domingo, 4 de setembro de 2011

Objetivos Nacionais Permanentes

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcos Coimbra

De acordo com a doutrina da Escola Superior de Guerra, Poder Nacional é "a capacidade que tem o conjunto interagente dos homens e dos meios que constituem a Nação, atuando na conformidade com a vontade nacional, de alcançar e manter os Objetivos Nacionais" e os Objetivos Nacionais Permanentes são: Democracia, Paz Social, Progresso, Soberania , Integração Nacional e Integridade do Patrimônio Nacional.

Democracia caracteriza-se por" ser representada pela incessante busca de uma sociedade que propicie um estilo de vida identificado pelo respeito à dignidade da pessoa, pela liberdade e pela igualdade de oportunidades, pela adoção de um regime político que se caracterize fundamentalmente pelo contínuo aprimoramento das instituições e da representação política, bem como sua adequação aos reclamos da realidade nacional e pela legitimidade do exercício do poder político, através do governo da maioria e do respeito às minorias".

Paz Social é representada" pelo culto aos valores da cristandade, refletindo um valor de vida, não imposto, mas decorrente do consenso, em busca de uma sociedade caracterizada pela conciliação e harmonia entre pessoas e grupos, principalmente entre o capital e o trabalho, e por um sentido de justiça social que, valorizando as potencialidades da vida em comum, beneficie cada um, bem como a totalidade dos homens".

O Progresso possui as seguintes características: "adequado crescimento econômico, aperfeiçoamento moral e espiritual do homem, capacidade de prover segurança, padrões de vida elevados, ética e eficácia no plano político, constante avanço científico e tecnológico".

A Soberania caracteriza-se pela " manutenção da intangibilidade da Nação, assegurada a capacidade de autodeterminação e da convivência com as demais Nações em termos de igualdade de direitos, não aceitando qualquer forma de intervenção em seus assuntos internos, nem participação em atos dessa natureza em relação a outras Nações, significando também a supremacia da ordem jurídica em todo o território nacional".

A Integridade do Patrimônio Nacional caracteriza-se por representar a " integridade territorial, do mar patrimonial, da zona contígua, da zona econômica exclusiva e da plataforma continental, bem como do espaço aéreo sobrejacente. Integridade dos bens públicos, dos recursos naturais e do meio ambiente, preservados da exploração predatória. Integridade do patrimônio histórico-cultural, representado pela língua, costumes e tradições, enfim a preservação da identidade nacional".

Já a Integração Nacional é constituída pela" consolidação da comunidade nacional, com a solidariedade entre seus membros, sem preconceitos ou disparidades de qualquer natureza, visando à sua participação consciente e crescente em todos os setores da vida nacional e no esforço comum para preservar os valores da nacionalidade e reduzir desequilíbrios regionais e sociais. Incorporação de todo o território ao contexto político e socioeconômico da nação".

No momento, tais conceitos tornam-se importantes para serem repassados por todos nós, brasileiros, devido à insegurança vivenciada, gerada principalmente por pressões externas. Sofremos o risco de serem agravadas as tensões no plano social, com o acirramento e a indução de choques de caráter racial, religioso, étnico. As famigeradas ONGs e a mídia internacional, secundada pela mídia nacional, vão procurar jogar irmão contra irmão, católicos contra protestantes e espíritas, brancos contra negros e índios. Seu objetivo é abalar nossa coesão social, para fragilizar-nos.

Quanto à coesão territorial, vão tentar acelerar o processo de demarcação de terras indígenas, para depois preparar o terreno para o "direito dos índios à autodeterminação" e para aplicar o "direito de ingerência dos mais fortes", o que lhes possibilitaria retalhar o território brasileiro, em especial a Região Amazônica, dividindo-a em quistos, protegidos por uma força internacional de paz. A pretexto de defender os direitos dos índios, vão explorar nossas riquezas e recursos naturais, cada vez mais raros e, depois de atingir seus nefandos objetivos, vão abandonar os nossos aborígenes ou, então, vão tratá-los da mesma forma como trataram os seus índios, na conquista do oeste americano.

Os movimentos separatistas em embrião no país (no sul, incentivados até por ingleses, e no nordeste) também serão estimulados e apoiados via externa. Tentativas de guerrilha e de enquistamentos, como, por exemplo, a ação do MST, que já participou de reunião de cunho terrorista no México, com integrantes da chamada guerrilha zapatista, numa tentativa de coordenar o movimento subversivo no continente americano (México, Peru, Colômbia, Equador etc.) serão incrementadas, visando a obter a secessão.

E a economia está sendo usada para facilitar toda esta ignomínia, através da venda das idéias do neoliberalismo, em especial da chamada "globalização", que nada mais representa do que um pseudônimo para o novo imperialismo do G-7, capitaneado pela potência hegemônica. É o "globaritarismo" ( totalitarismo da globalização). Isto porque sua nefasta ação objetiva destruir o Estado Nacional Soberano, única instituição capaz de impedir o sucesso de nossos inimigos. A "globalização" tem como objetivo principal o controle dos mercados e a uniformidade do pensamento. Por intermédio do pensamento, com o apoio de idéias adequadas, procura direcionar as forças sociais e, consequentemente, determinar o futuro ou a história.

A "globalização" disfarça novas formas de poder: é a nova forma do colonialismo. O processo que conduz à "globalização", através de políticas neoliberais, acaba por desestruturar o Estado Nacional Soberano. O processo é direcionado prioritariamente para obrigar a população a aceitar um novo paradigma, de modo que passe a aceitar, passivamente, a subordinação da cultura nacional à cultura "global". Assim, a conquista da nação soberana, ou do mais importante, de seus recursos naturais, pode ser facilmente obtida sem a utilização do poder militar. É a aldeia global. A parcela de ricos de qualquer país tenderia a uma forma comum de pensar que, no limite, se ajustaria como classe, defenderia seus privilégios, independentemente do Estado-Nação a que pertencesse.

A Democracia é uma verdadeira obra de ficção. Vivemos numa ditadura constitucional, onde o Executivo chega a ameaçar os integrantes do Legislativo de perda de cargos de confiança de seus apaniguados, caso não votem de acordo com seus desejos. As regras do chamado horário gratuito eleitoral apenas atendem aos interesses dos partidos majoritários, que não por acaso possuem as maiores bancadas no Congresso. Desta forma, há a perpetuação no poder. Até parentes, antes ilustres desconhecidos, são eleitos devido ao poder dos vastos recursos materiais empregados.

A Paz Social está a cada dia mais ameaçada. A ação agressiva do MST, do MLST no campo e na cidade mostra uma situação perigosa. A administração federal não agiu no tempo adequado e agora os problemas tornaram-se muito mais graves. Nas grandes cidades, em especial, é deflagrada uma guerra civil não declarada. As razões de insegurança predominam e não são resolvidas pelas autoridades responsáveis pela segurança pública. Assalta-se em plena luz do dia, na frente de todos, e os marginais não são sequer presos, quanto mais punidos.

A Soberania corre cada vez mais risco. A ordem jurídica não é mais respeitada no território nacional. As autoridades locais submetem-se a diretrizes determinadas pelo Resto do Mundo. Até a moeda querem nos tirar! Burocratas de terceiro escalão do FMI regulam até o volume de investimento na área social.
O Progresso está cada vez mais distante. A Economia Brasileira está estagnada há mais de dois anos. A miséria atinge uma faixa de 30 milhões de brasileiros. O desemprego continua em torno de 20 % da população economicamente ativa, segundo o DIEESE. A precarização do trabalho e as relações informais crescem, deixando o trabalhador desprotegido. A privatização selvagem impede os brasileiros de voltar a ter esperanças no futuro. Tudo está sendo vendido. Estamos ficando cada vez mais dependentes.

Para mantermos nossos Objetivos Nacionais Permanentes é indispensável o urgente fortalecimento das nossas Instituições, em especial de nossas Forças Armadas, além da existência de um governo apto a enfrentar o que será talvez um dos maiores desafios da nossa História. Preservar para os nossos filhos aquilo que foi tão duramente conquistados pelos nossos antepassados. Afinal, o Brasil é dos brasileiros! Caso permaneçamos indiferentes, ausentes, medrosos, nossos filhos terão o direito de cobrar-nos: Por que não fomos capazes de, além de doar nossas vidas em defesa do que recebemos, dar-lhes razão para continuarem a viver dignamente?

Marcos Coimbra é Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano. Artigo originalmente publicado em 09.05.2000 para jornal O ESQUADRO.

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