domingo, 10 de outubro de 2010

Nem a favor, nem contra, muito pelo contrário

“E EM QUESTÃO DE MAIS OU MENOS, NÃO TENHO OPINIÃO FORMADA” - chiste de José Maria alkmin.
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Valmir Fonseca

A batalha para o 2º turno da campanha para a presidência abriu uma fenda na “marquetagem” petista. Trata - se da posição da candidata a respeito do aborto.

Alguns dizem que ela é a favor, outros que é contra, e a candidata, conforme a platéia, a exemplo do seu mestre, coloca o boné do auditório, e abre o verbo:

- “Sou contra, não se pode tirar a vida de um ser humano, isto é uma agressão aos direitos humanos, uma bandeira nossa, do presidente, do PT e por óbvias conclusões, a minha”.

Por outro lado, mudando a platéia, a resposta é rápida:

- “Defendemos o direito da mãe, cabe a ela o arbítrio (a Dilma nunca diria uma palavra tão complicada, mas perdoem, a declaração é fictícia).

Aos analistas cabe desvendar o mistério.

Aparentemente, é ler a constituição petista, o 3º PNDH, para desvendar a incógnita. E o que diz ou dizia a máster piece petista?

Bom, depende, no documento original, o Decreto nº 7.037, de 23 de dezembro de 2009, entre outros, a corja descriminalizava o aborto, transformando um crime contra a vida em uma permissão prevista em lei, “considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”.

Para os estudiosos e preocupados com os rumos da democracia, o calhamaço de 92 páginas, era (ainda é) um assustador arremedo de constituição.

Ao 3º PNDH, em geral, e sobre o aborto em particular, se contrapuseram diversos críticos, em particular as igrejas cristãs, que evocaram a inviolabilidade do direito à vida, prevista na Constituição brasileira.

Por conter flagrantes agressões à democracia, e diante de retumbantes criticas, restou à metamorfose, o pulo do gato, ao afirmar, descaradamente, “assinei sem ler”.

Se o presidente, pelo excesso de afazeres (?), não leu o texto do programa governamental, foi porque confiou no discernimento da ministra Dilma. Seria até uma ofensa à responsável (?) afirmar que ela também não leu o decreto do PAC dos Direitos Humanos.

Dito isso, o majestoso reclamou com o Vanucchi, “dá um jeitinho”. E o Vanucchi deu. Um, dois, três... nove “jeitinhos”.

E, assim, foi lançado o “remendo”, o decreto nº 7.177, de 12 de maio de 2010, que alterou o Anexo do Decreto no 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que aprovou o Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3. Nele, a questão do aborto sofreu o “quebra galho” abaixo:

- Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde.

Assim, foi excluído o trecho que defendia a descriminalização do aborto. Fácil assim.

Pronto estava resolvido o problema. Antes não havia a menor referência aos bons serviços à saúde do Estado (que sabemos é uma M...), posto agora para dourar a pílula, como um meio lícito para a concretização do aborto, segundo o alvedrio da gestante.

Hoje, não colocamos em questão a opinião de um ou de outro candidato sobre tão polêmico tema. Contudo, é importante que cada um deles assuma a sua posição, e agüente as conseqüências, o aplauso de alguns e a reprovação de outros.

O duro, e mesmo insuportável, é o procedimento da candidata, desesperada com a possibilidade de um resultado adverso, tentar a todo o custo utilizar - se de subterfúgios verbais, declarações transversas e ininteligíveis para agradar aos dois lados.

Repetimos, em caso de dúvida não interessa o que está sendo dito agora, mas o que foi escrito com o seu aval, seja no PNDH original, e mesmo no seu programa de governo, cópia do PNDH, e depois retirado e maquiado, diante da grita geral, e com a velha desculpa de que o programa de governo apresentado inicialmente, não havia sido lido por ela.

Durma - se com um barulho desses.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada Reformado.

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