sábado, 21 de julho de 2012

Miragens de Futuro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net 
Por Maynard Marques de Santa Rosa

Prosseguiremos com os projetos prioritários de aparelhamento das Forças, sem deixar de valorizar os homens e as mulheres que tornam esses projetos possíveis. (…) O país com o qual sonhamos precisará cada vez mais de Forças Armadas equipadas e qualificadas para cumprimento de suas funções” (Presidente Dilma Rousseff)

A publicidade oficial vem aproveitando a técnica prospectiva para veicular propaganda política nos assuntos de Defesa.

Acenando com cenários futuros invariavelmente otimistas, tenta aliciar os quadros institucionais e a opinião pública em favor de uma política errática. Para isso, as estampas com as metas para além de 2020 recebem ilustração midiática de efeitos deslumbrantes.

Contudo, a realidade concreta do cenário atual é premente. No contexto da Defesa, destacam-se três limitações estratégicas vitais, que resultaram do descaso governamental para com a Segurança Nacional, a partir de 1995: os sistemas de armas estão sucateados, a logística geral é insatisfatória e a remuneração do pessoal militar, defasada.

O despreparo do País para enfrentar uma crise externa é notório. A falta de um programa sistemático de substituição das unidades navais faz a esquadra tender à extinção. A Força Aérea Brasileira não consegue sequer definir a nova tecnologia de suas aeronaves de caça. O equipamento de artilharia antiaérea do Exército ainda pertence à geração analógica. E a maior parte do armamento leve em uso já teve a vida útil ultrapassada. Além disso, há que se considerar a precariedade dos níveis de estoque de munição e a manutenção cara e praticamente inviável dos sistemas arcaicos.

A dimensão humana, herdeira das tradições históricas, sofre o impacto da desmotivação. A remuneração média do pessoal militar situa-se 44% abaixo da média da categoria governamental menos favorecida – a dos servidores públicos da administração direta. É prudente considerar que a descrença alimenta a indisciplina. E a perda de controle da tropa pode ser perigosa, como ficou demonstrado no saque de Antuérpia, em 1576.

Ocorre que os objetivos futuros devem ser projetados no presente, podendo ser aferidos pelos respectivos indicadores. E as propostas reais do Poder Executivo têm deixado de honrar o compromisso propagado.

Ao contrário dos discursos políticos, a elaboração do orçamento anual permanece inteiramente condicionada pelo conceito de série histórica, instituído em 1995, que limita o teto financeiro das Forças Armadas e impede que sejam contemplados os grandes projetos de reequipamento.

A baixa prioridade atribuída à Defesa é incompatível com os anseios de projeção externa, sobretudo o relativo à intenção de conquistar uma posição permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Portanto, o que demonstram os fatos é que o setor de Defesa marcha em progressão inexorável para um futuro cada vez mais degradado, sob o doce encantamento das miragens da propaganda.

Ante a expectativa de turbulências e incapaz de reverter a tendência declinante do PIB, o governo sacrifica a Defesa, enquanto justifica o desempenho pífio da economia com inócuos preceitos de uma vã “filosofice”: “Uma grande nação não se mede pelo PIB, mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes”.

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército na reserva.

7 comentários:

Anônimo disse...

Senhor General Maynard Marques de Santa Rosa

V.exª. è atualmente e o será por muitos anos, o nosso único General capaz de chefiar uma Junta de Salvação Nacional e repor a Ordem e Progresso na nossa Nação.

V.exª. tem carisma, coisa que seus colegas nem sabem o que significa.

Lula tremeu de medo com V.exª. e silenciou-o.

Todos seus colegas são simples tecnocratas. V.exª. è operacional.

V.exª. e quem quisesse escolher para trabalhar consigo, deveriam e devem fazer uma nova 1964, mas com moldes bem diferentes, senão voltamos ao mesmo, a esta atualidade putéfila.

Siga os dogmas e paradigmas que os soviéticos utilizam quando faziam um Golpe de Estado ou invadiam uma Nação.

Só isso! Só isso, porque eles dominam o Brasil!

Um ex-militar operacional, seu admirador.

Ricardo Magalhaes disse...

" E a perda de controle da tropa pode ser perigosa, como ficou demonstrado no saque de Antuérpia, em 1576. "

Plenamente de acordo com o artigo,mas acredito que seria preciso exemplificar com casos mais recentes,contemporâneos,para que a sociedade possa realmente ter um parâmetro. 1576 esta muito longe para que se alcance a atual realidade.

Anônimo disse...

General Maynard, boa noite,

Me desculpe pela informalidade, ok?

É uma pena que o general não esteja mais na ativa, juntamente com uns 1000 iguais, pois o meu país nunca precisou tanto de homens honrados que fazem juz ao título de filhos legítimos de Caxias.
Parabéns!

uT

DEXTRA disse...

Off topic:

O que a grande mídia esquerdista e corrupta não vai dizer sobre o massacre do cinema em Aurora, no Colorado

Anônimo disse...

O Excelente texto escrito não passa de um texto. Palavras bonitas, verdadeiras, mas sem atitude por parte das lideranças militares. A situação do militar se agrava mais ainda por ver comentários bajuladores sem nenhum tipo de proveito da força. É lamentável que a liderança militar atual tem gerado mais pseudo líderes frágeis e fracos em seus valores e princípios.

Pensar é bom disse...

Creio que falta atitude por parte daqueles que precisam ter.

augusto disse...

O objetivo da mídia vendida é desacreditar cada vez mais os militares, e dos atuais governantes é dar mais poder aos melâncias. Vejam o caso do autódromo do rio que será transferido para uma área militar.