segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os Fins Justificam os Meios

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Carlos Leite Filho

A política como “a arte de bem governar” é essencial à vida das nações. Infelizmente, no Brasil, os eleitos para representar a população no Legislativo ou no Executivo parecem dar preferência a outras acepções do mestre Aurélio, tais como “a habilidade no trato das relações humanas com vista à obtenção de resultados desejados” ou “astúcia, ardil, artifício, esperteza”. Diariamente, a mídia mostra, sem exclusividade de estado, pequeno ou grande, rico ou pobre, tristes e lamentáveis casos de órgãos públicos carentes dos meios indispensáveis a sua eficácia, gerando mortes, sofrimentos, revoltas ou inconformismo do cidadão comum.

Para comprovação basta que se atente para os hospitais inadequados pela falta de infraestrutura, para a precariedade de escolas ou universidades impossibilitadas de receber seus alunos na época certa em consequência de obras em andamento ou para a inexistência e/ou insuficiência de estabelecimentos prisionais destinados ao recolhimento e ressocialização dos malfeitores. É fácil constatar que esse desconforto para a população acontece, via de regra, pela falta de visão de governantes que não se preocupam em definir metas, preferindo a premiação de militantes despreparados para a missão recebida ou o convite desafiador a profissionais ilustres, mas incapazes de improvisar, posto que sem tempo, sem espaço, sem orçamento e sem apoio. Enquanto isso, alguns eleitos para legislar ou governar se mostram hábeis gestores dos seus respectivos patrimônios individuais e familiares, embora alheios aos deveres e direitos humanos preconizados na Constituição. A solução talvez esteja mais na seleção atribuída ao eleitor do que nos protestos dos inconformados ou arrependidos.

Veja-se o caso recente de São Paulo, mais rico e populoso estado brasileiro, onde o cidadão digno há de se surpreender com a inesperada aliança do Partido dos Trabalhadores, maquiavelicamente capitaneado pelo ex-presidente Lula, com o conhecido Paulo Maluf, com o objetivo único de ganhar a eleição para prefeito da capital, esbanjando habilidade política e esperteza, embora com evidência de perda de memória e de falta de coerência com os conceitos de ambos segundo suas próprias manifestações, a saber: “O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente”, (Lula, em 28/06/84); “Ave de rapina é o Lula, que não trabalha há 15 anos e não explica como vive”, (Maluf, em 1º/03/93). Enquanto isso, das políticas de governo a implantar, ninguém sabe, ninguém viu, apenas se sabe que o maioral do PT afirma que “o importante é ganhar mais um minuto e meio na televisão”.

O eleitor sensato há de concluir que os dois políticos citados não merecem respeito e não lhes darão ouvidos, mas, infelizmente, há uma multidão de idiotas capaz de sufragar aquele por eles apontado e tudo continuará como antes! E assim caminhamos todos, de norte a sul e de leste a oeste, vendo a corrupção praticada com naturalidade, sem políticas públicas adequadas nem reformas ansiadas, sejam elas de educação, saúde, tributária, agrária, trabalhista, segurança ou outras.

É tempo de festas para São João e São Pedro, e festas todos os tempos para os políticos inescrupulosos para os quais os fins justificam os meios!

José Carlos Leite Filho é General de Exército na Reserva. linsleite@supercabo.com.br

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