terça-feira, 8 de março de 2011

Nossas Perdas Internacionais com Nióbio

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

No Brasil, muitos servidores públicos são muito mal pagos e, mesmo assim, cumprem sua missão essencial para a Nação. Mas, neste mesmo País, alguns funcionários muito bem pagos para servir à Pátria se corrompem e praticam a omissão. Um dos mais escandalosos exemplos de omissão oficial, entre tantos outros, é o descaminho e o subfaturamento do nióbio brasileiro.

O Brasil detém quase a totalidade das reservas mundiais deste mineral estratégico. O metal é explorado em Araxá (MG), Catalão (GO), Ouvidor (GO) e Presidente Figueiredo (AM). O nióbio em Minas Gerais, onde existe a maior reserva em exploração, é comercializado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. Já as minas de Catalão e Ouvidor são exploradas pela Anglo American of South Africa, estrangeira 100%. A exploração da columbita da mina de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM) está a cargo da Mineração Taboca, empresa do Grupo Paranapanema.

Quase 100% do nióbio comercializado no mundo é brasileiro. Mas não ditamos o preço, nem nosso País se beneficia do mineral como deveria. Estima-se que percamos US$ 100 bilhões por ano com o descaminho ou comercialização subfaturada do metal – muitas vezes exportado, sem que as estatísticas registrem, em meio a toneladas de minério de ferro bruto.

Nosso nióbio é essencial para a humanidade – que dele depende. O Nb tem elasticidade e flexibilidade que o tornam moldável. É um agente anti-corrosivo. Resiste aos ácidos mais agressivos. Mesmo submetido a elevadas temperaturas, oferece alta resistência à combustão. A baixas temperaturas se converte em supercondutor. É essencial na indústria nuclear. Suas ligas são usadas na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética.

Na indústria aeronáutica, é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes. Na indústria do petróleo, serve para compor ligas de aço destinadas ao fabrico de tubos para condução de líquidos, desde água até petróleo. Também serve para fabricar cerâmicas eletrônicas, em lentes para câmeras, jóias e até artigos de beleza.

Na indústria aeronáutica, o nióbio é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes. O trem bala, tão sonhado pela presidenta Dilma Rousseff, depende do nióbio em vários processos de sua montagem e implantação. Se a Dilma não sabe, está na hora de se ligar no nióbio. Os militares podem até lhe dar uma aula sobre o tema que tem importância globalitária.

A exploração dos minerais raros do Brasil é uma das preocupações estratégicas da Oligarquia Financeira Transnacional – que controla o mundo e as maiores empresas transnacionais. Agora, o esquema globalitário acaba de formalizar mais um ilusionismo empresarial, para forjar a impressão de que o caso do oligopólio do nióbio não é tão preocupante assim – como andam pensando muitos militares esclarecidos.

Um consórcio do Japão e da Koreia do Sul, incluindo as empresas Japan's Nippon Steel and South Korea's Posco and National Pension Service (NPS), acaba de divulgar mundialmente que pagará US$ 1.95 bilhão por 15% das ações da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. A CBMM passa por constantes alterações no capital social. Tempos atrás, tinha o capital dividido entre o "Grupo Moreira Sales e a Molybdenium Corporation - Molycorp, subsidiária da Union Oil, empresa do grupo Occidental Petroleum – Oxxi.

A CBMM explora as minas de nióbio em Araxá. Faz isto junto com a Companhia de Mineração de Minas Gerais - COMIG, uma última “estatal”. Só que as duas empresas criaram uma terceira empresa, a Companhia Mineradora de Pirocloro da Araxá - COMIPA, para lavrar, com exclusividade, os minérios de nióbio existentes no município de Araxá, que são destinados ao estabelecimento metalúrgico da primeira empresa.

O fato gravíssimo e criminoso é denunciado pelo grupo de estudos União Nacionalista Democrática (UND). Nossos governos nunca coibiram o subfaturamento ou o descaminho nas exportações de Nióbio. O prejuízo anual médio, para a economia brasileira, é de 100 bilhões de dólares. Desde 1996 já são 1,4 trilhão e quatrocentos bilhões de dólares. Há que dar um basta nessa sangria.

Esse verdadeiro crime de lesa-pátria apenas confirma o maldito conceito de que o Brasil, desde que foi descoberto. Somos uma rica colônia de exploração, mantida artificialmente na miséria e no subdesenvolvimento, para servir de estratégica plataforma de exportação de recursos (financeiros, naturais e até humanos).

Eis a realidade para qual precisamos acordar e mudar o conceito. Enquanto ainda dá tempo... As riquezas do Brasil podem e devem servir ao mundo, mas antes devem servir para bancar o desenvolvimento brasileiro. Por isso, brasileiros têm o dever de conhecer, abaixo, o trabalho de patriotas como Adriano Benayon, Antônio Ribas Paiva, Roberto Gama e Silva e Ronaldo Schlichting – que há anos vêm denunciando o questão do nióbio, sem que os governos nada façam. Os artigos por eles escritos reproduzimos abaixo.

Até quando vamos suportar, impunemente, nossas perdas internacionais com o Nióbio?

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 08 de Março de 2011.

11 comentários:

Montenegro disse...

Excelentes artigos. Mostram o poço fundo em que nós e o mundo estamos metidos.
É decepcionante saber como os governantes que se apossaram do estado brasileiro estão comprometidos com o projeto global, enquanto declina a educação em nossas escolas, enquanto os brasileiros são vitimados pela fome, ignorância e violência decorrente destas políticas.
Inda restam homens ilustres trabalhando por reverter este quadro insano.
Prossigam senhores. Mostrem isto aos nossos estudantes. Façam de tudo para que todos saibam e ajam para restaurar a dignidade nacional.

Encontro Cósmico disse...

Belo artigo...
Interessante!

Aproveitem e veja o que a mídia não mostra... e que só poderá ver nesse Encontro...

http://www.youtube.com/watch?v=l1tfNYb0IOU

Anônimo disse...

A TODOS OS CIDADÃOS DE BEM DO BRASIL, EM ESPECIAL OS PAULISTANOS, VEJAM O LINK DO BLOG MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO O Q O MOVIMENTO RESILIÊNCIA CIDADÃ ESTA PROGRAMANDO PARA O DIA 12/03/2011 - AV PAULISTA DEMISSÃO DE TODA A CLASSE POLÍTICA http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/

Anônimo disse...

Coluna de hoje 09/03 do www.claudiohumberto.com.br

Doador do
crucifixo ‘afanado’
é amigo de Lula

O crucifixo que Lula teria “afanado”, mas que foi presente do amigo José Alberto Camargo, vai para o Instituto Cidadania, em São Paulo, que o ex-presidente fundou em 2002 e presidirá após o Carnaval. Conselheiro do Instituto, Camargo deu o presente quando presidia a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), do grupo Moreira Salles, em Araxá (MG), maior produtor de nióbio do mundo.

Caixa reforçado

A CBMM ganhou um reforço de US$1,8 bilhão: grupos japoneses e um fundo de pensão coreano compraram 15% da empresa.

Velhos amigos

Patrocinadora do Instituto Cidadania através de uma ONG, a CBMM foi o maior doador de campanha de Lula, em 2002: R$1 milhão.

Anônimo disse...

Excelente artigo! Obrigado por manter o povo atualizado sobre isso.

Não podemos mais viver na miséria sobre o domínio dessa oligarquia transnacional. Precisamos levar esse assunto como tema aberto a fóruns, seminários e congressos estudantis juntos quebrar essas grades.

Espero que possamos mudar logo nossa realidade...

Anônimo disse...

marcos valerio ja disse, o mensalao e troco perto do niobio.

Anônimo disse...

A relação entre José Alberto de Camargo ex presidente da CBMM e o governo Lula sempre chamaram muito a atenção. Com certeza havia e há um enorme conflito de interesses a favor da empresa e da pessoa física e contra o Pais ....

Alfredo Machado disse...

Em 1985, presenteei o Dr. Camargo, com o livro Minuto de Sabedoria no qual escrevi:
"Quisera poder elevar minha gratidão a altura de sua generosidade".
Hoje decepcionado por seu histórico de conduta, solicito ao Dr. Camargo que delete de sua vida
o que escrevi na contra capa do livro.

Alfredo Machado, ex-funcionário da CBMM.
Alfredo.machado@vmetais.com.br

Anônimo disse...

Em 1985, presenteei o Dr. Camargo, com o livro Minuto de Sabedoria no qual escrevi:
"Quisera poder elevar minha gratidão a altura de sua generosidade".
Hoje decepcionado por seu histórico de conduta, solicito ao Dr. Camargo que delete de sua vida
o que escrevi na contra capa do livro.

Alfredo Machado, ex-funcionário da CBMM.
Alfredo.machado@vmetais.com.br

Anônimo disse...

Em 1985, presenteei o Dr. Camargo, com o livro Minuto de Sabedoria no qual escrevi:
"Quisera poder elevar minha gratidão a altura de sua generosidade".
Hoje decepcionado por seu histórico de conduta, solicito ao Dr. Camargo que delete de sua vida
o que escrevi na contra capa do livro.

Alfredo Machado, ex-funcionário da CBMM.
Alfredo.machado@vmetais.com.br

Elias Korkis disse...

Voces certamente nao sabem do que estão falando. Prejuizo de 100 bilhões ao ano? Oligarquia Financeira Transnacional ? Deveria ser um crime falar tanta asneira