terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lições a levar em conta

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Osmar José de Barros Ribeiro

Atribuem a Bismarck, o Chanceler de Ferro, haver afirmado que só os tolos aprendem à sua própria custa; eu sempre preferi aprender a custa da experiência alheia. Sendo ou não verdadeira, trata-se de uma assertiva por demais óbvia e, louvando-nos nela, podemos afirmar que nossos políticos, tanto os governistas quanto os da oposição conformam, na melhor das hipóteses, uma plêiade de tolos e, na pior, um conjunto de irresponsáveis, para os quais as lições dos fatos pouco ou nada representam.

Desde que a demagógica Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, que institui salário único para as Polícias Militares deixou de ser votada na Câmara dos Deputados, era por demais óbvio que, como conseqüência, aconteceriam atos de protesto por parte dos indisciplinados.

Nos dois primeiros meses do corrente ano de 2012, eclodiram dois movimentos “grevistas”, um em janeiro, no Ceará e outro, em fevereiro, na Bahia, levando o governo Federal a empregar efetivos na manutenção da ordem pública, correndo o risco de enfrentamento com os amotinados. Sim, amotinados, pois não é admissível, seja pela razão que for, que efetivos militarizados, dispondo de armas e equipamentos bélicos, insurjam-se contra a autoridade à qual estão subordinados.

O sistemático emprego do Exército em Operações Policiais (vide o Complexo do Alemão no Rio de Janeiro
) e de Segurança Pública em diferentes Estados da Federação quando da ocorrência de motins policiais, não só revela a incompetência dos governos locais para manter a ordem, como a disciplina frouxa que impera em suas polícias.

De toda sorte, quando caberia uma Intervenção Federal ou a decretação do Estado de Defesa, apela-se para uma política de panos quentes, revelando que o Executivo Federal também carece de coragem. E o Exército, até hoje uma Instituição respeitada e considerada pelo povo, sofre com tal desvio de missão ao qual é submetido e vê serem criados antagonismos desnecessários naquelas áreas onde, por tortas interpretações constitucionais, é levado a atuar.

Marcos Coimbra, em artigo datado do dia de 7 de fevereiro do ano em curso (Esquizofrenia Geral, publicado em www.brasilsoberano.com.br), muito acertadamente assinala que Exército não é polícia! Afinal, para que criaram a pomposa “força nacional de segurança”? Ontem o Ceará. Hoje o motim da Bahia. E o pior. Um dos líderes da atual rebelião afirma que em 2001 a greve teria sido apoiada e financiada por membros petistas, inclusive pelo atual governador, que chamou o Exército. ... Quando houver conflito com mortes, o que acontecerá? Quem é o responsável?

Hoje, com ou sem o auxílio da União, prejudicando ou não a saúde e a educação dos seus habitantes, os Estados estão reajustando ou se preparando para fazê-lo, os vencimentos das suas Polícias, tanto a Civil quanto a Militar.

Enquanto isso, a Arma cujos efetivos são os mais diretamente empenhados no controle de amotinados, vive um perigoso sucateamento; os proventos dos seus integrantes estão abaixo da crítica, seja qual for o parâmetro utilizado na comparação com outras carreiras do Executivo Federal e mesmo de alguns estaduais; cresce o nível de evasão dos seus quadros mais capacitados e aumenta o desinteresse pela profissão das armas.

Os nossos atuais dirigentes, em sua esmagadora maioria egressos da vida sindical, por certo desconhecem o afirmado pelo Barão do Rio Branco, de que Os povos que desdenham as virtudes militares e não se preparam para eficaz defesa do seu território, dos seus direitos e de sua honra, expõem-se às investidas dos mais fortes e aos danos e humilhação conseqüentes da derrota. Ou será que eles preferem aprender à sua própria custa, levando-nos de cambulhada na sua ignorância?

Osmar José de Barros Ribeiro é Tenente Coronel na Reserva do EB.

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