terça-feira, 5 de outubro de 2010

Por que tantos votos brancos e nulos?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cesar Maia

A série histórica de eleições mostra no Estado do Rio um nível de votos brancos e nulos na casa de 7% a 8%. Nesta eleição, os votos brancos e nulos de Presidente ficaram um pouco acima desse nível: 10,7% ou 1 milhão de votos brancos e nulos.

Mas no caso da eleição para governador, foi recorde absoluto de votos brancos e nulos. Foram 17,4%, ou 1,7 milhão de votos brancos e nulos. A abstenção alcançou 17,4%. Portanto, para governador a abstenção somada aos votos brancos e nulos, chegou a 35% dos eleitores. Ou seja, os 66% dos votos válidos do governador eleito são 49% do total de eleitores.

Mas no caso dos senadores, a extravagância é muito maior. Lembre-se que se vota duas vezes. Assim como para presidente e governador, votaram 9,5 milhões de eleitores. Em dois votos são 19 milhões de votos. Nesse caso, os votos brancos e nulos somaram 4,4 milhões de eleitores. Ou seja: 23% dos eleitores presentes às urnas anularam ou votaram em branco em um dos dois voto.

Os votos brancos e nulos, no caso do senado superaram a votação do primeiro colocado: 4,4 milhões contra 4,2 milhões.

No caso de governador em SP, os votos brancos e nulos somaram 10%, bem abaixo do Estado do Rio. Para presidente, os brancos e nulos somaram 7,4%. Mas na eleição para senador, os brancos e nulos somaram 13,8 milhões de votos, mais que os 11,2 milhões do senador vitorioso em primeiro lugar. Esses 13,8 milhões de votos brancos e nulos representaram 27% do total dos dois votos.

Poder-se-ia pensar que esta imensa quantidade de votos brancos e nulos viria de alguma confusão em relação aos dois votos. Mas não é assim. Os votos brancos e nulos para senador numa eleição de dois votos vêm da orientação que a maioria dos candidatos dá para que o eleitor anule seu segundo voto, evitando transferir para seu opositor.

Isso só pode ser feito pelos apoiadores de candidatos, que são condutores de voto por controlarem máquinas partidárias, públicas ou organizacionais, civis ou religiosas. Ou, claro, financeiras.

A solução para isso é se adotar o modelo chileno de primeira e segunda maiorias. O eleitor vota uma vez só e são eleitos os dois mais votados. Isso produz uma eleição mais transparente, onde os candidatos se diferenciam e não tem precaução em perder o segundo voto do eleitor de seus adversários. E um senado mais equilibrado politicamente.

Cesar Maia, Economista, foi prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Publicado no ex-blog de 5 de outubro de 2010.

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