segunda-feira, 28 de junho de 2010

O mar se transformando em óleo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Márcio Accioly


Responda depressa: quando essa festança (Copa Mundial de Futebol) que ora domina a atenção de boa parte do mundo terminar, os responsáveis pela administração mundial cuidarão de parar o vazamento de óleo no Golfo do México, ou arranjarão nova forma de entreter massas desinformadas e facilmente manipuláveis?

O problema é que pelicanos e outros pássaros marinhos, golfinhos, baleias, tubarões, tartarugas e peixes de todas as espécies estão morrendo às centenas de milhares e os países concentrados na Região já sentem os efeitos desastrosos no anúncio da perda de bilhões de dólares com o turismo. Vai ter muita fome, muita mesmo!

Desemprego, desespero, impotência diante de acontecimento que depende da aplicação de avançada tecnologia que agora se sabe ainda não existir. Outra pergunta que insiste em permanecer: por quantos meses mais ou anos serão jogados 60 mil barris diários de óleo dentro do Golfo, vindos do poço que vaza desde o último 20 de abril?

Para se ter idéia precisa, o Golfo do México está hoje com mais de dois por cento de óleo. Este óleo vai avançando por toda a Costa Leste dos EUA, na direção do Ártico, apodrecendo lá em baixo as praias de Cuba, Bahamas e outros países. Cada qual vai recebendo sua dose de veneno, pois não se dispõe de meios para estancar o desastre.

Nos EUA o drama é seriíssimo. A indústria pesqueira que abastece o país é quase toda concentrada no Sul. Os prejuízos são incalculáveis: contam-se aos bilhões de dólares! Já existe até registro de suicídio por conta do fato. A fedentina é insuportável e as pessoas têm consciência de que tudo piora a cada novo dia.

Como desgraça pouca é consolo, o presidente Barack Obama foi a Toronto, no Canadá, e anunciou na reunião do G-20 que os EUA vão ter de apertar o cinto para reduzirem seu déficit de mais de 13 trilhões de dólares.

O economista David Walker, que está à frente de um grupo que fiscaliza a política fiscal norte-americana (Fundação Peter G. Peterson), diz que seu país tem de se preparar para “apertar o cinto”. Ou se tomam providências agora, em sua opinião, ou “a bomba-relógio irá explodir em breve”.

Walker acredita que a única coisa que se tem de fazer é esclarecer o povo. Por isso, sua Fundação tem patrocinado palestras de Norte a Sul, enfocando a gravidade da questão do déficit e dizendo a todos que fiquem bonzinhos, deixem de gastar e aguardem a sua redução para voltarem então com o desperdício novamente.

Com relação ao vazamento do óleo, a possível solução não é nada animadora, mas grupo respeitável de cientistas entende que pode estar a caminho. Seria decretada pela própria Natureza, sendo, portanto, inevitável. O porta-voz desse grupo, Robert Felix, escreveu dois livros que começam a fazer sucesso, alcançando grande vendagem.

O primeiro deles, “Not By Fire But By Ice” (1995), afirma que a Terra já entrou numa mini-era glacial (fato que se registra a cada 11.500 anos), com a diminuição da atividade do Sol, maior incidência de terremotos, massivas erupções vulcânicas (inclusive submarinas), fortes chuvas e enchentes que devastam o planeta.

Tudo isso começou com a mudança da própria órbita da Terra, o que explica a alteração ambiental. Os vulcões iniciam a reversão magnética (mudança de pólo), fazendo com que correntes elétricas promovam espécie de natural “curetagem” ao livrarem o planeta de corpos estranhos, soldando falhas e fendas na limpeza geral.

O segundo livro, “Magnetic Reversals and Evolutionary Leaps”, põe Darwin no bolso ao formular teoria de mudança abrupta das espécies e extinções causadas pela reversão magnética. A natureza sabe cuidar de si mesma, e dispensa o auxílio humano em rituais que tentam honrar imaginários deuses. Só nos resta, com paciência, esperar.

Márcio Accioly é Jornalista.

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