domingo, 24 de abril de 2011

“Glória” sem fundamento

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/
Por Ernesto Caruso

"Eles foram exilados por haverem se atrevido a desejar um Brasil independente. Na nossa história, muitos tiveram que se exilar por desejar também liberdade e democracia.”

Os brasileiros e brasileiras que, como eu, sofreram na pele os efeitos da privação de liberdade sabem o quanto a democracia institucional faz falta quando desaparece."

Palavras da “presidenta” no dia 21 de abril de 2011 nas cerimônias em homenagem ao Mártir da Independência em Ouro Preto, MG; inoportunas, narcisistas, de auto-absolvição, “inocentes” e presunçosas como o fariseu do templo ao se proclamar o justo e, estando de pé, orava consigo: "Ó Deus, graças Te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. (Lucas 18 – 11)"

Soberba e vaidade ao se comparar àqueles heróis.

Há que se concordar com parte do texto, pois era essa a vontade dos mentores e encorajados patriotas ainda em preparativos, pregação e arregimentação para a Conjuração Mineira, pois lá nas terras alterosas emergiam os anseios de independência desta Nação chamada Brasil dos colonizadores portugueses.

Sob a ótica da liberdade, pugnavam pela ruptura com a dominação d’além mar, mas não se entendiam, nem se concebiam como inconfidentes, infiéis, mas plenos de identidade com a pátria que se formava; gentios e não gentios se mesclavam e se irmanavam; bateias, diplomas, desenvolvimento e poder construíam estruturas não submissas.

O passado da “presidenta” e dos seus colegas terroristas, guerrilheiros é muito diferente. Como se sabe, estavam alinhados com as posturas do mundo comunista d’além Muro de Berlin e Cortina de Ferro, e com as lições de Luiz Carlos Prestes de empunhar armas contra o Brasil se em luta contra a Rússia de então, sem vínculos com o “Longe vá temor servil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil.”

Tiradentes morreu pelo Brasil, brava gente que lutou pela Pátria livre, não para subjugá-lo a outro estado e adotar a soberania relativa do modelo soviético, vontade dos que fizeram a Intentona Comunista de 1935, explodiram o Aeroporto de Guararapes em 1966, estabeleceram focos de guerrilha no Araguaia, Registro e Caparaó e tantas atrocidades.

Ato corajoso ou covarde em colocar uma bomba no Aeroporto para matar um, somente um, dentre os 300 que lá estavam? Não era uma tropa fardada a ser combatida. Não há glória no currículo de qualquer um que tenha participado desse crime.

Com acertos e erros o Brasil atravessou o mar vermelho de sangue das tormentas comunistas que se alastraram, e com a participação da sociedade, se fez uma Lei da Anistia para pacificar todos os envolvidos, certos ou errados nos seus propósitos.

Mas, a “presidenta” não deixa de aproveitar toda a oportunidade de se auto-elogiar da “dignificante” participação no que era Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, VAR-PALMARES, sem citar o nome da organização, repete-se como vítima de perder a liberdade.

No entanto, pretende que as Forças Armadas se calem sobre essa “glorificada” ação guerrilheira/terrorista. Lamentavelmente tem conseguido, além de perseguir o objetivo da Comissão da Verdade para mais uma vez mentir.

Os textos abaixo demonstram por outras vozes a verdade dos fatos. Mesmo daqueles que seis meses depois da eclosão do Movimento de 31 de março de 1964 passaram para a oposição, como registrado em nota da redação da Tribuna da Imprensa.

Site da Tribuna da Imprensa terça-feira, 12 de abril de 2011. Texto de Carlos Newton. Você quer saber como a imprensa tratava o presidente João Goulart? Então, confira aqui a pesquisa da jornalista Cristiane Costa:

Muito tem se discutido neste blog sobre o governo João Goulart e o golpe militar de 31 de março. Quem não viveu aquela época não tem uma real noção do que aconteceu. Por isso, vale a pena publicar a pesquisa da jornalista Cristiane Costa, postada originalmente no blog BrHistória.

O levantamento mostra que a imprensa, praticamente sem exceção, apoiou a derrubada do presidente João Goulart, em função dos desatinos cometidos ao propor uma reforma agrária demagógica, que atingiria todas as grandes fazendas produtivas, num país onde não faltam extensas áreas improdutivas a serem cultivadas.

Além disso, Jango queria derrubar a lei da oferta e procura, ao tabelar, também demagogicamente, todos os aluguéis nas áreas urbanas. Sem falar na quebra da hierarquia nas Forças Armadas. Estas foram as principais razões da queda, que teve expressivo apoio da classe média, como os jornais registraram. É só conferir:

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“O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!” – (Do editorial “BASTA”, 31 de março de 1964 – Correio da Manhã – Rio de Janeiro)

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“Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!” – (Do editorial “FORA!”, 1° de abril de 1964 – Correio da Manhã)

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“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas” - (Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)

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“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada.” – (Jornal do Brasil, edição de 1º de abril de 1964.)

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“Minas desta vez está conosco”(…) “Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.” – (Estado de S. Paulo – 1º de abril de 1964)

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“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (…), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade” - (O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964)

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“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento” – (O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

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“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas” – (Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

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“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”… “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”. – (O Globo, 2 de abril de 1964)

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“Lacerda anuncia volta do país à democracia.” – (Correio da Manhã, 2 de abril de 1964)

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“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil” – (Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)

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“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.

Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada …” - (O Globo – Rio de Janeiro – 4 de Abril de 1964)

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“Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”(…) “Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria.” – (Estado de Minas, 5 de abril de 1964)

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“A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. – (O Globo, 5 de abril de 1964)

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“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la!” - (Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964)

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“Congresso concorda em aprovar Ato Institucional”. – (Jornal do Brasil, 9 de abril de 1964)

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“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República …O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve” – (Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964)

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“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento” - (A Razão – Santa Maria – RS – 17 de Abril de 1964)

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Nota de Redação – Seis dias depois da derrubada de Goulart, a Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes foi o primeiro jornal a se posicionar contra o regime militar. Depois, o Correio da Manhã de Paulo Bittencourt também foi para a oposição. Mas todos os outros destacados órgãos da chamada grande imprensa seguiram apoiando indefinidamente a ditadura, como fica demonstrado nesses dois editoriais que seguem abaixo, também pesquisados pela jornalista Cristiane Costa:

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”. – (Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 31 de Março de 1973)

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. – (Editorial assinado por Roberto Marinho, publicado no jornal” O Globo”, 7 de outubro de 1984, sob o título “Julgamento da Revolução”)

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

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