domingo, 4 de dezembro de 2011

Por trás da justa queda de Lupi

"Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca".
DARCY RIBEIRO

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Pedro Porfírio

Guardadas as proporções históricas e as naturezas dos cargos, vejo nessa enxurrada de balas disparadas para forçar a presidente Dilma a demitir o ministro Carlos Lupi o retrato sem retoque daquela insidiosa campanha patrocinada pela embaixada norte-americana que levou ao suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Perdoe-me a comparação, mas o ritual é o mesmo: hoje já não se fala nem nos contratos com as ONGs, assinados geralmente através de governos locais. Essa não pegou. Aí passaram a vasculhar até se ele fazia xixi na cama já grandinho. De algum lugar, precisa sair qualquer coisa que leve à sua demissão.

Sua queda é a encomenda mais cara já feita pelas elites, porque ele, que nunca foi de confrontos, que deu mole em muitos conflitos trabalhistas aceitando que outros exercessem as faculdades de um Ministro do Trabalho, resolveu levar adiante a implantação do PONTO ELETRÔNICO, medida que exporia não apenas o desrespeito atávico aos direitos dos trabalhadores, mas revelaria igualmente o turbilhão de sonegações de um patronato que deita e rola, vive se queixando de altos impostos, mas contrata os melhores contadores e os mais caros escritórios de advocacia para sonegar suas contribuições obrigatórias, isso sem falar na velha prática de distribuir propinas através do "Caixa 2".

Porque a sua demissão não é apenas uma questão de honra de uma mídia entre facciosa e vaidosa, que não se deixa por vencida quando quer reafirmar sua pretensa condição de PODER PARALELO.

Sobre isso, expressou-se com paixão ideológica um funcionário de carreira de Furnas, que, não obstante sua antiga militância no PDT (ao ponto de não acompanhar o irmão quando este, vereador, se viu na contingência de acompanhar seu grupo indo para outro partido) jamais foi chamado para um cargo de chefia por indicação partidária.

Escreveu-me Rudenilson Andrade, um cara muito íntegro, cujas atitudes desassombradas me faz seu admirador:

"Eu tenho nojo de corrupção Pública e Privada assim com qualquer tipo de Ditadura, mas tenho acompanhado atentamente esse processo e só entram nessa os tolos ou falsos tolos.

O grande embate que se está travando neste momento é uma encarniçada Luta de Classes e como disse o velho Marx a Luta de Classes é multifacetada, então vamos aos fatos bem sintéticos que é a forma que eu mais gosto.

Quando Lupi deseja e não é de agora implantar o Ponto Eletrônico com a emissão de comprovante nas mãos do trabalhador e as empresas terem que enviar o movimento eletrônico através de dados para o Ministério do Trabalho a burguesia começou a se rebelar via as suas Confederações e Federações Industriais e Comerciais, porque por esse processo a Classe Operária via Ministério do Trabalho começaria a ter o controle da sua Mais Valia, seja ela Absoluta ou Relativa.

Descobriu-se, também que as empresas pagam as horas extras, porem não recolhem o pagamento do FGTS e INSS aos Cofres Públicos referente às essas mesmas horas extras. Hoje o cálculo de aposentadoria do trabalhador pelo INSS não é mais feito pela média dos seus últimos 36 meses de contribuição e sim se pega de 1994 até a presente data e separa 80% das maiores contribuições, deste período, para fazer a média e calcular o seu Salário de Benefício. Com toda certeza aquele trabalhador que durante o(s) ano(s) vem fazendo hora extra será roubado no valor do seu salário de aposentadoria do INSS, pois o não recolhimento para o INSS do valor sobre as horas extras dele não ficara registrado no banco de dados do INSS de onde é extraído, volto a dizer de 1994 até a presente data os valores para calcular a sua aposentadoria. Assim sendo, escolham os seus lados cavaleiros porque o meu eu já escolhi há muito tempo, não quero chegar a essa altura da minha vida como um Renegado Kaustsky".

Lembro-me quando do golpe militar de 1964, financiado pelos trustes internacionais o genial Darcy Ribeiro, que ainda tentava resistir, desabafou: "O presidente João Goulart está caindo por suas qualidades e não pelos seus erros".

A história está inflacionada de situações semelhantes, geralmente deturpadas. Porque ela é escrita pelos vencedores e pelos monopólios da inf ormação. Mas todo mundo sabe, até um foca reles, que muita gente que se esconde à sombra nunca engoliu a nomeação de Lupi para o Ministério do Trabalho, que implicou na retirada dessa pasta do controle do Partido dos Trabalhadores, com o deslocamento de Luiz Marinho, ex-presidente da CUT para a Previdência Social, porque conselheiros de Lula temiam que o PDT não desse continuidade à punga que até hoje torna infernal a vida de aposentados e pensionistas.

Lupi errou, sim, ao aceitar o Ministério sem condições de imprimir as premissas do brizolismo em suas políticas, sentindo-se fraco para compor sua própria equipe, com o que desprezou contribuições de correligionários preparados e íntegros, inclusive alguns de marcante atuação sindical, levando-os a engrossar uma dissidência que hoje é alimentada por amarguras pessoais.

Mas, em compensação, com sua personalidade flexível, foi o principal responsável pela sobrevivência do seu partido depois da mor te de Brizola. E a visibilidade que ganhou com um cargo no primeiro escalão do governo foi dedicada à costura de alianças pragmáticas, sem as quais o partido teria sucumbido de vez, tal a sua composição heterogênea, hoje muito distante das bandeiras brizolistas por conta de erros cometidos inclusive pelo caudilho, diga-se com honestidade e coragem.

A presidente Dilma sabe de toda essa trama de cor e salteado. Sabe que está sendo minada e perdendo a autoridade na hora em que vai cedendo às pressões da direita, representada por políticos galhofeiros, como o herdeiro de ACM e o tucanato insaciavel, e de uma mídia cujo manual de redação principia no informe do seu passivo financeiro.

A fritura de Lupi passa, principalmente, por esse insólito modelo de gestão do país, no qual a Praça dos Três Poderes poderia ser enxertada de mais um pilar - a mídia que hoje desempenha o mesmo papel das Forças Armadas no passado, desde quando um manifesto de coronéis, em 1953, levou à queda de João Goulart, o melhor ministro do Trabalho da história do Brasil, porque ele conseguiu convencer Getúlio a reajustar em 100%, o salário mínimo, que o general Dutra congelara por 4 anos.

O país, hoje, 3 de dezembro de 2011, espera o desenlace montado e urdido pelos mesmos entreguistas que se dedicaram à mais rendosa corrupção, com as privatizações-doações que o governo do PT também não teve peito de reverter, como aconteceu em muitos casos na Argentina, por conta de um acordo de governabilidade.

Se a trama tiver o epílogo funesto, com a queda de mais um ministro, como já disse antes, Dilma que se cuide: seu governo é o grande alvo dos derrotados nas urnas. Eles só não são mais frontais porque a crise bate à porta e eles esperam que a presidente derrape, como refém das maltas mesquinhas que dão as cartas no Planalto.

Pedro Porfírio é Escritor, Jornalista e Teatrólogo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Honestamente, senti vergonha de ler um texto desses.