quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sobre a Comissão da Verdade

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

São preceitos da ética e fundamentos da honra pessoal do militar o culto à verdade, a lealdade, a probidade e a responsabilidade como fundamentos da dignidade pessoal. Portanto, nenhum soldado poderia ser contrário a uma comissão que pretendesse revelar a “verdade” sobre qualquer assunto ou fato histórico.

Por outro lado, contam as lendas que a verdade foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho. E quando o espelho estava chegando sobre a face da Terra quebrou-se, partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados.

As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele havia se partido.

E, por essa razão, as que encontravam um dos pedaços acreditavam que tinham nas mãos a verdade absoluta, quando, na realidade, possuíam apenas uma pequena parcela (do livro “A um passo da imortalidade”).

Desta forma, quem quiser conhecer a “verdade” deve buscar todos os pedaços do espelho e não contentar-se apenas com os que encontrou ou com os que lhe foram mostrados, estes não serão mais do que pontos e vista ou, no máximo, uma versão pessoal da verdade, porquanto esta é, também, relativa e dependente do crivo dos valores de quem por ela se interessa e das circunstâncias que a envolveram.

Pesquisar as atitudes, as formas de atuação e os possíveis excessos dos órgãos e agentes do Estado, sem antes conhecer os atos de violência seletiva e indiscriminada que impuseram a postura repressiva, é o mesmo que querer tratar a doença sem conhecer suas causas. É trabalho incompleto, faccioso, distorcido e fadado ao fracasso, caso busque, de fato, apenas a verdade!

Assim, erra quem pensa que aos militares não interessa tornar público, claro e transparente todos os fatos ocorridos no período abrangido pela pesquisa que se pretende fazer, entregando-os ao julgamento dos valores e dos princípios de cada cidadão brasileiro.

Erra também quem, inocentemente ou não, aceita as condicionantes parciais impostas na proposta revisionista, detendo-se nas conseqüências e fechando os olhos para as causas, as circunstâncias e o ambiente em que se deram.

Como muito bem se expressou o Governador do Rio Grande do Sul, Sr Tarso Genro, ao referir-se a recentes manifestações de Policiais Militares de seu Estado: “Atitudes de marginais devem ser tratadas em inquéritos policiais”. Ou seja, há que se devassar os fatos para conhecer a verdade e fazer justiça.

Qualquer coisa diferente disso revelará tão somente os pontos de vista dos que se interessam apenas por mentiras ou meias verdades.

Paulo Cesar Chagas é General na Reserva do EB.

Um comentário:

Ronald disse...

Gen. Chagas,
É tudo absolutamente inaceitável e espero que os promotores desta perfídia paguem o devido preço pelas suas atitudes.
Não consigo entender como pretendem apresentar os terroristas que hoje estão no governo como vítimas, acho que este tiro pode acabar saidni pela culatra e explodindo as fuças dos patrocinadores desta palhaçada.
No que diz respeito a mim e minha família, estaremos fazendo nossa parte esclarecendo para os mais novos o que de fato se passou naquela época, quem patrocinou, quem participou e quais crimes cometeu.
Gostaria de saber mais sobre a morte de Mario Kosel Filho num atentado covarde e abominável.
Se for para falar a verdade, então que apontem o dedo para essa cambada de terroristas e traíras que, depois de tudo que fizeram matando, roubando, sequestrando e fazendo justiçamentos encontram-se desgraçadamente nos dias de hoje saqueando, pilhando e destruindo o Erário.
O verdadeiro lugar dos promotores desta comissão é na cadeia.
Sds