sábado, 21 de julho de 2012

Baixa Produtividade: razão do estancamento da indústria brasileira

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Castro

A economia brasileira diminui cada vez mais. Atualmente a taxa de investimento é de apenas 18,7% do PIB, com poupança interna de 15,7%. Dessa forma, com o período de janeiro/março, são três trimestres consecutivos em que a taxa de investimento diminuiu. A produção industrial mostra nos primeiros 5 meses do ano um virtual estancamento (+ 0,1%). Por isso, nos últimos 12 meses, a taxa de crescimento do PIB foi de 1,9% (2,7% em 2011).

O PIB industrial caiu 2,56% ao ano no primeiro trimestre e continuou assim o declínio de 3,06% registrado nos últimos três meses de 2011. Isso ocorreu apesar de o real ter se desvalorizado mais de 20% desde agosto do ano passado (R$ 1,564 / US$ 1 – R$ 1,983 / US$ 1), como resultado da fuga de capitais em busca de refúgio no Tesouro dos EUA. Isso parece mostrar que o valor da moeda não é o principal problema da indústria manufatureira brasileira.

O fraco desempenho da produção é também evidente na perda de participação no mercado interno frente a concorrência estrangeira. No ano passado, 100% do aumento no consumo de bens industriais foi coberto pela produção estrangeira. Era de 40% há dois anos. O aumento da demanda interna (+6% ao ano) não é acompanhado pelo aumento da produção industrial, mas pelo aumento das importações. O problema de fundo da indústria brasileira não é a valorização da moeda, mas o baixo nível de crescimento da produtividade (1,8% ao ano entre 2003 e 2010, e 1% ou menos agora). Isso ocorre quando a taxa de investimento é baixa e diminui, e o nível de poupança interna é claramente insuficiente.

A poupança doméstica foi no ano passado 16,9% do PIB (era de 21,2% em 1994) e o investimento aumentou para 19,3% (a diferença é o investimento estrangeiro / IDE). Assim, o potencial de crescimento está diminuindo (3% ao ano). A baixa produtividade é revelada em níveis cada vez mais elevados do "custo Brasil". A FIESP estima que a produção de uma tonelada de aço no Brasil requer aplicações de US$ 1,8 milhões; e na China, três vezes menos (US$ 550 mil), enquanto na Índia é metade (US$ 1 milhão). É mais barato comprar uma tonelada de aço na Coréia do Sul produzido com minério de ferro brasileiro, do que comprar no Brasil. A produtividade chinesa aumentou 4% ao ano nos últimos 10 anos, e no Brasil, 1,8%.

Jorge Castro é Articulista. Originalmente publicado no Clarin de 15 de Julho de 2012 e reproduzido pelo Ex-Blog de 20 de Julho de 2012.

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