domingo, 20 de março de 2011

Por que enaltecemos os nossos?

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/
Por Valmir Fonseca

Somos cristãos. Às vezes, dependendo das circunstâncias.

Abominamos a tortura, por saber que a resistência humana possui suas limitações e existem inúmeras formas de vilipendiar e dobrar um ser humano por métodos dos mais variados (pau – de – arara, palitinho nas unhas etc.).

Os abusos que podem ser infligidos em um prisioneiro podem atingir às raias da paranóia (ameaças, banho com água fria no inverno etc.)

Não importa que o cruel tratamento seja praticado em nome da lei ou mesmo em beneficio de uma coletividade. É crime.

Como acreditar numa confissão extraída, quando o preso atingiu os limites de sua resistência e, para livrar - se de cruéis castigos, desanda a falar, a delatar e a admitir a prática de ações cometidas ou não?

Como tratar outro indivíduo como se fosse o mais repulsivo verme, quando aprendemos que não devemos fazer nenhum mal aos outros, como não gostaríamos que fizessem conosco?

Sim, abominamos a tortura pela degradação que envolve o torturador e o sofrimento físico, mental e moral que se abate sobre o torturado, ainda que ele seja um crápula capaz das maiores atrocidades.

Por outro lado, como admiramos e respeitamos um terrorista bem intencionado.

Ser terrorista é um ato de bravura, é ser antes de tudo um forte. É levar às últimas conseqüências, para os outros, as suas convicções.

Tiramos o chapéu, e estamos prontos para cobrir de glórias quem defende seus pontos de vista, com tanta veemência e com argumentos que estão além da nossa imaginação.

Certamente, não é fácil ser terrorista. É preciso garra para ter o sangue - frio que qualifica um heróico terrorista. Nós não temos.

Sim, não é para qualquer um ter a coragem de realizar uma ação às escondidas, com falsos nomes e inexistentes endereços.

Como deve ser difícil agir na calada da noite, empregar perigosos explosivos para montar uma bomba que pode explodir na sua cara.

É dura a vida de um terrorista de escol, empenhando - se para obter armas, sabe – se lá em que antros. Provavelmente, contatando com perigosos marginais.

Quanta determinação, quanto desapego, quanta grandeza demonstraram aqueles que, perigosa e corajosamente, invadiram bancos, casas comerciais, quartéis e residências para amealhar recursos para a sua causa ou apenas para atemorizar.

Como deve ser difícil planejar um seqüestro. Ficar na espreita, estudar os hábitos e os horários do indigitado, que servirá ao glorioso propósito dos seus ideais. Executar a ação, um ato de bravura. O seqüestrado não sabe, é verdade, mas a possibilidade de uma reação sempre existe.

Mas qual, o bom terrorista não se atemoriza, nem perde o sono na véspera da ação. Afinal, quantos foram adestrados alhures, como na China, em Cuba e noutras paragens?

Sim, quanta coragem, quanta intrepidez, quanto arrojo, pois foram capazes de enfrentar o aparato policial, que nos locais escolhidos, pretensamente, defendia o patrimônio público ou os bens (?) da população.

Os “inocentes” que sucumbiram nas refregas, pagaram com a vida em benefício de uma causa bem maior. Estavam no lugar errado na hora errada. Logo, a culpa foi deles.

Pobres de espírito aqueles que se postam contra o princípio básico de que “os fins justificam os meios”. São ingênuos e ultrapassados.

Nos entreveros dos terroristas com os órgãos repressores, mortos e feridos de ambos os lados. Os terroristas imolados, um crime; os policiais abatidos (torturadores), um troféu. Quem mandou reagirem?

Não sabemos, o que a população em geral e os mais esclarecidos, em particular, como os parlamentares e os integrantes do judiciário, pensam de nossas colocações, mas parece que compartilham e aceitam as nossas opiniões como irrefutáveis.

Nós tecemos loas àqueles heróis. Eles fazem muito mais, produzem novelas, escrevem livros, encenam filmes, erigem estátuas, nominam ruas, tudo para enaltecer aquelas emblemáticas figuras, verdadeiros ícones da realidade atual brasileira.

Sim, já dizia o malandro e bêbado Tavares, personagem do humorista Chico Anysio, e casado com a rica e feiosa biscoito: “Sou assim! Mas... quem não é?”

Valmir Fonseca Azevedo Pereira è General de Brigada Reformado.

2 comentários:

Ronald disse...

Apóio incondicionalmente toda tortura praticada contra os comunistas e terroristas no passado e jamais mudarei de opinião em caso de reprise desta novela.
Aliás, as FFAA não praticaram nenhuma tortura, cumpriram estritamente seu papel de defender a Pátria e só não o fizeram com perfeição pois deixaram muitos deles "escaparem" com vida, deram uma chance aos terroristas que não teriam, como não tiveram o mesmo comportamento quando em situação semelhante. Promoveram justiçamentos, portanto não deveriam ter sido motivo de pena ou clemência.
Sds

Sds

Anônimo disse...

Parabéns recruta zero Valmir Fonseca!

Em artigo anterior o senhor atacou a Igreja Católica dizendo que ela perseguiu abestalhadamente - palavras suas - os opositores dela. Agora o senhor justifica as várias tecnicas de tortura?

Não gosto nenhum pouco da ideologia socialista e seguidores dessa satânica ideologia, mas o senhor deveria tomar um pouco de vergonha nessa cara!

No seu raciocinio a Igreja Católica não poderia também ter que agir contra aqueles que queriam derrubar a Igreja?

Que raciocinio é esse senhor recruta zero?

Renato