quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Último suspiro grego

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Reginaldo Gonçalves

A moratória da Grécia já foi assumida, apesar dos países da zona do euro continuarem tentando resgatar o país através do acordo firmado em Bruxelas, que aprovou, a toque de caixa, um empréstimo de 130 bilhões de euros até 2014 para rolagem de suas dívidas. É fato que somente este tipo de ajuda não acarretará uma melhoria do PIB do país e nem um fortalecimento das finançaspara, assim, gerar sustentabilidade econômica.

Os bancos privados foram, de certa forma, forçados a rever a dívida dos títulos gregos, o que gerou uma redução de 53,5% do valor nominal e perdas reais de 74%. Com todas essas ajudas, espera-se que a participação das dívidas no PIB caia de 160% para 120,5 % até 2020.

Para que fosse aceito o segundo empréstimo, exigiu-se de Atenas que cedesse parte de sua soberania, por conta da supervisão permanente chamada "troika" (trio formado por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). Mesmo diante dessa situação, a agência de risco Fitch cortou os ratings de longo prazo, reconhecendo que a possibilidade de um calote é grande.

Os países que formam a zona do euro, principalmente em virtude da manutenção do euro como moeda forte e de um bloco fortalecido, pagam muito caro e, com isso, sacrificam vários países da região, colaborando com um endividamento que não foi causado pelo seu país. Assim, passam a sacrificar todos os membros por conta de sucessivos erros que aconteceram e que envolvem países que não deveriam participar do grupo e que poderão levar ao fracasso todo o sistema, como a própria Grécia, Portugal, Espanha e Itália.

Não adianta fomentar empréstimo para países que estão altamente endividados e que ainda acreditam que podem ter os mesmos privilégios. A Grécia vive hoje como um hospedeiro, tirando sangue de outros que não tem nada a ver com a falta de controle econômico, gestão política complexa, descontrole dos gastos públicos e falta de uma política de estímulo à empregabilidade.

Talvez a melhor alternativa seria a não aprovação do empréstimo e a retirada da Grécia da zona do euro, o que permitiria, embora em situação de moratória, uma maturidade maior com a população colaborando com os programas de recuperação politica e econômica. A luz no fim do túnel somente existirá se houver uma mudança cultural.

Continuar com a ajuda eterna à Grécia prejudicará a democracia na região e levará a uma crise sem precedentes. Às vezes, somente medidas radicais criam o ambiente propício para que governo e população se unam e lutem para gerir melhor a crise.

Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina.

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