terça-feira, 3 de julho de 2012

Impeachment biônico no Paraguai poderá prejudicar substancialmente sua população

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net  
Por Reginaldo Gonçalves

Como se viu em toda a mídia, Fernando Lugo foi deposto da Presidência da República do Paraguai, país com população estimada de 6,5 milhões (2011), PIB de aproximadamente US$ 33,31 bilhões (2010) e renda per capita de US$ 5,2 mil (2010). Em 2009, estimava-se que 18,8% da população paraguaia vivia em nível de pobreza, mas, desde 2007, vem melhorando o processo de inclusão socioeconômica. O endividamento externo gira em torno de US$ 2,45 bilhões. O impeachment do chefe de Estado, realizado em pouco mais de 24 horas, começa a apresentar consequências que poderão prejudicar a população. As medidas tomadas pelo Congresso Paraguaio em um movimento emergencial justifica o processo, que não está sendo considerado golpe de Estado, em virtude de atitudes efetuadas pelo então presidente, como: problema com os quartéis, autorização para reprimir invasões de terras, aumento da criminalidade e assinatura de um polêmico documento que poderá gerar problemas no fornecimento de energia.

As consequências de um julgamento expressamente rápido coloca em dúvidas as questões da soberania de seu povo. Não se tem conhecimento na história de tal fato e é de se estranhar tal posição e forma como o presidente foi destituído, sem condições de defesa. A situação chamou a atenção dos países vizinhos e alguns, como represália, já anunciaram a retirada de embaixadores. O governo venezuelano já ameaçou a retaliação imediata, com o bloqueio no envio de petróleo, o que poderá ter outras consequências para o país vizinho. O vice-presidente Frederico Franco assumiu a chefia de Estado e de governo, mas já se vê numasituação crítica, questionada pela própria população e tentando alinhavar com os países vizinhos uma forma de ajuda para que minimize os impactos negativos do impeachment.

Além dos problemas internos causados pelo impeachment, outras dificuldades surgiram. Poderá, inclusive, haver retaliações, censura pública, dificuldades em produzir e comercializar com outros países. Essa situação já é demonstrada pelos próprios participantes do Mercosul, que suspenderam a participação do Paraguai nas próximas reuniões comerciais. Na situação em que se encontra o Paraguai e para restabelecer a ordem política e econômica somente haverá uma saída democrática: uma nova eleição presidencial. Somente nesse caso é possível a volta do equilíbrio e o respeito à população. As medidas radicais só demonstram fraqueza dos governantes e seus aliados, que se vestem em pele de cordeiro e depois,como se fossem deuses, tomam atitudes que não têm respaldo dos seus próprios pares. Que isso sirva de aprendizado. É muito cedo ainda para identificar os problemas que surgirão, inclusive com as condições das fronteiras, aumento da incidência de roubos e prejuízos de natureza econômica. As condições de quem mora em fronteira será difícil e poderão haver chacinas por conta da grave crise interna.

Outra situação que demonstra falta de equilíbrio e responsabilidade é que o atual presidente busca alinhavar acordo com os países vizinhos e quer conversar com o presidente destituído. Isso suscita no mínimo dúvidas com relação à atuação do Congresso Paraguaio, que deve ter efetuado tal procedimento com apoio de países como os Estados Unidos. O que os Paraguaios não podem esquecer é que a situação atual do país em viver com dificuldades financeiras e não conseguir um equilíbriointerno deve-se ao financiamento da Guerra do Paraguai. O que é fundamental é que países vizinhos analisarão até que ponto o povo paraguaio apoia ou não a destituição do presidente Lugo, pois, se houver apoio popular, serão obrigados a aceitar a legitimidade do novo presidente Frederico Franco.

Reginaldo Gonçalves é coordenador de Ciências Contábeis da FASM (Faculdade Santa Marcelina).

3 comentários:

Anônimo disse...

Boa tarde Serrão,
Esse texto mais parece uma encomenda do FSP, em favor do bispo comedor de fiéis.
Tenho parentes no Paraguay e, pelo que sei, não há qualquer revolta da população em geral. Existe, apenas, algum movimento orquestrado pelos ditadores bolivarianos, que iniciou alguns dias depois do impeachment.
Seria interessante, data venia, o titular do blog filtrar os artigos que publica.....

Anônimo disse...

Este post ficava bem no link do PT ou do PC do B.

Ferra Mula disse...

Governador do Paraguai defende queima de bandeira brasileira
José Ledesma, governador eleito de San Pedro, diz que será 'implacável' com plantadores de soja do Brasil
Efe 16 de maio de 2008 | 18h 06
O governador eleito de San Pedro, José Ledesma, defendeu nesta sexta-feira, (16 de maio de 2008 )16, a queima de uma bandeira do Brasil no centro do Paraguai e afirmou que quando assumir o poder, em agosto, será "implacável" com os plantadores brasileiros de soja nesta região. Ledesma, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força política do país e principal aliado político do presidente eleito, o ex-bispo Fernando Lugo, disse em guarani que "é pior matar camponeses do que queimar um pedaço de pano."

Veja também:
Presidente eleito do Paraguai encontra futuros colegas em cúpula Na quinta, um grupo de camponeses da Coordinadora Productores Agrícolas San Pedro Norte (Coordenação de Produtores Agrícolas de San Pedro Norte, em tradução livre), liderada por Elvio Benítez, queimou uma bandeira brasileira durante um ato realizado por ocasião do Dia da Independência na colônia Curupayty, 350 quilômetros ao norte de Assunção.

Benítez, também próximo a Lugo, afirmou na ocasião que "milhares de hectares estão nas mãos destes estrangeiros (brasileiros) que traficam toras (de madeira), carvão e ultimamente envenenam toda a população." "É injusto que um brasileiro tenha 50 mil hectares de terra aqui no Paraguai e que os paraguaios não tenham um pedaço", declarou Ledesma, produtor de banana de San Pedro, região mais pobre do país e na qual Lugo foi bispo por uma década.

O governador eleito apoiou também o ato, considerado como o início da "segunda independência" por seus organizadores e no qual os estudantes usavam boinas ao estilo de Che Guevara e os camponeses facões no ombro como se fossem fuzis.

Ledesma afirmou que a partir de 16 de agosto, dia seguinte à posse de Lugo e das autoridades legislativas e regionais eleitas no pleito de 20 de abril, "vai ser implacável com os estrangeiros para que sejam respeitadas as leis nacionais."

A manifestação camponesa foi realizada nas proximidades de uma fazenda do produtor de soja brasileiro Ulisses Teixeira, dono de 35 mil hectares de terra.

Em San Pedro, nas últimas semanas, grupos de camponeses que respondem a Benítez se mobilizaram, assim como a Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), uma das mais radicais do setor e que acusa os produtores brasileiros de soja de fumigações indiscriminadas.

A MCNOC integra, ao lado de outros grupos sociais, sindicais, indígenas e de esquerda e nove partidos políticos, a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que levou Lugo ao poder e deu fim à 61 anos de hegemonia do Partido Colorado.

Ledesma explicou que não deseja que os brasileiros "vão embora do Paraguai", mas que se adequem "às leis vigentes" e reafirmou que, a partir de agosto, vai "exigir que o paraguaio recupere a dignidade e seja respeitado." "É preciso recuperar a terra e entregar aos paraguaios. Os brasileiros vêm e têm de tudo, te mandam matar. Quantos paraguaios já morreram por se aproximarem de uma propriedade de brasileiros", concluiu Ledesma.

ESTADÃO.COM.BR