domingo, 27 de maio de 2012

NÃO CHOREM POR MIM...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Valmir Fonseca

Cabisbaixo, lá ia o antigo defensor da lei e da ordem.

Era pobre, tinha família, mulher e filhos, coitados com curto dinheiro, muitos dias e muitas noites sem o marido e sem o pai.

Ossos do ofício, juramentos de lealdade, de amor à Nação.

Quantos dias e quantas noites, uma lida dura para coibir assaltos, atentados, seqüestros, isto sem conhecer os bandidos.

Cumprira com sacrifício todas as missões e, seguindo o seu caminho, por orgulho, atreveu - se a levantar um pouco o queixo.

Sim, foi dureza, mas graças aos companheiros de lutas, no ardor das operações, apesar das perdas, em que pese as operações fracassadas, tivera sucesso em muitas e difíceis jornadas.

Com tais pensamentos, prosseguiu mais confiante.

E depois, ao término das lutas, com a vitória sobre a subversão, o reconhecimento, muitos abraços e elogios. Muitas loas ao seu trabalho e dos outros, que como ele haviam se subordinado às ordens superiores, com afinco, com determinação.

Sim, quantos subversivos prenderam? Quantas ações impediram? Quantos assaltos frustraram? Ninguém sabe e nunca saberá.

Alguns “guerrilheiros” (na realidade, sórdidos terroristas) de reconhecida importância na hierarquia do comunismo foram presos. E também outros, famosos pela crueldade e merecedores de um “tratamento especial”. Mas qual, a missão era entregá - los para um julgamento justo.

Depois, leria que o preso acusava – o de tortura. É duro, mas é a verdade.

Imerso em seus pensamentos segue o ex - agente. Agora com a fronte mais erguida, pois agiu com lealdade; portanto, nada do que se envergonhar.

Após anos de sacrifício, dispensado da missão retornou para o seu antigo dia –a –dia.

Finalmente, a merecida aposentadoria, uma pena que seguida do esquecimento, pois violentamente atacado pelos antigos subversivos, vira – se abandonado e esquecido pelos seus antigos chefes.

A sua velha e Impoluta instituição, nem sabia mais quem ele era.

O pobre teve uma breve recaída ao lembrar – se do abandono, e seu olhar voltou - se para o chão.

Porém, nos últimos sofridos anos, só com sua família e poucos amigos, fora capaz de suportar, com dificuldade, tantas virulências e ataques.

Nos derradeiros anos fora tomado por uma amargura indescritível, perseguido, enxovalhado, visto e acusado como o mais crápula dos homens.

Mas apesar de tudo, por ter resistido, voltou a levantar a cabeça, com orgulho pela sua capacidade de afrontar de pé e com honra tantas adversidades.

Eis de volta o antigo e honrado cidadão.

E assim, o intrépido ex - agente, orgulhoso do dever cumprido, foi em direção à armadilha preparada pela Comissão da Verdade.

Chegara diante do seu último sacrifício.

E como último pedido, bradou para os amigos, inimigos, carrascos, desinteressados, para todos enfim, “não chorem por mim”.

In extremis, apenas pensou, “mas cuidado, pois a sua vez ainda chegará”.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

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