quinta-feira, 26 de abril de 2012

A entrevista da Presidente

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Gilberto Barbosa de Figueiredo

Implicância, com certeza não tenho. Talvez por excesso de credibilidade, talvez por ingenuidade, mesmo, tendo a acreditar em uma mudança da presidente. Aceito que, enfim, possa ter se convencido de que aquilo pelo qual foi seduzida no passado não existe mais. Possa ter, com a maturidade, aderido mesmo à democracia, como não se cansa de proclamar.

Possa ter enxergado a crueldade contida nas propostas pelas quais lutou de armas na mão, participando, direta ou indiretamente, da consecução de alguns crimes graves. Afinal, conhecemos exemplos, não tão raros, de terroristas de ontem que, hoje, combatem – com argumentos, não mais com armas – ao lado da democracia e contra os desmandos do petismo.

Alguns esparsos sinais nesse sentido têm sido emitidos, lá dos lados do Planalto. Cito alguns: a carta aos militares, redigida enquanto ainda era candidata; o discurso de posse, quando reafirmou sua crença nos princípios democráticos e manifestou a intenção de governar para todos os brasileiros; algumas iniciativas contra a corrupção, contrariando interesses, fortes muitas vezes, de seu próprio partido.

É bem verdade que gestos emitidos em sentido contrário também existem, como as repetidas manifestações da ministra dos direitos humanos contra uma decisão do STF, sem qualquer contestação das autoridades do Planalto. Mas não podemos nos esquecer de que a presidente, essa sim, luta contra uma herança verdadeiramente maldita, deixada por Lula, limitando sua atuação na condução da política e da economia, além de ter condicionado a escolha do imenso ministério, com os resultados que conhecemos.

Agora, nos deparamos com a entrevista concedida à revista Veja. A entrevista, em si, encerra um largo conjunto de boas intenções. Quero considerá-la como mais um sinal dos positivos, mesmo sabendo que será muito difícil transportar esses bons intentos para a prática. De qualquer forma, é alentador ver a primeira mandatária condenar o fisiologismo e afirmar: “não gosto desse negócio de toma lá da cá.”

Anima, também, verificar que está preocupada com a carga tributária brasileira e com seus reflexos no ambiente dos negócios privados. “Temos de baixar nossa carga de impostos. E vamos baixá-la”, declarou enfaticamente. Reservou, ainda, algumas palavras para o combate à corrupção, mas, nesse ponto, preferiu não ser tão clara, saindo na tangente, com afirmações conceituais.

Com certeza, não será nada fácil mesmo, considerando o atual ambiente político, ver a presidente praticar aquilo que pregou. Dois grandes obstáculos estão interpostos entre a intenção declarada e a realidade: o fisiologismo incrustado na base aliada, uma lógica perversa do chamado presidencialismo de coalizão e os conselhos de Lula, notório cultivador da mentira governamental e do conchavo político.

Gilberto Barbosa de Figueiredo é General de Exército, antigo membro do Alto Comando do Exército e ex-presidente do Clube Militar.

2 comentários:

Cláudio disse...

Boa noite:
Tendo esperança na presidente a esta altura. Ainda sendo militar...
É o Brasil não tem mais conserto.
Quando o militar passa a acreditar na chapéuzinho vermelho.
Já era.

Cláudio disse...

Boa noite:
Tendo esperança na presidente a esta altura. Ainda sendo militar...
É o Brasil não tem mais conserto.
Quando o militar passa a acreditar na chapéuzinho vermelho.
Já era.