terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma Lição contra a corrupção

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Francisco Torres de Melo

Doutor Juiz Emérito Edmo Magalhães Carneiro, quanta honra em recebê-lo em minha casa. Ouvi com toda atenção suas palavras sábias e, de vez enquanto, com um pouco de revolta. Aprendi muito e fui me debruçar no seu Livro, não só para aprender, mas, principalmente, para sentir sua revolta contra um mundo em que viveu e vive.

De logo vi e comungo de suas idéias. Para mim o sustentáculo de uma sociedade se assenta no PODER JUDICIÁRIO. Se a nossa Constituição procura garantir a independência dos PODERES, a realidade em que vivemos mostra a superioridade do Poder Executivo, e quando há uma crise moral aí temos o domínio deste Poder e a submissão total dos outros dois. Estamos vivemos este momento.

Parece-me que o livro do juiz Elmo é uma pregação de mudança quase total do nosso Sistema Judiciário. Estou de acordo, mas não vejo possibilidade, prezado amigo, de isso acontecer por razão muito simples: Quando a sociedade se corrompe torna-se incapaz de realizar mudanças. Faz remendos para beneficiar os que já gozam do Poder e não para O BEM COMUM.

O amigo fala do artigo 5º da CF. É uma fantasia que revolta. Preto tem mais direito que branco. Congressista só pode ser julgado pelo STF e agora todo mundo solto, para aliviar as cadeias. Para começar na magistratura só por concurso de provas e títulos e Ministro do STF basta ser queridinho do Presidente e contar com o apoio do Senado; que não existe. Reprovado três vezes para juiz em SP é título para ser Ministro do STF. Na sua página 42 o amigo é magistral: “o vigente sistema é deveras anacrônico e prejudicial à classe dos magistrados de carreira”. Já concordei com o amigo acima.

Na página 47 encontramos a magistral afirmativa: “O Poder Judiciário de um país democrático, visto como fator de equilíbrio e segurança da cidadania, deveria manter-se altaneiro, independente e arredio a qualquer matriz de interferência política na composição de seus diversos quadros, desde o primeiro até o seu último grau de jurisdição.” Que tristeza? Que falta de liberdade de nossos juízes. Vivem no caminho do carreirismo, bajulando, ajoelhando-se, pedindo e perdendo a sua mais nobre qualidade de juiz: A INDEPENDÊNCIA MORAL. Quando falta a ÉTICA o resto tudo é possível.

Seu livro é uma aula para os novos advogados que estão sendo educados na lei de Gerson. É o que me falam os jovens com quem converso. Uma tristeza. Quando se tem em mão um livro como o seu se cria alma nova, mas como podemos influir numa sociedade corrupta e que aceita a mentira como sistema de defesa? Quando na página 144 o amigo afirma: “ a corrupção começa embaixo” peço desculpas para discordar. Ele vem de cima. Falta o exemplo dos chefes, dos superiores. Se o Ministro não se comporta bem o juiz fará coisa pior. No meu Exército o exemplo é do chefe e não do subordinado. “Não há lei que resolva isso. É FALTA DE CARÁRTER”. Está palavra se encontra fora de moda.

Comentar o nosso sistema eleitoral é perca de tempo. Faz nojo e julgo que nada irá mudar enquanto não aparecer um sistema de força. Parece que tudo é válido até se matar como exemplos conhecidos nos dias atuais. É uma tristeza.

Meu prezado Dr. Edmo. Que prazer ao ler seu livro. Irei passá-lo para minha filha juíza. O senhor sonhou e eu também sonho com um País dirigido por pessoas dignas. A mediocridade, a corrupção, a falta de caráter e o cinismo vão destruindo o nosso Brasil.

Não sei se fui feliz em comentar seu ótimo livro. Deveria ser uma obra de cabeceira para que a Justiça fosse cega.

Muito obrigado. Hoje irei comentá-lo no GRUPO GUARARAPES.

Francisco Torres de Melo, Presidente do Grupo Guararapes, é General de Divisão Reformado do EB.

Nenhum comentário: