quinta-feira, 24 de março de 2011

É bom Saber...

Artigo noAlerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

Numa reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realizada em Natal, RN, em Julho de 2010, os participantes ficaram entusiasmados com as promessas oficiais, incluindo a fala da atual presidente do país, que na ocasião destacou a prioridade da educação, ciência e tecnologia para o desenvolvimento.

Atualmente o papo que rola é sobre a Política de Desenvolvimento Produtivo e os faladores do governo repetem uma espécie de palavra de ordem: "a inovação terá prioridade na política industrial." Também gastam saliva sobre um Plano de Ação para a Ciência, Tecnologia e Inovação a ser desenvolvido nestes 4 anos.

Mas olhe bem e ouça: os resultados oficiais sobre o desempenho da escola básica indicam regressão no aprendizado da meninada. A coisa está embolada no meio de campo, com muita doutrinação política e muita "aula de safadeza". Existem alguns que se salvam. Igor está na escola básica. É filho de um guarda civil, sabe que a escola está ensinando história mentirosa e que a teoria da evolução é insustentável. Ele sabe porque estuda como pai. Foi o que disse.

Os governantes, confirmando o compromisso doutrinário de manutenção da ignorância, contrário ao discurso que salivam, acabam de anunciar um corte de 1 bilhão e setecentos milhões no Orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia para este ano. Com as deficiências da educação básica, a turminha que vai entrar nas faculdades estará basicamente despreparada. Sem a necessária qualificação, a anunciada prioridade sobre a inovação na política industrial vai ser arquivada.

Pior é este congresso "renovado" onde a gente fica fazendo pose e dando entrevista (salvam-se uns poucos), onde a Comissão de Ética abriga 6 parlamentares que respondem a 19 processos no STF. E todos estão tranquilos, porque a "ficha suja" vai ser chutada para valer somente nas próximas eleições. Daqui prá lá, muita água vai rolar, dá tempo de aliviar...

Ser Deputado ou Senador, dá muito trabalho! Mesmo assim uma turminha do Rio Grande do Sul, - onde agitam construir um Memorial das Ditaduras do Cone Sul, monumento internacional! - entrou com um processo contra a vida mansa dos senadores, que gastam sem limite e pagaram horas extra prá 3.883 servidores quem estavam em casa, numa boa!

"Os advogados gaúchos Irani Mariani e Marco Pollo Giordani ajuizaram, na Justiça Federal, uma ação que pretende discutir as horas extras pagas e não trabalhadas, no Senado, e outras irregularidades que estão sendo cometidas naquela Casa. A ação tramita na 5a. Vara da Justiça Federal de Porto Alegre e tem como réus a União, os senadores Garibaldi Alves e Efraim Morais e "todos os 3.883 funcionários do Senado Federal, cuja nominata, para serem citados, posterior-mente, deverá ser fornecida pelo atual presidente do Senado Federal, senador José Sarney".

"O ponto nuclear da ação é que durante o recesso de janeiro deste ano, em que nenhum senador esteve em Brasília, 3,8 mil servidores do Senado,sem exceção, receberam, juntos, R$ 6,2 milhões em horas extras não tra-balhadas - segundo a petição inicial."

A mesma ação quer a revisão do custo/senador, que atualmente é de R$ 418.000 (Quatrocentos e dezoito mil Reais, quase meio milhão, por mês! Para cada senador. Ou seja um senador come a merenda de uns 700 trabalhadores de salário mínimo. Taí a diferença entre a barriga de quem manda e a magrelice atlética de quem pega no mais pesado.

Numa coisa vamos melhor que a India, que foi forçada em 1990, pelo Banco Mundial a usar as sementes de milho geneticamente modificado da Monsanto. O governo chiou e proibiu. Mas uma permissão saiu em segredo para alguns estados. Resultado o setor agrícola começou a declinar... e 25 anos depois, sem grana prá comprar sementes, adubos e pesticidas, mais de 200 mil pequenos agricultores se suicidaram.

Aqui, a coisa corre solta, a Lei é mansa e a Monsanto manda, não pede. A Monsanto e a Syngenta já convenceram sobre os rendimentos incríveis e o custo baixo (basta ter um empréstimo prá comprar as sementes, adubos e agrotóxicos que eles chamam de "defensivos"). Esperam-se os lucros altos, para pagar os empréstimos, se chover na hora certa e o sol brilhar na hora da colheita e se o mercado lá no estrangeiro pagar um bom preço, o que nem sempre acontece.

A desconstrução é total. São tempos difíceis para os países "em desenvolvimento". É preciso manter a galera na ignorância! E divulgar boas notícias: "Um recente estudo da UniFeSP, demonstrou que cada brasileiro caminha 1.440 km por ano. Outro estudo da Associação Médica Brasileira informa que o brasileiro consome 86 litros de cerveja por ano. Conclusão: o brasileiro faz 16.7 km por litro." É bom saber!

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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