domingo, 22 de julho de 2012

Sobre o Cartel do Oxigênio no Brasil

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gerhard Erich Boehme

“No Brasil de hoje não é mais o mérito que determina o valor das pessoas, mas sua ideologia. Sua cor. Sua raça. Falar bem o idioma é motivo de piada. Ser elite é quase uma maldição. Música de sucesso é aquela que for mais escatológica. O homem honesto aparece na televisão como se fosse algo inédito. Roubar é normal. Bala perdida é normal. Corrupção é normal. Vivemos uma inversão de valores sem precedentes e é contra esse estado das coisas que devemos gritar” (Luciano Dias Pires Filho)

A OAB nos tem envergonhado e muito os brasileiros nestes últimos anos, muito se deve a questões ideológicas, pois desconsidera questões fundamentais como a intransigente defesa do direito da propriedade privada, dentro do estado de direito, a fiel observação do princípio da subsidiariedade e a defesa da economia de mercado, ela que é a principal responsável pela geração de riqueza, emprego e renda¹, mas não somente ela, o nossos políticos padecem do mesmo mal.

Mas este é um importante tema a ser debatido, em especial a questão da defesa do livre mercado e da aplicação do princípio da subsidiariedade, pois este é desconhecido dos brasileiros e aquele muito pouco foi aplicado no Brasil, mas seguramente é muito criticado.

Fui um dos criadores e coordenei por mais de 10 anos um encontro técnico anual formado pela s principais empresas produtoras e consumidoras de oxigênio no Brasil, já que era o engenheiro responsável pela maior unidade de produção de oxigênio no Brasil, com uma produção diária de mais de 1.000 toneladas/dia, mas para consumo próprio. Na época uma unidade da PETROBRAS. A unidade foi construída pela Linde, uma das empresas que atuava no mercado. A Linde depois se retirou e novamente retornou ao mercado nacional com a mudança da marca AGA.

A Linde foi a empresa anfitriã do 25° Encontro de Produtores e Consumidores de Gases Industriais promovido pela ABM em 2010. Este ano o EPCO passou a ser denominado de Seminário de Energia & Utilidades: http://www.abmbrasil.com.br/news/noticia_integra.asp?cd=4555

Este é hoje um importante evento no campo da tecnologia voltada à adoção de novas tecnologias para a construção de novas unidades e revamping das atuais, à produção e manutenção. O evento é anual e é organizado pela ABM, até o ano passado era denominado de “Encontro de Produtores e Consumidores de Gases Industriais”.

O principal objetivo do Encontro era a operação e manutenção segura das unidades e a operação com os melhores resultados em termos de eficiência e eficácia energética. Entre muitos outros objetivos do grupo, um deles era uma melhor logística nas paradas e partidas, o que era feito por muitos produtores vendendo seus excedentes ao longo do ano, ou realizando uma troca para o consumo nas paradas das unidades.

Ao longo destes anos vimos surgir uma empresa nacional, que é hoje denominada IBG - Indústria Brasileira de Gases Ltda., que igualmente atua no mercado.

Com isso quero dizer que que neste últimos anos ainda não detemos a tecnologia principal do processo, e ainda estamos vulneráveis a um número reduzido de empresas atuando no Brasil, e nada melhor que o mercado para promover a venda de produtos com melhores preços e qualidade. E o mais grave, de uma forma geral não temos uma estratégia para o país no que se refere a este importante insumo. E o mais triste disso é o fato de que problema de mais de 20 anos atrás ainda está a ocorrer, como a questão do cartel, que seguramente compromete, ao menos financeiramente, a área da saúde no Brasil.

Se o Brasil fosse de fato um país sério, pessoas como o Engenheiro Vinhosa estariam sendo ouvidos no nosso Senado e por parte do Ministério da Saúde.

De minha parte, por ter sido frustrado na condução de um outro importante projeto nacional, o de exploração racional de nossos recursos de gás natural e gás associado visando a produção de LNG, e reduzir a nossa dependência de gás natural importado da Bolívia, com a implantação de diversas unidades unidades no Brasil de liquefação de gás natural, modificando assim a nossa estrutura de produção e distribuição e reduzirmos as perdas de gás associado, hoje uma das mais significativas contribuições brasileiras para o efeito estufa. Cuja tecnologia guarda muita proximidade com a de produção de gases industriais, derivados do ar, em especial por atuar no campo da criogenia.

Bem, como o que escrevi, lhe procurei posicionar que minha área de atuação é eminentemente técnica e de gestão (qualidade e ambiental), bem como de gestão no campo da segurança pública, em especial no campo da polícia judiciária e polícia técnica, mas no que for possível lhe auxiliar, peço que conte comigo.

Assim como a violência, a corrupção, na qual a presença de cartéis se faz presente, são o que compromete a área da saúde pública no Brasil, o que também indiretamente compromete a área da saúde privada. Seguramente a violência é a principal, e não é sem razão que temos hoje uma das sociedades mais violentas do mundo:

a) Cada 5 minutos uma mulher é violentada no Brasil , muitas são mortas.

b) 14 das 50 cidades mais violentas do mundo estão no Brasil e Curitiba é uma delas;

c) Tivemos nos últimos 30 anos mais de 1 milhão de homicídios e o crescimento é exponencial;

d) Em 2011 tivemos mais de 195 mil vitimas fatais devido a violência;

e) O custo da violência supera 5% de nosso PIB, isso segundo estudos desatualizados realizados pelo IPEA, eu estimo em mais de 10% e apresento as razões.

¹) A prova do que escrevi pode ser confrontada relacionando-se os indicadores de liberdade com quaisquer outros indicadores sociais, ambientais e econômicos que desejar:

1. "Index of Economic Freedom World Rankings" The Heritage Foundation.

2. "Economic Freedom of the World: Annual Report" do The Cato Institute.

3. "Economic Freedom of the World: Annual Report" do Fraser Institute.

Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=Qe9Lw_nlFQU

Gerhard Erich Boehme é Engenheiro. gerhard@boehme.com.br

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