sábado, 24 de setembro de 2011

Defesa: Necessidade Ímpar

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

O instinto de sobrevivência é ontológico, fazendo parte, por este mesmo motivo, da essência do indivíduo. Não é sem razão que os animais, além de defenderem a sua integridade física da agressão de outros predadores, estendem essa defesa ao espaço geográfico que ocupam e ao qual se adaptam, por dar a eles os meios de subsistência e de proteção, necessários à sua vida e à de suas crias. Diz-se, então, nas ocasiões em que entram em luta contra seus inimigos naturais, “que defendem o seu território”.

Isto porque a reação que leva um indivíduo à defesa tem, como mola propulsora, o instinto de sobrevivência, o que permite concluir que o manter-se vivo é o objetivo de todo ser animado e uma consequência lógica da escolha adequada da estratégia posta em prática pelos contendores, estratégia cujo resultado positivo advém do conhecimento prévio da força do adversário, de suas preferências de ataque e de ser ele estranho ao ambiente.

Se há, por instinto, a defesa do corpo físico e a do espaço geográfico, provedor das matérias básicas necessárias aos irracionais que nele se abrigam, é porque pressentem que virão do exterior às suas áreas de ocupação, ataques de inimigos, isolados ou em grupos, para tentarem desalojar ou eliminar os que ali se resguardam da fome e das intempéries.

Não é diferente tal comportamento ao homem, que se destaca dos outros animais, pela sua capacidade única de racionalizar os acontecimentos e de verbalizá-los. Isto significa que poderá, primeiramente, expor as necessidades primárias de defesa aos seus iguais, para convencer-lhes da importância de determinarem as ações conjuntas e urgentes, em defesa do bem comum: a unidade territorial e a soberania da nação e, como consequência, a defesa de seu patrimônio e a de sua vida.

Do mesmo modo que é levado à reflexão, ressaltam-se nele características psicológicas tais, que o tornam um ser complexo, de reações mutáveis, nervosas ou equilibradas, dependentes das variáveis situações das quais é participante ou nas quais é chamado a intervir.

Por esta razão, cabe aos dirigentes brasileiros estabelecerem metas de defesa e adquirirem a cultura de pô-las em prática, transformarem a letra da END em atividades concretas, com visão perscrutadora, sem a qual recairão sobre eles as consequências da desatenção à obviedade dos detalhes.

Para tal complexidade estratégica, somente os especialistas no assunto poderão determinar as ações ideais, num território fantástico como o do Brasil. Leigos, preenchedores de cargos, não podem enfeixar em suas mãos, o destino da Nação, num dos ministérios mais importantes da República.

Adquire, assim, a manifestação psicossocial importância fundamental por determinar, pelas ações humanas, as diretrizes que seguirão a política do Estado, responsável, por sua vez, pelo acerto dos caminhos a serem tomados em relação à economia, ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia, visando a aumentar a capacitação bélica dos comandos militares na defesa da Nação.

Tendo o homem a capacidade de analisar os acontecimentos já ocorridos, compará-los com os que estão em evidência e com os que ainda se mantêm embrionários, no plano dos eventos futuros, poderá, como diz Sun Tzu, em “A Arte da Guerra”, “planejar o difícil enquanto ainda é fácil”, numa antevisão dos fatos, sem a turbulência das emoções, comuns em momentos de imprevidência, mas, ao contrário, com equilíbrio de espírito e sensatez.

Em “Da Guerra”, Clausewitz, por sua vez, demonstra a superioridade da defesa enquanto elemento de dissuasão e enquanto tática de combate, pois ela permite desde o desgaste do invasor em uma guerra de atrito até a possibilidade de escolha do momento correto para contra-atacar as forças adversárias.

É a visão holística dos dirigentes da Nação que determina a implantação de medidas, não apenas acauteladoras, mas de cunho altamente defensivo, proporcional à grandeza territorial e às riquezas naturais de que esta Nação é possuidora. Entra-se, então, no campo não só da geopolítica, onde o Pais se avulta como um Estado de porte, mas também no da geoestratégia, quando o poder diplomático deve desincumbir-se, com maestria, no cenário político internacional, por contar, atrás de si, com a força das armas, a logística do convencimento, como senhora das decisões.

As relações internacionais devem ser uma das formas prioritárias de manutenção da defesa, tendo em vista que cabe aos homens porem em prática, primeiramente, a capacidade de resolverem as questões políticas por meio das armas do raciocínio e esgotarem todos os argumentos que sejam favoráveis à Nação que defendem, e terem certeza de que os resultados acordados serão cumpridos, à risca, pela nação interlocutora.

O arsenal militar deverá permanecer como espectro àqueles, coincidentemente, da mesma origem dos piratas que aqui estiveram na época colonial, porém, deverá fazer-se sempre presente, no caso desses belicosos ‘amigos’ tentarem sobrepor-se à soberana terra brasileira. Para isso, é indiscutível, de imediato, o reaparelhamento das Forças Armadas, porque, relegá-lo a segundo plano, é assumirem os governantes e seus, nem sempre patrióticos conselheiros, uma responsabilidade de proporções inconcebíveis.

Aileda de Mattos Oliveira é Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa. ADESG 2008 (CEPE XXXIV); ESG 2010 (CLMN). Membro da Academia Brasileira de Defesa.

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