quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Repercussão do Caso Gonçalves Dias

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Durval Carneiro Neto

Senhor TC Péricles da Cunha, com o devido respeito, a sua simplória compreensão da lei como uma “parede inflexível”, tal como exposta no item 1 da sua mensagem, não condiz com a interpretação extensiva que fez do meu artigo, que foi muito além do sentido literal do texto. Mas não vou aqui discutir hermenêutica com o senhor.

Sobre eu ser “mal intencionado” ao “tentar induzir a opinião pública”, eu poderia atribuir-lhe a mesma pecha diante do seu texto. Mas também não pretendo discutir ideologia política com o senhor, até porque os nossos pontos de discordância parecem ser pequenos.

Se o senhor admira o EB, estamos do mesmo lado.

Fui aluno do Colégio Militar e da EsPCEx. Fui examinador do concurso da EsAEx e sou conferencista na ADESG. Sou filho, neto e bisneto de militares, tanto do Exército, quanto da PM. O meu bisavô foi General e professor na antiga Academia Militar do Realengo. Então, creio que tenho algum conhecimento de causa para falar sobre as virtudes que considero num bom militar. Se não são as mesmas que o senhor considera, respeito. Mas creio que eu mereça o mesmo respeito.

Não se arvore em dono da verdade, nem tente desqualificar os que pensam diferente, como se a sua verdade fosse reflexo puro dos valores morais que se aprendem na AMAN. Muitos grandes militares tiveram a mesma formação que o senhor e pensaram diferente, ainda que forjados sob os mesmos valores. O Exército nunca foi “um só” como o senhor diz, pois são os homens que moldam as instituições e não o contrário. Por isso as instituições mudam e por vezes evoluem, sem perder a essência que lhes dá identidade.

Sobre a brutalidade nos militares do passado, eu não concordei com isso no meu texto, e a sua interpretação está igualmente equivocada nesse ponto. Meu avô era Coronel na revolução, meu pai Tenente. Conheço bem a história e os exageros retóricos da esquerda. Referi-me à incoerência dos políticos que assim diziam, mas hoje, no poder, esquecem o que defendiam. Se estavam certos ou errados, são hipócritas, pois deviam ao menos ter humildade para dizer se e porque mudaram de idéia.

Quanto ao General Gonçalves Dias, reitero o que disse ao defendê-lo. O gesto dele foi explorado fora de contexto e com uma dimensão desproporcional ao episódio. Na minha opinião, evitou um banho de sangue. Não conheço bem o General, mas sei que se trata de um militar com carreira brilhante, que merece o nosso respeito.

A comparação com Caxias foi naturalmente “mutatis mutandis”, apenas para mostrar que o próprio Patrono do Exército foi alvo de algumas críticas pelo Governo a que serviu.

Durval Carneiro Neto é Juiz Federal e Professor de Direito na UFBA.

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