sábado, 19 de maio de 2012

A Resenha Incompleta

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marco Felício

Lendo a Resenha do dia 12 de Maio do CCOMSex, encontrei inúmeros artigos que tratam da chamada “Comissão da Verdade”, artigos esses publicados em jornais de circulação nacional.

Surpreende a transcrição de artigo da jornalista Eliane Catanhêde, Colunista da Folha, que se arvora como porta voz dos militares quando afirma : “Militares aprovam escolhidos para a Comissão da Verdade.

Ex-advogada de Dilma foi a única a receber críticas. Ex-ministro que também defendeu perseguidos é poupado”.

Surpreende, enfatizo, pois, todos nós sabemos que a maioria dos militares não somente não aprovam a chamada “Comissão da Verdade”, como não aprovam os já indicados para constituí-la bem como, para nós, nada significa que a sua instalação seja referendada pelos ex-presidentes convocados para tal.

A não aprovação da Comissão e dos indicados tem origem no próprio texto da lei e nas declarações, publicadas na Mídia, não só de autoridades do governo como até mesmo dos já indicados, de juizes e de procuradores, em passado recente. Por elas, está claro que a “comissão” buscará de forma unilateral e sem a devida isenção, como prioridade primeira, o que chamam de ”verdade. Nada mais do que a busca da comprovação da “nova estória” que difundem e na qual se colocam como democratas e defensores da liberdade e dos direitos humanos quando, em verdade, no passado, desejavam a derrubada do governo e a instalação de uma ditadura do proletariado por meio da luta armada, usando do terrorismo, assassinatos, roubos, sequestros e justiçamentos. Como segunda prioridade, conseguido o clamor popular, pela execração dos agentes do Estado, com o apoio de entidade nacionais e internacionais, buscarão a punição dos militares que os combateram de armas na mão.

Aliás, a “isenção” dos membros da “comissão” está bem caracterizada pela entrevista ( O Globo de 11/5/2012) de um dos indicados para a “comissão”, o Sr. Paulo Sérgio Pinheiro, que declarou ver com bons olhos a atuação do “Levante”, os que usam o “escracho”, incluso utilizado para intimidar e agredir, fisica e moralmente, até com cusparadas no rosto, os militares da Reserva e reformados, frente ao Clube Militar, em 29 de Março, durante a comemoração do 31 de Março.

Quanto ao referendo dos ex-presidentes, nada significa, pois, o próprio partido hoje no governo, o PT, que os trata como aliados de ocasião, durante anos, os execrou perante a Nação, desmoralizando-os de todas as formas e maneiras possíveis.

Porém, o mais surpreendente é que os responsáveis pela resenha tenham ignorado artigo de um General de Exército que, no mesmo dia 12 de Maio, foi publicado em jornal de circulação nacional, o Estado de São Paulo, enfatizando o publicado em diversos outros artigos da lavra de militares, também jamais publicados em tais resenhas, mostrando, exatamente, opinião contrária à da reporter Eliane Catanhêde e propugnando a quebra do silêncio que mantêm os chefes militares acerca dos nefastos acontecimentos, dando a impressão de convalidá-los.

Diante das circunstâncias existentes, seria conveniente que nenhum militar se apresente à dita “Comissão da Verdade”, mesmo se convocado, pois, tal convocação não implica obrigação do militar comparecer. O não comparecimento evitará que o militar seja incriminado pelo que disser, seja execrado publicamente, desmoralizado, segundo ato de revanchismo explícito.

Quanto ao dever do militar colaborar com a “comissão”, há que se lembrar que os militares tem direitos e deveres, porém, estão eles prescritos nos respectivos Estatuto (lei 6880) e regulamentos militares, nada constando que se possa relacionar à obrigatoriedade de contribuir ou colaborar para com a dita “Comissão da Verdade”, a não ser que recebam ordem superior , originária do comando da Força, o que seria impensável por se tratar do rompimento de laços sagrados!

Marco Antonio Felicio da Silva é General na Reserva do EB.

Um comentário:

augusto disse...

Tudo nestepaiz tem que ficar com um pé atrás quando se trata de imprensa. Quando não é vendida é mal intencionada.