quinta-feira, 12 de julho de 2012

Serasa prevê que esgotamento da capacidade de compra, por causa das dívidas não honradas, prejudica economia

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Por Jorge Serrão

O governo da Dilma Rousseff começa a experimentar, de maneira mais forte, a herança maldita da política econômica de Luiz Inácio Lula da Silva – baseada no crédito caro (que agora vira calote) para viabilizar o consumismo, no aumento do gasto público sem qualidade para melhorar a infraestrutura e no câmbio artificial que afetou a produtividade da indústria (em ritmo de estagnação) e do agronegócio (em ritmo de queda acentuada de margens de ganho). O cidadão-eleitor-contribuinte já sente uma alta de preços nas compras de supermercado e na prestação de serviços – o que acende um sinal amarelo entre os marketeiros chapa-branca, às vésperas da eleição municipal.

Mesmo baixando a taxa referencial de juros para o patamar mais baixo da história, o custo do dinheiro para produzir no Brasil continua muito alto, afetando os níveis de emprego e consumo. Para deixar o quadro ainda mais preocupante, as dívidas em atraso no País aumentaram 19,1% no primeiro semestre deste ano, comparadas com 2011. Apenas em junho, a inadimplência foi 15,4% maior do que a registrada um ano antes – segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. A empresa britânica adverte que esgotamento da capacidade de compra, por causa das dívidas não honradas, que pode prejudicar a retomada do ritmo de expansão da economia.

Prova que o pirão da Dilma desanda é o curto e grosso comunicado do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, após anunciar a nova taxa selic em 8% (meio ponto percentual a menos). O Copom admitiu que a fraqueza das economias doméstica e internacional é uma das justificativas para o afrouxamento monetário. Mas, na linha ilusionista, de quem parece não fazer compras nos supermercados da vida, os nove membros do politiburo do BC do B tem a cara dura de afirmar que verifica-se um “comportamento favorável da inflação”.

Apesar da queda da selic, há poucos motivos para comemoração. O Brasil pratica o terceiro juro mais alto do planeta, em um ranking que tem a China na primeira posição e a Rússia na segunda. Desde agosto do ano passado, o BC do B já promoveu oito cortes na selic (totalizando 4,5% para baixo). A previsão do mercado é que, em agosto, na próxima reunião, o Copom promova mais um corte de meio ponto percentual na taxa básica de juros.

O medinho que toma conta da petralhada é real. A história demonstra que sempre acabam mal os governos que não têm bom desempenho na economia. Como Dilma não consegue o mesmo desempenho de Lula, das duas uma: ou ele volta como salvador da pátria em 2014 (se estiver com a saúde melhor que a economia real), ou Dilma pode sofrer os desgastes antecipados da crise institucional, que pode até redundar em ruptura, se alguma bagunça econômica afetar demais a gestão da politicagem.

Quatro calotes

As dívidas não-bancárias (contraídas por meio de lojas, cartões de crédito, financeiras e serviços como energia elétrica, água e telefonia) aumentaram em 21,6%.

Economistas da Serasa avaliam que os calotes aumentaram porque a renda do consumidor está comprometida, principalmente com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e de alto valor (veículos e imobiliárias).

Segundo a Serasa, em média, cada inadimplente dá quatro calotes e que 60% deles têm dívidas que superam toda sua renda.

Paliativo

Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), não comemorou tão efusivamente a queda da selic:

“Em conformidade com as expectativas do mercado, o COPOM reduziu em meio ponto percentual a taxa SELIC, dando continuidade à queda dos juros básicos da economia observado nos últimos meses. Essa medida é positiva, mas parece insuficiente para promover a aceleração do ritmo de crescimento da economia, pelo que se espera que novas reduções ocorram nas próximas reuniões, tendo em vista o fraco desempenho da atividade econômica, especialmente da indústria, a continuidade da incerteza no cenário externo e a trajetória de queda da inflação”.

Outra visão

O corte de mais 0,5 ponto porcentual na Selic, reduzindo-a para 8% ao ano favorece o aquecimento da economia sem o risco de gerar inflação futura.

Mas os efeitos do novo corte na taxa básica de juros só começarão a ser sentidos entre o fim de 2012 e o começo de 2013.

Ao fazer tal avaliação, economistas da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) lembram que a queda da taxa deverá enfrentar, também, a sobrevalorização do Dólar sobre o Real.

Acredita quem quer

Para o segundo semestre, a expectativa da Fecomercio é que o BC do B continue realizando novos cortes, encerrando o ano com a Selic em 7,5%.

A Fecomercio destaca que, apesar da taxa básica de juros ter atingido o menor patamar histórico desde que passou a ser usada como instrumento de política monetária para o controle da inflação, em março de 1999, ainda permanece elevada para os padrões internacionais.

Mas, na linha da Velhinha de Taubaté, a entidade divulga que “o novo corte na Selic possibilita, ainda, que o governo continue pressionando as instituições financeiras para a redução dos juros ao consumidor final, o que deve fortalecer o comércio e aquecer a economia nacional”.

Promoções embargadas

O Conselho Nacional de Justiça suspendeu todos os processos de promoção a desembargador, pelo critério de merecimento, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia.

O conselheiro Carlos Alberto Reis de Paula verificou que o TJ baiano adotacritérios subjetivos para as promoções.

Além disso, a justiça baiana descumpre a Resolução 106/2010 do CNJ que privilegia requisitos como produtividade, presteza, aperfeiçoamento técnico e conduta ética dos magistrados.

Apelando

O senador cassado Demóstenes Torres (GO) avisou no Twitter que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal para reverter a cassação de seu mandato.

Curioso é que Demóstenes, mesmo saindo derrotado pelo placar de 56 x 19, não citou o santo nome de nenhum de seus ex-colegas como beneficiários do benfeitor político Carlinhos Cachoeira.

Pelo menos os cinco senadores que se abstiveram de votar contra ele devem ter ficado aliviados com a discrição do cassado.

Tudo em família?

O empresário Wilder Pedro de Morais, que assumirá a vaga de senador por Goiás no lugar de Demóstenes, é ex-marido da atual mulher de Carlinhos Cachoeira.

Há quem jure que Wilder - dono da Orca Construtora e de shopping centers em Anápolis e em Goiânia – tenha relações muito mais próximas com Cachoeira que o detonado Demóstenes.

O certo é que Cachoeira deve mesmo ser um cara bacana, porque não é qualquer um que aceita herdar a sogra de um amigo.

Salvo pelo gongo

A base aliada age com o maior rigor seletivo na hora de proteger quem está do lado do governo.

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a abertura de processo contra o deputado Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).

A oposição tinha denunciado o delegado por ligação com um araponga do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Di grátis para professores

Professores de todo Brasil poderão se inteirar das novidades do mercado literário, sem pagar entrada na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a Bienal acontece de 9 a 19 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo.

Novidade neste ano são audiolivros - produtos consagrados na Europa e nos Estados Unidos – que começam a crescer no Brasil e podem auxiliar a Educação, especialmente por utilizar a linguagem tecnológica da nova geração.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 12 de Julho de 2012.

3 comentários:

Anônimo disse...

Quando faço compras em dois conhecidos Hipermercados, è com tristeza que por vezes vejo cidadão a dividirem despesas inferiores a R$ 20 ou pouco mais, em quatro a seis parcelas. Trata-se de alimentação!! Dividir em parcelas? E como pagam para poderem comprar mais alimentos?

De fato os nove membros do politiburo do BC do B têm a cara dura de afirmar que verifica-se um "comportamento favorável da inflação! Para eles, os salários, ajudas de custas e cartões de credito, são infinitos! Gente pôdre! Gente imprestável! Porrasloucas! Incompetentes!

Anônimo disse...

Entre os oradores inscritos na sessão que ceifou o mandato de Demóstenes Torres estava o senador tucano Mário Tucano, do Pará, que em mais uma fala contundente disse que moralidade é algo que inexiste no Senado Federal. Como dizia o folclórico Mão Santa, “atentai bem”, pois trata-se de uma revelação que confirma o pensamento de nove entre dez brasileiros.

Como noticiamos, Demóstenes Torres foi cassado não pela quebra de decoro, pois casos piores já ocorreram na Casa, mas pelo espírito de vingança que tomou conta do plenário, dominado com largueza por petistas e governistas. Além de crítico ácido do governo do PT, Demóstenes, sempre dedo em riste, dificultou sobremaneira o trabalho da base aliada. E a cassação do seu mandato foi o troco dado pelos incomodados. O placar, 56 votos a favor e 24 contra, mostra que até senadores da oposição optaram pela cassação, pois o momento é de tentar recuperar a credibilidade da Câmara Alta.

Em relação à quebra de decoro, a referida transgressão política é como matar alguém a facada. Não importa se a vítima tombou apenas com a ponta da faca ou foi obrigada a enfrentar o cabo e a bainha da arma. Em passado não tão distante, Renan Calheiros e José Sarney se viram em palpos de aranha por causa de quebra de decoro, mas salvaram os respectivos mandatos porque são destacados integrantes da base governista. O que mostra que política há muito deixou a ideologia de lado para dar passagem aos interesses cada vez mais sórdidos de uma minoria sempre privilegiada.

Voltando ao cerne da matéria, o recurso ao STF a que Demóstenes se referiu não deve ser contestado, mesmo que mínimas sejam as chances de êxito. Ao ex-senador foram negadas diversas prerrogativas constitucionais, a começar pelo amplo direito de defesa, o que engloba perícia nas provas apresentadas e validação das gravações feitas pela Polícia Federal, que na opinião deste noticioso continuam sendo ilegais, pois a ação policial ignorou o chamado foro privilegiado.

De igual maneira, a esquerda verde-loura não tem como contestar a decisão do cassado senador, pois os esquerdistas paraguaios, que têm o incondicional apoio do Palácio do Planalto, tentam provar na Justiça do país que Fernando Lugo foi ejetado da presidência sem o amplo direito de defesa. Resta torcer para que pelo menos uma vez na vida os petistas mesclem coerência com ideologia, pois democracia é boa quando vale para todos e de forma indiscriminada. Não sendo assim, é ditadura.

Anônimo disse...

Professor Pardal – Repetindo o que fazia seu antecessor nos tempos em que ocupava o Palácio do Planalto, a presidente Dilma Vana Rousseff acionou, nesta quinta-feira (12), o “febeapá” – festival de besteiras que assola o país, inventado pelo genial Sérgio Porto – para justificar o vergonhoso e preocupante desempenho da economia brasileira.

Em evento na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que acontece em Brasília até 14 de julho, a presidente disse que o Produto Interno Bruto (PIB) não deve ser utilizado como régua para medir o país. “Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz pelas suas crianças e seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto, é a capacidade de o país, do governo e da sociedade, de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes”, afirmou Dilma.

Mistura de ufanismo desmedido e loucura econômica, o discurso da presidente Dilma Rousseff serve para nada, pois até onde se sabe a economia de uma nação se mede pelo Produto Interno Bruto. Sem dúvida é preciso que o Estado invista cada vez mais no futuro dos brasileiros, mas de nada adianta qualquer esforço se o presente estiver arruinado. O palavrório da presidente serve para camuflar a incompetência de seu governo e esconder a irresponsabilidade do companheiro Lula, que assolou o País com esdrúxulas teorias econômicas, cujos efeitos são sentidos diuturnamente por todos os cidadãos.

Dilma, a exemplo de Lula, aposta na cosmética governamental como estratégia para ludibriar a opinião pública, cada vez mais empurrada ao consumismo como forma de minimizar os efeitos da crise internacional que sacode a União Europeia, cujos países sofrem sobremaneira com a redução dos respectivos PIBs.

Admitir o próprio fracasso é um ato de nobreza que só poucos conseguem praticá-lo, sendo que na política raros são os que conseguem tal proeza. Há nesse universo quase inóspito sempre uma desculpa de plantão ou culpado nas hostes adversárias. Contudo, causa estranheza o fato de até então nenhum petista ter cometido a ousadia de criticar a amaldiçoada herança deixada por Luiz Inácio da Silva, que a cada dia destila novas pílulas de totalitarismo.