacional do programa `Faixa Livre` (Rádio Bandeiras 1360 kHz - AM - Rio de Janeiro, 8 às 10 horas.

Um comentário:

Coyote Archery BR disse...

offtopic
Olá irmão de armas
ELEIÇÕES 2010 - TSE, candidatos deverão apresentar certidão criminal, que será apresentada, no registro da candidatura. O documento será digitalizado e colocado à disposição do eleitor na página do TSE na Internet.
Ainda de acordo com a resolução do TSE terá que ser apresentado também certidões de objeto e pé, com detalhes sobre o andamento de cada processo.
Cara nova no congresso vai divulgar estas informações do TSE.
Quando isto acontecer conto com a sua colaboração
Eleja, não reeleja
Vamos Limpar o congresso
Espero que o TSE não esconda estas informações
Lord
caranovanocongresso@blogspot.com
caranovanocongresso@sapo.pt