domingo, 25 de setembro de 2011

Lições e omissões

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

Enquanto os formadores de opinião discutem os efeitos de decisões, omissões e política hegemônica, nos bastidores empresariais, políticos e militares o papo é outro: o próximo e anunciado colapso financeiro dos EUA e da Europa, arrastando todas as nações, hoje dependentes da economia globalizada e controlada por meia dúzia de banqueiros.

Enquanto nos alimentam exaustivamente com informação sobre as dispendiosas adaptações urbanas para o circo futebolístico, corrupção, violência, drogas, costumes que matam seletivamente e reduzem a esperança de vida, os mesmos banqueiros e empresários, vendem sistemas eletrônicos avançados para o controle de movimentos e até pensamentos, acabando com a privacidade.

As pessoas que hoje estão na juventude e na idade madura, bem informadas ou ignorantes, conscientes ou aparvalhadas, vivem na condição de atores e platéia dos dramas humanos. Os que hoje administram as instituições nacionais demonstram estar indecisos e alinhados ao pensamento mais controvertido sobre a complexidade política, econômica e cultural, sem poder de decisão sobre os assuntos que há séculos degradam a vida neste planeta minúsculo.

Os avanços em tecnologia e informação, servem prioritariamente aos exércitos de estados que fomentaram e exportaram um estilo de vida dispendioso, promovendo gastos supérfluos, que comprometem o futuro resultado do trabalho de gerações que ainda estão por nascer. Inventaram e querem manter um sistema financeiro doentio desde a concepção e para mantê-lo espalham violência, terrorismo, guerras, miséria moral e material, para encobrir a própria insensatez.

Como autores de atos lesivos à “humanidade”, identificam-se os mesmos grupos de pessoas que reduzem a complexidade econômica, política e cultural à caricatura coletivista desenhada pelos engenheiros da nova ordem mundial, isto é, da ditadura global contraria a todas as formas da vida, liberdades individuais, crenças e valores que nos deformam as mentes e modos de agir há gerações.

Há um século apenas, a riqueza opulenta de uns e a pobreza da maioria parecia estar fundamentada na economia e nos bens de herança. Todos trabalhavam duro para sobreviver, melhorar de vida e constituir um patrimônio familiar. Hoje somente os mais prósperos são capazes de acumular mais, enquanto os comuns entopem as listas das loterias e as filas de espera dos serviços médicos e dos cartões de assistência estatal, novidade atraente na dependência do dependente planejamento estatal.

Em qualquer parte, pessoas como nós, estão cercadas em ambientes semelhantes: montanhas de lixo tóxico, ar das cidades carregado de partículas que causam doenças, rios onde se depositam detritos e venenos – urbanos, industriais, de mineradoras, agro tóxicos – infectando manguezais e poluindo mares, cujas praias já são consideradas “impróprias para o banho”.

Seria de esperar uma mobilização, uma resposta da sociedade para tais problemas. E qual seria? Os pequenos agricultores no interior, acordam às 4 horas e trabalham até o anoitecer, para preservar um mínimo de conforto para a família. Os filhos em geral têm os sonhos voltados para a cidade, carros, barzinhos, internet, modismo em roupas, shows... E se os pais são impossibilitados de lhes proporcionar os modernismos, sentem-se inferiorizados.

Há somente algumas gerações, os jovens sabiam que era necessário estudar muito, trabalhar durante anos para economizar o suficiente para o carro, viagem e conforto que hoje o governo decreta como direito, facilitando créditos. O primeiro emprego é atraente pelas vantagens monetárias, sem importar a vocação e paixão pelo aprendizado.

Todos querem enriquecer e bem poucos se satisfazem em condições de vida espartana. Todos querem água limpa nas torneiras e bem poucos atentam para a poluição dos rios ou sabem que em alguns países os detritos humanos são tratados quimicamente e voltam às torneiras. A pirataria apoiada por navios de guerra executa a pesca predatória e o mundo é informado que piratas são os miseráveis pescadores que tentam expulsar de suas águas os predadores da fonte de subsistência.

Existe uma realidade nova semelhante a realidades que conduziram ao fracasso e queda de grandes impérios e culturas históricas. E a sociedade poderá tender ao aprendizado, para construir um modelo realista, incluindo em sua agenda o respeito ao próximo. Os impactos criados por instituições políticas e financeiras em colapso, arrastam todas as nações. O Brasil sobrevive atrelado à matriz tecnológica, comercial, cultural e militar dos EUA. Mas o pensamento dominante parece ser o marxismo capitalista, próximo do nazismo.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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