quarta-feira, 11 de abril de 2012

O “Terrorismo Filantrópico”

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Valmir Fonseca

Aos poucos, incute - se na cabeça das pessoas que crime nem sempre é crime. Depende da motivação.

Se um “cidadão” resolve assaltar você para ter um padrão de vida melhor, um bom tênis, uma vistosa calça, uma dose de crack, evidentemente, será em prol de uma justa reivindicação.

É provável que se você raciocinar “politicamente correto”, não irá escorraçar o pobre diabo, que nada mais fez do que buscar a sua parte, aquela que você, indevidamente, surrupiou dele.

E, não se esqueça, que se todos são iguais perante Deus, e você tem e ele não; perdoa, e se redima, divida. Se você não tem a grandeza de perdoar, nem de dividir, o desgoverno fará a sua parte.

Aqueles que o desgoverno julgou agentes de propósitos sociais e reivindicatórios, não só os perdoou como indenizou. Agora, está atrás dos que procuraram reprimí - los, considerados “um bando sem causa justa” e, portanto, uns escrotos torturadores.

O mesmo raciocínio poderá ser feito, em diversas circunstancias, inclusive, no terrorismo, que pode ter duas facetas, a “bestialógica”, e a ideológica, ou sacrossanta.

Assim, debruçaram - se nestas reflexões, os membros da Comissão de Juristas definida pelo Senado Federal para avaliar e propor mudanças no Código Penal, e que assolados em suas consciências pela distribuição equânime da justiça aprofundaram - se no âmago humano, e aprovaram a inclusão do terrorismo no Código.

Até aí “morreu Neves”.

O espantoso é que os nobres juristas propuseram que haverá o terrorismo bom, “por propósitos sociais e reivindicatórios”, e o mau.

Sim, tudo depende. Se em nome de Alá, embasado em justificadas crenças, trazendo o agente da ação a pureza de realizar seu ato por uma causa divina, que está muito além de meros propósitos sociais ou reivindicatórios, a matança de uma ou centenas de pessoas, não pode ser vista como um crime.

A crença, a certeza e a lealdade são, no espírito de alguns de nossos pensadores, a justificativa para qualquer ato, inclusive o de terrorismo, desde que por uma boa causa.

Não se justificará o psicopata, o beócio “serial killer”, mas, portador o agente de uma reivindicação considerada de cunho social ou ideológico, eis a relevância que poderá beneficiar, não o vulgar “terrorista”, mas o esforçado “justiceiro”.

Da mesma forma, se os que lutaram contra a repressão, seja para derrubar um governo autoritário, seja para implantar aqui um governo marxista - leninista, a motivação pouco importa.

É relevante para os juristas que eles roubaram, mataram, seqüestraram e aterrorizaram “por uma causa”, e tal propósito deverá ser o suficiente para justificar qualquer coisa (como a esdrúxula existência de dois tipos de terrorismo), afinal os seus agentes foram os instrumentos de princípios defendidos até as ultimas conseqüências, não importando os outros, que foram feridos, mortos, esquartejados e aterrorizados.

É, estamos numa encruzilhada moral, ou melhor, imoral, a ponto de justificar qualquer coisa, afinal este é o nosso “jeitinho frouxo e cretino de ser”.

É o PNDH3 em marcha, pronto para considerar que a invasão de sua terra pelo MST, não é crime e, sim, um “movimento social e reivindicatório”.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, General de Brigada Reformado, é Presidente do Ternuma.

3 comentários:

Anônimo disse...

Deixe estar. Assim teremos uma otima justificativa para mandar alguns avioes abalroarem aqueles 2 prediozinhos la em Brasilia, justo quando a casa estiver lotada de parlamentares...

Sandra Sabella, São Paulo disse...

Caro Senhor Valmir Fonseca Azevedo Pereira,

Concordando com suas palavras, aponto dois textos recentes de um português chamado Orlando Braga, nos quais NÓS entendemos de que cabeças surgiu essa insanidade que vige em todo canto seduzindo jovens e desavisados.

Destaco: "O voto de pobreza radical dos franciscanos levantou um problema ético: como é que se pode conciliar os votos radicais de pobreza com o facto de o franciscano ser um ser humano e necessitar de fazer uso das coisas materiais? Afinal, até um franciscano radical tem direito, por exemplo, a livros — que custam dinheiro — para ler e para se instruir; e como dizia Jesus Cristo, “nem só de pão vive o Homem”.

Ockham resolveu hipocritamente este problema ético mediante o conceito de ius poli, em contraponto ao conceito de ius fori [direito positivo]. É neste ponto que os franciscanos se afastam radicalmente da ética de S. Tomás de Aquino. Através do conceito de ius poli, Ockham transformou o direito positivo em direito subjectivo — que é, no fundo, o que passou a vigorar na modernidade a partir de Rousseau."

http://espectivas.wordpress.com/2012/04/03/os-fantasmas-de-rousseau-2/

http://espectivas.wordpress.com/2012/04/04/os-fantasmas-de-rousseau-3/#more-42030

Anônimo disse...

Esta história de sem terra e índio no Brasil já passou dos limites faz tempo.