domingo, 26 de agosto de 2012

No Labirinto

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

Nos últimos cinco anos, o blog Alerta Total vem publicando este registro como testemunho de quem tenta entender o que acontece no Brasil e no mundo. É uma percepção infinitesimal, apenas como retoque, dos vôos livres de uma mente que vaga no cosmos, envolvida pelas vagas turbulentas deste planeta, minúscula partícula da impenetrável grandeza do universo.

O propósito é deixar correr a memória do vivido e apreendido dos livros e variadas formas de expressão cultural. Um desabafo ou testemunho para as novas gerações. Ora memória, ora observação de fatos que afirmam a esperança de vida em ambiente humano e amoroso, em mais de meio século de romantismo utópico, tentativas lógicas e racionalismo.

É necessário muito equilíbrio individual em meio ao caos, tragédias e superação. No ambiente que envolve famílias, pessoas, nações que fazem a história e ao mesmo tempo são premidas por fatos históricos, configurados nas formas de Estado, condução dos negócios econômicos, crenças e ideologias propagadas como verdade absoluta, dominando decisões de governantes, cujo personalismo conduz às guerras, controles e imposição de mudanças comportamentais.

Milênios de história. Civilizações ditas obscuras, outras iluminadas. Avanços no conhecimento técnico e científico. Gente que nem formiga na China. Impérios empresariais controlando governantes serviçais, controlando os pensamentos palavras e ações dos homens comuns nas frentes de trabalho, onde são exigidas obrigações e atribuídos parcos direitos.

Migrações estritamente vigiadas, em mão dupla, entre países ricos ou pobres. Onde os relacionamentos democráticos e as garantias de liberdade individual vigentes durante largo tempo, assim como a livre expressão do pensamento, agora são vistas como inoportunas.

A nova ordem mundial que se impõe à força, pelo terror ao banditismo que serve ao Estado, tanto quanto pela colonização cultural que empurrou as gentes para o labirinto da alienação, mostra sua cara de crueldade: martela dia e noite as sugestões e palavras de ordem que se convertem em confusão mental.

O propósito que reside na mente dos profissionais da política e dos que manipulam a opinião inconsciente e irracional é desviar a atenção do cérebro dos ouvintes, distraindo-os com a oratória variada e conceitos desconexos, insinuando caminhos que impedem o pensamento e a reflexão.

Neste labirinto, os terminais da percepção sensorial estão conectados aos difusores de informações repetitivas: sobre a violência assustadora; o desemprego que anula o esforço individual e conduz ao desespero; os salário insuficientes para a sobrevivência digna; drogas e banditismo impunes em campo aberto; instituições de educação, segurança e saúde pública desamparadas...

A difusão de idéias apenas úteis à propaganda intensiva de opiniões preconcebidas, subordinadas ao terror espalhado pelas ruas, ativado por ideólogos e militantes que fingem ocupar-se no controle de finanças e negociações garantidoras do poder inclemente, sem retoques. Uns poucos decidem onde aplicar os recursos, submeter as nações, financiar guerras, prestigiar governos obedientes.

Aqueles poucos propagam a união entre opostos, o sincretismo religioso e a variedade de crenças que desviam a percepção humana de si mesmo. Querem fazer crer que o Cristo e o anti-Cristo, o virtuoso e o bandido, as verdades e as mentiras podem conviver no mesmo espaço e dançar a mesma música. Única música.

Na propaganda relacionam os fatos seguindo a metodologia desenvolvida pelo Instituto Tavistock, Bernays e algumas escolas da psicologia aplicada às relações do Estado com o público. Assegurando-se que o cérebro da audiência desinformada, concorde com as três primeiras afirmações, passam às sugestões de venda das “soluções” milagrosas, sabendo o tempo inteiro que a mente ouvinte, em estado de relaxamento, foi ativada para aceitar as armadilhas e meias verdades, sem perceber os “comandos embutidos” na entonação de palavras chave e gestos, que atingem o inconsciente.

São profissionais que atuam para o grande público. Como profissionais estão imunes aos resultados. E utilizam o escudo das tais ciências econômicas para justificar o poder supremo de investimento, pesquisa e planejamento das mega-empresas que controlam as políticas do Estado.

Em todo o tecido social, com raras exceções a ditadura do Estado divide as rações dos feudos culturais e direciona o público para agir aceitando a inversão de valores como progresso. O objetivo é aceitar as políticas salariais e as mudanças eventuais no sistema da economia globalizada, como se fossem constantes determinadas pelo poder global, sem face conhecida e com propósitos obscuros.

Pode-se fazer uma analogia dos nossos políticos com aqueles fariseus talmúdicos que Jesus denunciou como “filhos do pai das mentiras” (João, 8-43,44). Eles não entendem a linguagem dos filhos de Deus. São filhos das trevas e inimigos da verdade. Na qualidade de satanistas, usam todos os disfarces para enredar e enganar a gente, para controlar a riqueza das nações.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, Arlindo Montenegro.
De uma certa forma, é a expressão da verdade.
Fazendo um paralelo alegórico, a sociedade das abelhas, como a das formigas, francamente "socialistas", tem muito a nos ensinar.
Quem sabe?