domingo, 14 de novembro de 2010

Perda de credibilidade

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Marcos Assi e Rodrigo Cardozo

A ferida aberta no Banco PanAmericano traz à tona novamente temas importantes como governança corporativa e a real importância do sistema de controles internos nas instituições financeiras.

Partindo do princípio de que não houve um grande conluio envolvendo diversos departamentos e seus níveis hierárquicos, é inadmissível que áreas como controles internos e auditoria interna não tenham levantado os pontos referentes às manipulações contábeis. Na prática, o que se observa em muitos casos é o despreparo dos profissionais responsáveis pelo sistema envolvendo riscos, compliance e auditoria interna, tendo em vista que, para algumas instituições, a implantação destas estruturas foi uma obrigação do Banco Central (BC).

O resultado é a incapacidade de dialogar com as áreas de negócios e terem as suas atividades consideradas como mera burocracia e empecilhos aos negócios. Outro ponto importante diz respeito à menor remuneração dos profissionais de controles nestes bancos, comparando-se ao que é observada nas áreas que são justamente o objeto de controle, como controladoria, tesouraria e área comercial.

É evidente que há um estímulo ao surgimento de comportamentos conflitantes com a função de gerenciamento de riscos e controles. O que se põe à prova é a eficácia destas estruturas e o valor que as mesmas podem agregar às suas instituições, quando a alta administração não está diretamente envolvida e convencida da real importância destas áreas.

Quando comentamos sobre o envolvimento e capacitação da alta administração e do conselho de administração, muitas pessoas olham com desconfiança sobre estas informações, mas quando acontecem fatos como este vem à tona a verdadeira função do conselho de administração e das auditorias externas. Será que não é momento de exigir mudanças neste modelo atual de gestão e revisão? E uma pergunta paira no ar: será que ninguém viu ou identificou estas operações deste tamanho?

O IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) vem buscando criar a certificação dos conselheiros, mas será o suficiente? Os contadores e auditores não possuem registro no CRCs (Conselhos Regionais de Contabilidade), que habilita na elaboração e na auditoria das informações contábeis?

Não diretamente ligada a este caso específico, por se tratar de fraude, mas também importante para esta seara, se refere aos modelos de remuneração variável utilizados pelos bancos. Pagamentos baseados em ações (Stock Options), ferramenta fantástica na remuneração dos profissionais, como fica? E a perda dos investidores? E a credibilidade dos profissionais de contabilidade, auditoria e sem contar o mercado financeiro? Quem paga a conta?

Marcos Assi é coordenador e professor de MBA da Trevisan Escola de Negócios e consultor de Governança, Riscos Financeiros e Compliance; e Rodrigo Cardozo é Compliance Officer, economista pós-graduado em Produtos Financeiros e Gestão de Risco.

2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante, muito interessante.
Ao final do texto, nas qualidades do autor, percebi algo que há muito me incomoda.
Fácil hoje, no calor do momento, criticar os contadores e auditores, inclusive externos, do Bco Panamericano.
Fácil hoje percebermos que a Arthur Andersen foi varrida do mapa após o escândalo da ENRON.
Mas não podemos esquecer quem auditava o finado Banco Santos, cujo prejuizo foi similar a fraude do Panamericano - R$ 2,5 bi.
Se não lembram quem auditava o Santos, eu ajudo .... a TREVISAN.
Fácil manter o nome quando se é da equipe de consultores presidenciais.
Mas acho que foi só coincidência, jamais parte da herança maldita.

Marcos disse...

Bom, primeiramente gostaria de dizer que estou na Trevisan como coordenador academico de um curso desde 2008, e este artigo é proveniente de um contador com CRC, Auditor Interno e Ex-perito judicial, além de mestre em ciências contábeis pela PUC-SP, portanto o artigo é de um profissional com anos de experiencia, com ética e conduta profissional, conforme manual oferecido pelo CRC, alguém se lembra? A Opinião não é da Trevisan, as pessoas precisam aprender a conhecer melhor as coisas.

Marcos Assi