domingo, 15 de agosto de 2010

Brasil e a IV Frota

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Helio Duque

No linguajar popular “gato escaldado tem medo de água fria”. Na geopolítica do poder e nas relações internacionais não é diferente.

A recente recriação, após 58 anos, da IV Frota da Marinha dos Estados Unidos para patrulhar o Atlântico Sul, vem motivando grande polêmica.

Criada em Abril de 1943, durante a II Guerra, foi desativada em 1950. Ignorando e sem nenhuma consulta aos países latino-americanos, o desastrado governo de George W. Bush está fecundando históricos sentimentos antiamericanos no continente.

A América do Sul é a área prioritária para atuação, podendo além do mar, penetrar pelos rios Amazonas, Prata e Orinoco. O Brasil, possuidor de extenso litoral, onde se destaca uma “Amazônia azul” de riquezas monumentais, surpreendido, cobrou explicações oficiais sobre a presença da IV Frota na região. Ao invés de sinais tranquilizadores, a resposta ambígua fez nascer debate sobre soberania e a integridade territorial nacional.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, ante essa realidade, foi objetivo: “Agora que descobrimos petróleo a 300 quilómetros de nossa costa, queremos que os Estados Unidos expliquem qual a lógica dessa frota, justamente numa região como esta, que é pacífica”.

O embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, justificou: “Foi até sugerido que o restabelecimento da frota foi de alguma maneira relacionado com descobertas recentes de petróleo. É importante deixar bastante claro: não é o caso”.

No Ministério de Relações Exteriores brasileiro, destacado diplomata é enfático: “Neste momento é difícil desvincular a IV Frota do alto preço do petróleo e das ameaças de suprimento regular no Oriente Médio.” Pensamento quase na mesma linha, tem o diretor do Departamento de Defesa da Federação das Indústrias de São Paulo, Jairo Cândido: “A IV Frota está sendo ativada porque deveremos estar entre 2013 e 2014 com 1 bilhão a mais de barris de petróleo por ano, subindo para 2,8 bilhões.

Não é para tomar ou ocupar, mas para vigiar esse território, coisa que as nossas Forças Armadas não têm condições de fazer”.

Outras respeitáveis opiniões vêm alimentando um debate polêmico e fadado a se multiplicar nos próximos anos.

O passionalísmo, os enquadramentos ideológicos ganharão dinâmica própria. Pensador racional, o norte-americano Frank Mora, professor da National War College de Washington, entende que a reação emocional na América Latina é compreensível ante o histórico de intervenções militares dos Estados Unidos na região.

O jornalista Élio Gaspari comprova com fatos esse pensamento do acadêmico Frank Mora ao constatar: “Um levantamento do professor John Coatsworth, da Universidade de Columbia, ensina que, entre 1898 e 1994, os Estados Unidos ajudaram a derrubar 41 governos latino-americanos. Um a cada 28 meses. As intervenções militares diretas foram 17. No Brasil, a primeira intervenção americana ocorreu em 1864, com o sequestro de um vapor confederado no porto de Salvador”.

A reativação da IV Frota recoloca na vida brasileira uma questão que os últimos governos, inclusive o atual, foram irresponsáveis e negligentes: o sucateamento das Forças Armadas.

O general Durval de Andrade Nery, estudioso e competente militar vem alertando, há anos, para o descaso oficial no reequipamento modernizador das estruturas militares, fundamentais para a soberania nacional. As restrições orçamentárias chegam ao nível da irresponsabilidade. Em 2008, o orçamento da Marinha foi reduzido de R$ 1,9 bilhão para R$ 1,5 bilhão.

Ex-comandante da Marinha, no governo Lula, o almirante Roberto Guimarães Carvalho elaborou na sua gestão estratégico plano orçado em R$ 5,2 bilhões para reequipamento da Marinha. Infelizmente foi arquivado.

A idade média dos navios varia entre 30 e 40 anos, quando deveria no máximo ser de 20 anos. Com o Exército e a Aeronáutica não é diferente.

A IV Frota dos Estados Unidos chega à região exatamente quando a estrutura militar do mais importante País latino-americano se encontra em situação depauperante. O seu quartel general será a base naval de Mayport, no norte da Flórida.

Integrado por cruzadores, destroiers, fragatas e esquadrões de helicópteros, não sendo de se descartar porta-aviões nucleares. O comandante será o contra-almirante Joseph Kernan, especializado em táticas de guerra nos mares e membro do US Navy Sea Air and Land, a elite naval norte-americana. É um oficial com grande currículo construído nas técnicas da guerra submersa e no treinamento de homens rãs.

Importantes integrantes dos organismos responsáveis pela defesa da segurança nacional, em termos de soberania, fazem perguntas que não querem calar.

Qual o real objetivo dos Estados Unidos, de só agora, reativarem essa poderosa estrutura militar?

A ideia lançada de criação de um conselho de defesa regional pelos dirigentes sul americanos se integraria nessa reação?

O fato é que a IV Frota se circunscreve não apenas a se expressar na premissa de segurança global, mas tem claros objetivos econômicos.

Com a sua visão de estrategista, o general Durval de Andrade Nery, observa o currículo desafiador do seu comandante, o contra-almirante Joseph Kernan. Foi chefe da Força Real, grupo de elite da Marinha norte-americana. Considerado o mais avançado para missões super secretas. Em 2.001, quando da invasão do Afeganistão, ele comandou a operação Liberdade Duradoura. Dois anos depois, em 2.003, liderou na invasão do Iraque a balizada Operação Liberdade. É figura da maior importância na chamada elite guerreira dos Estados Unidos.

Quem melhor definiu os objetivos da IV Frota e o seu comandante foi o almirante James Stavridis, do Comando Sul, divisão a que estará subordinada: “Ele é o homem certo para as tarefas desafiadoras da região”.

Em síntese, tempos turbulentos estão se desenhando no horizonte. Oxalá não sirva para ressuscitar fantasmas de um passado que parecia sepultado.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.http://www.parana-online.com.br/colunistas/3/59230/

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu não estou preocupado com a frota americana; pelo contrário: estou comemorando o fato de saber que finalmente os EUA voltaram a se interessar ativamente pela América Latina.

Quem tem medo de polícia é bandido. Quem tem medo dos EUA é a petralhada e seus ídolos como Fidel e Chavez.

Eu me preocuparia se a Rússia ou o Irã, ou a Coréia do Norte, por exemplo, estivessem rondando nosso litoral, com petróleo ou sem. Bush agiu bem, na minha humilde opinião. Até porque é público e notório que a soberania brasileira sempre existiu muito mais nos livros didáticos do que na vida real. Basta analisar a hiftória defte paíf, desde 1500.

Sou patriota mas não sou idiota, isto é, eu não me iludo mais com a versão oficial da "História do Brasil". Acreditei em tudo que me ensinaram na escola e depois vi que tudo era muito diferente, pois a história brasileira é uma coleção de fracassos nos quais um povo bagunceiro e sem heróis nunca conseguiu sequer respeitar-se e valorizar-se, ficando naturalmente à mercê de qualquer boa ou má intervenção externa.

Lamento ter que ser franco, e sei que podem existir raras exceções, mas vejo as coisas dessa maneira. Lamento também pelos raros bons brasileiros aos quais a história geralmente foi ingrata.

Parabéns pelo blog, Serrão.

Um abraço,
R. Hamer

@MauroVS disse...

Doutor Hélio Duque,
A IV Frota nossa aliada foi criada para conter o avanço nazista no mundo. E reativada para conter a sanha de poder dos fascistas na América do Sul (AS). Só se fecudar entimentos antiamericanos dos comunistas e parvos.
Note, atente bem, que Lula se alinhou-se a Chávez na sanha de uma grande união comunista na AS.
Lula e caterva, precisavam de apoio político e bélico inclusive para permanecerem o poder indefinidamente, para isso alinhou-se a escória terrorista e a países de governos despóticos da União Africana.
Com empréstimos do BNDES, lastreados, também, em recursos do Fundo de Assistencia ao Trabalhador, Chávez mistura com o erário da Venezuela e impulciona sua corrida armametista.
E a defesa do Brasil ficará a cargo do Consejo de Defensa Suramericano da UNASUR, comandado por Chávez e suas tropas e outras da União Africana?
Melhor a IV Frota e SouthComm.

@MauroVS disse...

Doutor Hélio Duque,
A IV Frota nossa aliada foi criada para conter o avanço nazista no mundo. E reativada para conter a sanha de poder dos fascistas na América do Sul (AS). Só se fecudar entimentos antiamericanos dos comunistas e parvos.
Note, atente bem, que Lula se alinhou-se a Chávez na sanha de uma grande união comunista na AS.
Lula e caterva, precisavam de apoio político e bélico inclusive para permanecerem o poder indefinidamente, para isso alinhou-se a escória terrorista e a países de governos despóticos da União Africana.
Com empréstimos do BNDES, lastreados, também, em recursos do Fundo de Assistência ao Trabalhador, Chávez mistura com o erário da Venezuela e impulciona sua corrida armametista.
E a defesa do Brasil ficará a cargo do Consejo de Defensa Suramericano da UNASUR, comandado por Chávez e suas tropas e outras da União Africana?
Melhor a IV Frota e SouthComm.