terça-feira, 15 de março de 2011

A Ditadura Invisível

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luís Mauro Ferreira Gomes

Acabamos de receber nosso exemplar da edição 161 do Jornal Inconfidência. Ao iniciarmos a leitura, deparamo-nos, logo no começo da primeira página, com a notícia de que a Fundação Habitacional do Exército havia cancelado a divulgação das peças publicitárias que nele difundia.

Não passava da confirmação oficial, uma vez que o assunto já havia sido badalado em quase todos os meios de comunicação escrita, mesmo antes de os interessados terem sido avisados. Era a ditadura petista mostrando as suas garras, dando uma mostra do que é capaz de fazer, por meio de seus lacaios, com aqueles que ousem contrariar os seus interesses ou opor-se às suas idéias.

É isso que acontece, às vezes de forma não tão explícita, com toda a nossa imprensa. Quem contraria o governo ou seus comparsas sofre terríveis retaliações ou, na melhor das hipóteses, deixa de receber as vultosas verbas públicas da propaganda institucional. Certamente, propaganda muito mais partidária e pessoal do que pública ou institucional.

Caímos, então, nessa farsa de liberdade de imprensa em que, com raríssimas e honrosas exceções, somente são divulgadas as “verdades” oficiais.

O ditador Hugo Chávez fechou, entre muitas outras empresas, a principal televisão oposicionista da Venezuela. Os seus colegas brasileiros ainda não chegaram a tanto, apesar de algumas ameaças mais ou menos veladas e tentativas mal disfarçadas de controle dos meios de comunicação. Talvez, na nossa realidade, prefiram usar outros métodos.

A estranha falência fraudulenta de um banco do Grupo Sílvio Santos levou a uma não muito clara operação de socorro em que, supostamente, os bens do empresário seriam a garantia dos recursos empregados no saneamento, mas, tudo indica, o prejuízo terminará mesmo sendo do contribuinte. O banco foi vendido e a Caixa Econômica Federal é dona de uma parte considerável dele. Com quem, porém, ficará, finalmente, o rombo?

Foi muito sintomática a mudança de orientação política da TVS, que sempre foi bastante equilibrada, e, repentinamente, assumiu alguns contornos de radicalismo de esquerda. 2

Embora ainda fossem desconhecidas do grande público durante a campanha da eleição presidencial passada, as negociações para salvar o Banco Panamericano estavam em pleno desenvolvimento.

Inexplicavelmente, foi, justamente, a TVS que tentou desmoralizar o candidato da oposição, procurando transformar, mediante farsa, o instrumento da agressão, por ele sofrida de militantes petistas, em uma simples bola de papel.

Logo depois das eleições, surgiu, na imprensa, o escândalo financeiro que envolvia o Grupo.

Agora, divulga-se que a TVS fará uma novela, inteiramente fora de seus temas tradicionais. Nela, a personagem principal seria inspirada em certa terrorista que se fez presidente – e já estariam escolhidos os atores que viverão os “militares torturadores”!

Tudo muito suspeito.

Outro fato digno de nota, encontramos em O Globo de 5 de março deste ano. Segundo a matéria, publicada na página 23, o economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, foi demitido da instituição por ter dito, em seminário de que participava com o Presidente da Petrobras, que a estatal e o governo usavam “contabilidade criativa”.

Normalmente, nada há na demissão do executivo de uma empresa que mereça a nossa atenção. Neste caso, o que a torna extremamente grave é o motivo da demissão. Ela se deu porque o economista disse a verdade (e ainda usou um eufemismo para retratá-la), uma verdade que todos estamos cansados de conhecer, mas que aborreceu o governo e um dos seus companheiros.

Seria de se esperar que a empresa nada fizesse. O Sr. Gabrielli e quem mais se sentisse ofendido, que recorressem à Justiça (onde as partes poderiam apresentar as suas provas), em busca de reparação, se assim julgassem conveniente.

Afinal, quem desconhece que o governo e suas empresas são extremamente “criativos”, não somente na contabilidade, mas sempre que lhes convém escamotear a verdade? Por que, então, ele teria sido demitido? Provavelmente, porque a direção do banco teme sofrer retaliações e não quer perder benesses concedidas com dinheiro público.

Todos os dias, vemos esse mesmo dinheiro público subverter a liberdade de imprensa e patrocinar a difusão das mentiras do partido do governo. 3

O dinheiro que irriga os cofres da POUPEX, em contraposição, é privado, descontado religiosamente de nós, os seus associados. Se somos o publico alvo dessa instituição (pessoa jurídica de direito privado que opera com o nosso dinheiro), porque foi ela proibida de divulgar, no interesse mútuo, propaganda em um jornal que lemos e assinamos?

Dissemos que o interesse era mútuo e hoje mesmo tivemos uma prova disso. Havíamos decidido cancelar um plano de previdência privada para o qual vimos contribuindo há muitos anos, por considerar que a nossa família já se encontra bem amparada e a mensalidade é muito alta.

Não obstante, ao continuarmos a ler o nosso Inconfidência, encontramos, ao pé da sétima página, uma propaganda do GBOEX. Pronto! Mudamos de idéia. Não cancelaremos mais o plano. Pelo menos, parte das nossas contribuições está sendo bem usada, para financiar a difusão de matérias que nos são gratas.

Ainda não fecharam as nossas empresas de televisão, mas querem fechar um pequeno jornal que se faz grande por publicar o que os outros não ousam.

Violências, como as que comentamos acima, não acontecem em democracias.

Contudo, a maioria dos brasileiros está cega, e muitos não querem ver a ditadura que está instalada no País e insistem nessa bobagem de que vivemos em uma democracia e que nada devemos fazer que a arranhe. Nem que seja, justamente, para nos salvar da ditadura!

Que democracia é essa em que grande parcela da população tem vedado o acesso a quase todos os meios de comunicação?

Democracia de araque, que serve de máscara para o regime ditatorial que a cada dia se consolidada mais e se torna mais difícil de abortar.

Reconhecer isso é imperativo, contudo muito perigoso, também. Afinal, a ignorância é uma ótima desculpa para a omissão.

Admitir-se a realidade cria a expectativa de reação e torna muito difícil explicar porque não se faz nada.

Luís Mauro Ferreira Gomes é Coronel-Aviador reformado e, atualmente, Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa.

Um comentário:

Manoel Vigas disse...

Saudações.

Diversos são os blogs e artigos que nos infere a entender que os militares formam hoje
“UMA TURMA QUASE PERFEITA!”.

Quase, pois "supostamente" falta unanimidade, coesão, e principalmente o cumprimento INCONDICIONAL dos Juramentos de Honra feitos nos gloriosos dias de formatura.

Sinto saudades do tempo em que o respeito aos SIMBOLOS NACIONAIS não permitia dúvidas quanto ao amor à PÁTRIA.

VIVEMOS HOJE A IMPLOSÃO DE UMA NAÇÃO QUE PODERIA SER EXEMPLO DE GRANDEZA, CONSTRUÍDA PELA FORÇA DOS SEUS FILHOS E ASSENTADA PELOS ALICERCES DA PAZ.

AO CONTRÁRIO, SOB OS OLHOS DE HUMILHANTE OMISSÃO, ESTÃO DIVIDINDO, SEGREGANDO, E CRIANDO UM PREVISÍVEL CONFRONTO.

ENTENDE-SE ASSIM QUE ESTÃO “ACEITANDO” IRREFLETIDAMENTE ORDENS APÁTRIDAS VINDA DO EXTERIOR !!!

TRISTE,
TRISTE,
MUITO TRISTE ......

.... VIVER NESTES TEMPOS.

Atenciosamente.
Manoel Vigas