sábado, 25 de agosto de 2012

O Preço do Futuro Almejado

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

Estou fortemente convencido de que não é do interesse da Força ou de qualquer de seus integrantes e muito menos dos nossos Chefes de hoje e de ontem a divisão do Exército em “da ativa” e “da reserva”, muito embora tenha identificado atitudes pontuais, de ambos os “lados”, que, mesmo sem querer, fomentam a divisão.

São arroubos de indignação, na maioria das vezes motivados por desconhecimento, desinformação ou precipitação, dos companheiros inativos que, no dizer do Gen Octávio Costa, “têm a farda como outra pele, aderida à alma, irreversivelmente, para sempre”, o que pode não justificar determinadas atitudes e interpretações, mas as explica sobejamente!

São as mágoas e incompreensões dos camaradas da ativa que, por estarem em dia e em ordem com os acontecimentos, decisões, planos, projetos e circunstâncias não aceitam as críticas, devidas ou indevidas, dos que, mesmo errados ou enganados, só pensam e agem em favor do bem da Força e que merecem a complacência e a consideração de uma explicação que, na maioria das vezes, “está no site”, o que é sabidamente insuficiente!

Por outro lado, vivendo em Brasília e estando, portanto, mais próximo do que está a ocorrer no Exército, estou também convencido de que há bons motivos para acreditar que os dirigentes políticos, por piores que sejam, finalmente entenderam que as Forças Armadas são fundamentais e imprescindíveis para dar suporte e garantia aos compromissos internacionais e à conquista do espaço que o Brasil pretende e deve ter no concerto das nações.

Este entendimento, mesmo que não se respalde na lógica do estudo geoestratégico, fartamente conhecido por gerações de militares, se deve à conclusão, também lógica, de que, neste momento, as Forças Armadas são as únicas instituições sérias e confiáveis do País e que, portanto, precisam estar preparadas e equipadas de acordo com a importância das suas missões constitucionais.

A organização e a segurança dos grandes eventos assumidos pelo Brasil para os próximos anos, Copas e Olimpíadas, impõem seriedade e competência e, por isto mesmo, não poderão ser entregues a outras instituições que não às Forças Armadas, em particular ao Exército Brasileiro.

Seja por razões estratégicas ou por necessidade de garantia de sucesso nos eventos esportivos mundiais, a verdade é que as Forças Armadas nunca estiveram tão perto de conquistar as capacidades que sempre almejaram e que farão com que tenham, no momento oportuno e decisivo, o poder e a estatura compatíveis com as dimensões, as responsabilidades, a importância e as riquezas do Brasil.

Por outro lado, infelizmente, também constato que há um preço a pagar por esta perspectiva de conquista do futuro almejado, qual seja o esquecimento de uma parte importante e fundamental da história recente do País, na qual a Forças Armadas, em especial o Exército, desempenharam papel preponderante e asseguraram a preservação dos valores e dos pressupostos que sempre nortearam a evolução da nacionalidade e o amadurecimento político da Nação.

É triste ver velhos camaradas, apontados, até há pouco, como exemplos, que arriscaram suas vidas e expuseram suas famílias às ameaças de fanáticos terroristas, no estrito cumprimento do dever e das ordens recebidas, serem abandonados à própria sorte como se esse tempo, essas ordens, seus feitos e suas vitórias nunca tivessem existido e seu sangue nunca tivesse sido derramado!

Não existem, com certeza, dois Exércitos, mas, aparentemente, uma parte dele está sendo deixada para trás, sua lembrança e seus feitos estão sendo extirpados como se fossem cânceres da história e da memória ou como condição imposta para que o Exército tenha a dimensão e as capacidades que o Brasil precisa e o futuro exige.

Torço e rogo a Deus para que o que interpreto e lamento como fato seja mais um arroubo de indignação, motivado por desconhecimento, desinformação ou precipitação e que eu, mais uma vez, esteja errado!

Paulo Chagas é General de Brigada na reserva.

3 comentários:

Anônimo disse...

General,

Sou civil, portanto, teoricamente, não deveria "dar opinião" sobre o seu artigo, pois se refere a, digamos, postura militar.
Porém, General, o assunto em tela é de uma abrangência tal que extrapola a fronteira da órbita militar.
Digo isto porque o que o senhor tão bem reporta chega a abrangir toda a Nação brasileira, e assim eu, creio que devidamente, me incluo, pois tenho o meu País, o Brasil, amalgamado do lado esquerdo do peito. E,nas circunstâncias atuais, é bom que se esclareça o que eu quiz dizer como "esquerdo": LADO DO CORAÇÃO.

Fiz o "prefácio" acima para lhe dizer, General, que à primeira vista o seu artigo deixa passar um, talvez, preconceito contra aqueles que já vestem o pijama, porém, vestir o pijama não é sinônimo de passar a borracha na sua participação nos destinos da Nação a quando ainda estavam na ativa. E se assim não o tivessem feito, com certeza nem eu nem o senhor estaríamos livres para escrever aqui, nem esta página estaria "no ar". Tenho certeza que o senhor me entende, General.

Assim, por favor, reavalie a possibilidade de haver uma interpretação preconceituosa, mesmo que possa escapar a um observador menos atento, citada no terceiro parágrafo deste seu artigo: "...devidas ou indevidas, dos que, mesmo errados ou enganados, só pensam e agem em favor do bem da Força...". Fixe a lupa no "...mesmo errados ou enganados,...". Estaria o senhor sendo preconceituoso ao enfatizar "errados ou enganados"?? Ou não estaria???
General, desanuvie a minha visão... e a (visão) de, certamente, muitos mais.

Com um fraternal abraço deste amazônida, que fica feliz (e mais seguro) quando ouve na floresta o retumbar do grito "SELVA!". Conhece-o, General? Já o ouviu, mesmo ao longe?

Roberto Santiago

Anônimo disse...

Com a palavra Cel Ustra, abandonado por seus superiores...

Anônimo disse...

Prezado General Paulo Chagas
O seu comentário está corretíssimo e traduz muito bem o momento pastoso e por que não dizer covarde e politiqueiro em que vivemos.
O que de fato existe são preferências interesseiras, empanadas por um dito ideal nacional de paz e estabilidade, enquanto esse governo vai afundando o País em miséria moral e ética, nos campos sociopolíticos, econômico, educacional, segurança, etc.. Uma desconstrução lenta e paulatina de valores firmados e consagrados. Um verdadeiro laboratório ideológico a soldo de interesses internacionais, de viés socialista, que se utilizam da "dita mole justiça social", por meio do ecoterrorismo, preconceitos sexuais e criminais(excluídos), racismo, e uma gama de bandalheiras e modismos tidos como nova ordem mundial, no intuito de desestabilizar quintais riquíssimos como o nosso, além de criarem um pretenso "paraíso terrestre" de gente bovina, destituída de discernimento e obediente aos propósitos ditos "pacíficos". Ninguém reclama, ninguém pergunta, ninguém questiona, não há resistência, tudo vai bem, tudo está ótimo e maravilhoso. Isso não é novidade.
Mas esse é outro assunto em que o nosso está inserido, não é mesmo?
Vamos aceitar como moeda de troca ficarmos calados, diante da velada e bem elaborada tática de desforra, objetivando anular a Lei de Anistia, porque nos contemplam com obras, ótimos índices de opinião pública, amplas e variadas missões de segurança e aumento de soldo?
Silêncio e postura anêmica nem sempre resolvem. Virar a mesa também não. Uma postura firme e convicta não significa criar aresta ou crise, como muitos apregoam. Papo! Tem que saber fazê-lo!
Tenho a impressão de que não estão fazendo muito. O episódio da placa na AMAN, para mim, é de lamentar.
Por quê omitir, anular, desdenhar, esconder acontecimentos históricos (não só 64!) que graças à intervenção da Força e sociedade pusemos o fantasma do leninismo-marxismo para correr?
Infelizmente a nossa ADA e LAADA já se encontram bem contaminados. É o que tenho sentido, visto e ouvido.
Abraço