sábado, 26 de maio de 2012

E agora,como ficará a produção industrial?

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net

Por Ricardo Martins

Não é de hoje que a indústria brasileira padece de diversas enfermidades que põe em risco sua saúde. Seja pela a cobrança elevada dos juros, seja pela alta carga tributária ou pela perda de competitividade devido aos benefícios fiscais aos produtos importados, a sobrevivência fica cada vez mais difícil. Mais do que nas grandes indústrias, todos estes males atingem com maior vigor as pequenas e médias indústrias que são sempre mais suscetíveis aos seus efeitos, quer seja pela falta de recursos ou mesmo pela falta de apoio governamental que sempre dirige suas ações de apoio às indústrias de grande porte.

Com isso fica comprometida a produção industrial brasileira que vem diminuindo nos últimos meses. Para se ter uma ideia, só no primeiro trimestre deste ano a atividade nas fábricas encolheu em 3% em comparação a 2011. Os setores de veículos automotivos (-20,4%); vestuários e acessórios (-14,1%); equipamentos de comunicação (-13,1%), computadores (-12,7), motores elétricos (-12,1) foram os mais prejudicados conforme levantamento do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Uma das consequências deste cenário é que a indústria está reduzindo a sua participação no PIB – Produto Interno Bruto, para se ter uma ideia a indústria representava 27% em 1985 e hoje não passa de meros 14,6%. Estes dados reforçam a ideia de que enfrentamos um processo de desindustrialização.

A recente aprovação da Resolução 72 pelo Senado brasileiro, que unifica a alíquota do ICMS interestadual em 4%, trouxe um alento aos malefícios causados por uma das mais graves distorções do caótico sistema tributário nacional, a concessão de incentivos a empresas que importavam produtos com incentivos fiscais que não são dados aos produzidos aqui. A medida entra em vigor apenas em janeiro de 2013, até lá continua a prática desta escabrosa distorção tributária.

Porém ainda falta muito para que se encontre um remédio para o mal da burocracia tributária mais complexa do planeta. A cada hora, cinco novas regras tributárias chegam à contabilidade de nossas empresas. Estudos da FIESP e do CIESP mostram que nossas empresas gastam 20 bilhões por ano só com a burocracia do sistema tributário. Sem falar nos impostos que hoje consomem de 40 a 45% do nosso faturamento.

Tudo isso faz com que cada vez mais se veja reduzido o entusiasmo necessário a todo empreendedor e a coragem de investir pelas incertezas e dificuldades que já sabemos que vamos enfrentar. É sentir que se luta sozinho, contra tudo e contra todos.

A nossa luta contra a desindustrialização vai continuar e para isso precisa uma articulação política eficiente, que comece pela escolha correta daqueles que vão nos representar no Legislativo e no Executivo. Também requer uma cobrança sistemática de ações que representem nossas aspirações por isso a nossa batalha não termina aqui porque o nosso papel é defender a indústria brasileira.

Ricardo Martins é diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) - Distrital Leste (www.ciespleste.com.br) e diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP. Também é vice-presidente do SICETEL - Sindicato Nacional das Indústrias de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos. E-mail: linkciespleste@gmail.com

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

“A nossa luta contra a desindustrialização vai continuar e para isso precisa uma articulação política eficiente, que comece pela escolha correta daqueles que vão nos representar no Legislativo e no Executivo”.

O sr. acredita realmente que nosso sistema político permita reverter essa situação ? Escolha correta daqueles que vão nos representar ? Caro Ricardo, nós não escolhemos ninguém para nos representar; quem escolhe são os donos dos partidos políticos. Nós só referendamos os menos piores, ou aqueles que achamos que eventualmente podem defender os interesses de uma categoria. Mesmo assim, esses eleitos defendem primeiro quem os colocou lá, leia-se Dilma em relação à Lulla, e se sobrar tempo e disposição dos seus comandados, algum dia vão dar uma olhada naquilo que deveria ser obrigação.
Ou o Sr. escolheu um tal de Haddad para ser candidato à prefeito de SP ? Se eleito, em primeiro lugar virão os interesses do PT e em último lugar os interesses das indústrias, se lá chegar algum dia o debate.

http://capitalismo-social.blogspot.com/2011/12/9-empresas-sociais.html