quarta-feira, 11 de julho de 2012

Política Quântica

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Maurício Guimarães

Caí das nuvens! Li no Estado de Minas deste sábado, 7 de julho do ano de 2012, 190º da Independência, 123º da República e 1º do Fim do Mundo: manchete de primeira página, letras garrafudas: “MINAS GASTARÁ R$109 MI COM 569 NOVOS VEREADORES”... mais as verbas extras e outras despesas, a conta deve aumentar em mais 1 milhãozinho por ano aqui e ali, informa a matéria da página de política do douto periódico.

As maiores câmaras (maiores em tamanho, naturalmente) são, por ordem de inchaço: 1º lugar, Belo Horizonte com 41 novas vagas a partir deste ano; em seguida, Uberlândia, Betim, Montes Claros, Contagem, Juiz de Fora e Uberaba, nesta ordem (ou desordem, como queiram). Cento e nove milhões – só para vocês terem uma ideia do que significa essa mamata – representam, em termos simplistas, R$128.000,00 reais para cada um dos 803 municípios que compõem o glorioso Estado. É claro, sei que a conta não se faz desse jeito – é só um artifício que visa estimular a imaginação dos pobres mortais que trabalham e vivem de modestos salários.

A propósito: quanto ganha um professor da rede pública? Qual o salário de um médico nos postos de saúde? Pois bem, os salários dos vereadores são calculados de acordo com o artigo 29 da Constituição e devem variar entre 75% dos salários dos deputados estaduais (R$15 mil) e 20% (R$4 mil). Esquecem de verificar a Constituição no que ela assegurava, aos servidores da administração direta, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhados do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Vieram as emendas constitucionais e as ressalvas concernentes às vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho. Vantagem pessoal - é disso que o povo gosta. Embora a maioria das prefeituras não tenha orçamento para pagar, o aumento no número de vereadores, a benesse ainda é insuficiente de acordo com as declarações do presidente da ABRACAM (Associação Brasileira de Câmaras Municipais).

Enquanto isso, as áreas que deveriam receber melhor atenção são prejudicadas. Continuamos com graves e greves problemas na saúde ou "de saúde" - attccchim!, desculpem...) onde as unidades básicas demandam mais de 80% de melhorias em investimentos no pessoal, no fornecimento de medicamentos e na gestão desses recursos. Recentes pesquisas mostram que o maior problema dos municípios mineiros é a saúde. A carência de médicos nos postos de saúde é notória. A educação e a segurança pública* também pedem socorro.

Não estou inventando nada; consultem o site da TV Assembleia ( http://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/ ): "Estudantes e professores de escolas estaduais da grande BH vieram à Assembleia reclamar das condições de ensino. As principais queixas são sobre turmas reunindo alunos de séries diferentes e falta de espaço físico nas salas (05/07/2012)". Graças a Zeus, entretanto, a questão dos estádios de football (ou ludopédio) já foi resolvida, alvíssaras! aleluia!

Em tese, não sou contra bons salários para os vereadores; acho que as classes políticas (deputados estaduais, senadores, e assemelhados) deveriam ganhar muito mais. Sugiro 50% dos orçamentos públicos para esses profissionais, mais salários, verbas disso e daquilo, carros oficiais, aviões, auxílio paletó, auxílio boné, auxílio sapato, auxílio mamadeira e assim por diante. Mas que, em contraparte, eles trabalhassem como profissionais que são. Que comparecessem às sessões e votassem, de vez em quando, alguma coisa em benefício do povo. E que fora das sessões agissem com ética.

O mundo democrático amanheceu mal-assombrado diante do recente caso paraguaio, quando Fernando Lugo foi apeado do poder num tempo recorde de 36 horas. O ex-padre perdera a confiança de suas ovelhas; o corralón berrou. Foi rápido demais? ou foi lento? Não posso (nem devo) tecer comentários nessa questão que envolve a soberania daquele país. Já basta o mal que lhes fizemos na Guerra de la Triple Alianza.

Mas, não posso deixar de comparar esse prazo megahertziano com nossa CPI do mensalão que já se arrasta por sete longos anos; e da festejada Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do caso Cachoeira que vai em ritmo de novela mexicana, com direito a choro, poesias, ranger de dentes, recesso parlamentar!, murros na mesa, cerca-daqui, cerca-dali, blindagens e o custo astronômicos para os mal blindados cofres públicos: gente inescrupulosa jogando para a platéia (outra vez o ludopédio parlamentar), pernas-de-pau marcando gol contra nas barbas do juiz e dos bandeirinhas.

Todavia, quando o assunto é aumentar os próprios salários, os partidos tornam-se aliados, céleres e civilizadíssimos. Pau que bate em chico, não bate em francisco: o Senado aprovou a PEC que extingue o voto secreto em casos de cassação de mandato por quebra de decoro; mas, naquilo que interessa, a medida é ineficaz por falta de tempo hábil. A proposta precisa seguir alguns ritos na Câmara até ser levada a plenário em duas votações, etc. etc. etc. Como trabalham minuciosamente bem nossos representantes!

Quanto cuidado, que mãos cheias-de-dedos dependendo de o assunto ser do interesse público ou do corporativismo político. Trata-se de um sistema quântico representado por uma função complexa das posições ou dos momenta de cada partícula que compõe o mesmo. Essa representação é chamada função de onda. Também é possível representar o sistema por um vetor num espaço complexo.

Esta representação do estado quântico é chamada vetor de estado. Tais vetores são usualmente chamados kets, pois na álgebra linear um espaço vetorial (ou o espaço linear) é uma coleção dos objetos abstratos; para cada autovalor corresponde um autovetor e o número de pares autovalor-autovetor é igual à dimensão do espaço. Entenderam? Pois é isso aí.

José Maurício Guimarães é Advogado. http://zmauricio.blogspot.com.br/

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