domingo, 22 de julho de 2012

Em busca de Infelicidade ou o Triunfo da Má Vontade

Artigo no Alerta Total- www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

A lamentável historinha, que circula na internet, exprime bem a herança maldita deixada por Luiz Inácio Lula da Silva para a economia brasileira. O Sinditêxtil do Ceará fechou um acordo com o Governo para coordenar um curso de formação de costureiras. A União exigiu que o curso de de 120 horas/aula, dado pelo Senai, atendesse a um grupo de 500 mulheres que recebem o Bolsa Família. No final, como o setor tem carência de mão de obra, todas seriamcontratadas pelas indústrias.

A promessa não se cumpriu. Bem que as empresas têxteis quiseram aproveitar as profissionais mais bem qualificadas. Elas é que não aceitaram o emprego formal, com carteira assinada. Elas só aceitariam trabalhar se fosse na base da informalidade, recebendo o salário por fora. Apresentaram uma “razão” cínica e pragmática para preferir o “desemprego”. Não queriam abrir mão do valor do Bolsa Família. O triste é que tal história se repete nos principais grotões de pobreza do Brasil.

A historinha é mais uma faceta perversa do regime capimunista que vigora no Brasil em ritmo de desindustrialização e de improdutividade. Eis o triundo da má fé, do comodismo e da vagabundagem. Aquilo que deveria ser um programa de renda mínima - para alavancar a autoestima, o poder de compra e viabilizar a capacidade produtiva dos mais pobres – virou um mero programa eleitoreiro. Nos anos eleitorais – a cada 24 meses no Brasil -, os bolsa-alguma-coisa servem aos esquemas de perpetuação do poder governista. Todo na base clientelista do toma-lá-dá-cá.

Além de ferramentas de clientelismoe patrimonialismo estatal, os programas de renda mínima são hoje uma garantia de “estabilidade” política aos currputos esquemas no poder. A tão falada crise mundial terá seus efeitos muito atenuados por aqui pela informalidade econômica, pelas bolsas-voto e pelo grande colchão que o sistema financeiro ainda tem para garantir, mesmo a juros e taxas altas, uma grande margem de crédito para o consumismo, sem um risco de bolha de inadimplência no curto prazo.

Por isso, se depender da economia, se torna mínima ou menos provável qualquer chance desestabilização do governo. Ruptura só se for na base de alguma – também improvável - quartelada. A única chance – ainda pequena – de algo mudar é o governo brasileiro contrariar, brutalmente, os principais interesses da Oligarquia Financeira Transnacional que comanda o sistema globalitário. Ou se os Estados Unidos da América, na oculta briga para recuperar suasoberania perdida para a mesma Oligarquia, resolver investir em algum golpe para assegurar que o Brasil ficará do seu lado – e não dos globalitários.

Como todas as hipóteses de mudança são improváveis – a não ser por milagre -,o Brasil tende a seguir encenando sua novela de terror, cujo título poderia ser “Em Busca da Infelicidade”. Ou então poderia viabilizar o filme, também de terror, “O Triunfo da Má Vontade”. Afinal, a maioria dos atores por aqui prefere mudar nada.

Então, que surjam cada vez mais escândalos políticos, com muita corrupção, porque nenhum deles fica mais de duas semanas com repercussão na mídia, sendo logo superado pela ampla divulgação de uma nova maracutais que temo mesmo destino de resignação,esquecimento e impunidade.

O tão aguardado julgamento do mensalão será um bom exemplo de tal fenômeno de inércia dos brasileiros diante de tanta sacanagem e roubalheira. Nem adianta a ameaça do Roberto Jefferson, agora lutando para salvar sua vida contra um quase sempre fatal câncer de pâncreas, avisando que “se tentarem politizar esse julgamento, Lula vai pagar a conta”.

Vai nada! Se Lula conseguiu ficar de fora até agora, mesmo sendo o chefão do PT, em parceria com José Dirceu, não é agora que o STF vão criar problemas para um ex-Presidente da República também lutando contra os efeitos colaterais do tratamento de um violento câncer de laringe – que os médicos juram ter sido curado.

Imoral da História: o Governo do Crime Organizado sempre vence no Brasil, espalhando suas células cancerosas entre os podres poderes. E, de metástase em metástase, os brasileiros vão levando... Capimunismo é assim...

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Julho de 2012.

3 comentários:

Anônimo disse...

Serrão.
Esta historinha é antiga.deve ter uns sete ou oito anos que a historinha rola na net. Empregadas domésticas recusam registro em carteira, diaristas recusam-se a trabalhar tres ou mais dias para uma mesma pessoa, todas cinicamente detentoras da famigerada bolsa-família.
Certo estava ACM que inventou o Bolsa-Escola, condicionada à liberação com o boletim de frequ~encia do aluno...
O petismo acabou com o Brasil.
Vamos avacalhar? Vamos inventar Bolsa-Político-Não eleito... Tasdinho deles...

augusto disse...

O molusco só deixou herança maldita. Uma hora vai pagar por isso.

Anônimo disse...

Jorge

Aqui no Nordeste, ninguém ou quase ninguém com empregos informais quer a carteira assinada para poder assim continuar a receber Bolsa Familia e todo outro tipo de ajuda assistenial. Aliás, mais de 83% dos alagoanos, recebe algum tipo de ajuda asistencial.