sábado, 10 de setembro de 2011

Eles fabricam sindicatos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Antonio Antunes

Com o título “Eles Fabricam Sindicatos”, a revista Isto É publicou uma matéria com falhas em seu conteúdo. É certo que o papel aceita tudo, porem uma revista conceituada como a Isto É não pode abandonar os fatos e publicar versões.

Basta lembrar o dia que a imprensa atabalhoadamente, com a cumplicidade de um delegado de polícia, publicou que os diretores de uma escola na Zona Sul de São Paulo eram pedófilos. A população enfurecida crendo ser verdade o fato divulgado apedrejou a escola, destruiu a vida de seus proprietários causando danos irreparáveis a essas pessoas.

Agora vivemos um momento parecido, pois faz alguns anos que os sindicatos dos minérios e sua federação representavam os frentistas e os trabalhadores das distribuidoras de derivados de petróleo. Isto era uma grande anomalia, pois não fazia sentido que um gerente de distribuidora (BR, ESSO, SHELL, ATLANTIC e TEXACO), tivesse como representante sindical o mesmo que o frentista e em muitos casos, o frentista era o presidente do seu sindicato. Esta aberração precisava ser corrigida.

Nesse ínterim, logo no início do Governo Collor, as Distribuidoras entregaram ao presidente um documento intitulado “Desregulamentação da Atividade de Distribuição”, cuja proposta propunha a liberação geral de preços e a instituição do “self-service” nos postos de Gasolina (as distribuidoras queriam assumir a revenda, sem o ônus dos funcionários). A criação do self-service no Brasil iria causar o desemprego de cerca de 400.000 frentistas. Na época o Senhor Edson Vaz Musa, presidente da Rhodia no Brasil e diretor do Grupo Rhône Poulenc na França, durante um congresso em Paris propôs a proibição do self-service na França, sob o argumento de que era muito mais barato pagar alguns centavos de franco a mais no preço da gasolina, que arcar com o custo social do desemprego que o self-service acarretaria.

Baseado nisto, levei para a Ministra Dorothéa Werneck a proposta de alguém que nada tinha a ver com os combustíveis e conversei com o Senhor Antonio Porcino. O lobby formado para a criação do self-service estava muito forte. Nesta época o nosso álcool era uma mistura de etanol e metanol. Na qualidade de engenheiro químico mostrei então à Dorothéa, à Prefeita de São Paulo Luíza Erundina e a Fundacentro-SP que o metanol era nocivo a saúde causando várias doenças, inclusive câncer. Baseado nisto, a Ministra baixou um decreto obrigando os frentistas a usarem botas, óculos de proteção e luvas para abastecer os veículos. Os frentistas pareciam ETs. Este foi o passo inicial para se proibir o self-service no Brasil.

Para contestar o então presidente da FIESP, Senhor Mario Amato, a Ministra escreveu um livro “Apesar de ser mulher”, no qual há um capítulo sobre o metanol e onde meu nome é citado. Luíza Erundina também escreveu um livro sobre o assunto e também meu nome fora citado. Nesta época era eu diretor do sindicato dos revendedores de Campinas e Região (compreendendo 73 municípios), cujo presidente era Waldir Boscatto.

O Senhor Antonio Porcino Sobrinho, com grande visão do meio sindical, aproveitou a oportunidade para criar em São Paulo, o primeiro sindicato de frentistas do país. Depois deste, vieram outros como Guarulhos, Campinas e se espalharam por todo o Brasil, pois não se podiam conceber mais frentistas defendidos pelos sindicatos de distribuidoras.

Ajudei o Senhor Porcino nesta empreitada, inclusive na criação da Federação dos Frentistas. Ajudei também na criação do Sindicato do Rio de Janeiro, do mesmo modo que espero que em pouco tempo ele crie a Confederação dos Frentistas. Outro fato que causa estranheza é querer induzir o leitor a crer que o sindicato do Rio foi criado através de algum tipo de maracutaia. Ora, o sindicato do Rio se defendeu no Supremo Tribunal Federal e sua carta sindical tem o aval do STF.

Quando a reportagem acusa o Ministro do Trabalho, Senhor Carlos Lupi, de fabricar sindicatos, ela se equivoca, pois nessa época o Senhor Carlos Lupi ainda não possuía qualquer cargo público no governo federal. É o mesmo caso da escola de base de São Paulo. Denegrir a imagem de alguém é fácil, difícil é depois reparar o dano. Por outro lado, a criação de um sindicato independe da vontade ou não de qualquer ministro. Se todos os documentos estiverem de acordo com a lei, o ministro apenas homologa. O que pode acontecer é um ministro querer retardar ou não a homologação.

Antonio Antunes é Engenheiro Químico.

Nenhum comentário: