sábado, 1 de setembro de 2012

Diferenças entre usinas nucleares no Brasile no Japão

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Guilhermina Coimbra

O irracional respeito à autoridade é o maior inimigo da verdade”. Albert Einstein.

Decodificar o discurso significa trabalhar em benefício de todos, tentando fazer compreender os discursos competentes de autoridades nacionais, internacionais e da mídia, na melhor das hipóteses, desinformada. Decodificar o discurso significa tentar esclarecer em linguagem didática, fornecendo argumentos para que, devidamente esclarecida a população brasileira possa mudar o curso das políticas que os discursantes pretendem para o Brasil.

Como professora, pesquisadora, formadora de opinião, tenho tentado fazer o meu melhor, graciosamente, rechaçando todos os argumentos falsos, falaciosos, compromissados e tendenciosos a paralisar o desenvolvimento do Brasil, impedindo-o a dar destino útil aos seus minérios energéticos nucleares.

Face à defesa de interesses contrários ao desenvolvimento do Brasil, através da paralisação de mais de 80 anos de trabalho perseverante e ininterrupto dos técnicos brasileiros, visando dar destino útil aos minérios energéticos minerais que jazem no subsolo do país (urânio: o combustível do Século) publicada em artigo (“O Globo” Opinião, “Subsídio Nuclear”, p. 7 , 23.11.2011) o qual, para atender aos clientes interessados na paralisação, utiliza os mesmos argumentos utilizados pelos que não se conformavam com o Brasil produtor de petróleo (na época, motivadores da campanha ”O Petróleo é Nosso”) e apela para o terror nuclear, exemplificando com o incidente nas usinas nucleares japonesas - fazemos as seguintes comparações entre as usinas brasileiras e as usinas japonesas.

Para bom entendimento, esclarecemos que o famoso “Mellting” do filme Síndrome da China (devem reprisá-lo, como parte da propaganda enganosa do terror nuclear) não tem possibilidade de ocorrer, pois a reação em cadeia nuclear foi encerrada; o reator de Chernobil era a céu aberto (sem prédio de contenção) e com o moderador de grafite nuclearmente puro.

E quanto à diferenças entre os acidentes Chernobil e Fukushima 1Chernobil, esclarecemos: em Chernobil, o reator em funcionamento, o combustível estava em reação em cadeia no estado crítico, a explosão dentro do reator propriamente dito foi um acidente nuclear mas, em Fukushima 1 o que ocorreu foi um acidente radiológico, porque, o reator estava parado, o combustível estava em estado de decaimento do calor, e a explosão foi entre as duas contenções.

Comparando as usinas no Brasil e as do Japão, relativamente ao acidente de Fukushida, anotamos as seguintes diferenças:

1) No Brasil a usina tem dois circuitos fechados com dois trocadores de calor (condensador e gerador de vapor). Só o gerador de vapor entre primário e secundário permitiria arrefecer a temperatura do núcleo; No Japão, a usina de Fukushida tem um só circuito fechado e um só trocador de vapor;

2) O prédio dos reatores PWR do Brasil, fica dentro de uma construção de concreto enriquecido de 1 metro de parede mais 10 cm de aço. Dentro dele, fica todos componentes do circuito primário, inclusive o trocador de calor. (vide planta mais abaixo); no Japão, nos BWRs de Fukushima I Daiichi somente o reator fica dentro da contenção, a qual se constitui de duas partes, chamadas de contenção primária (aço) e secundária (concreto). Mesmo juntas são muito mais fracas do que as usinas de Angra dos Reis;

3) No Brasil, todos os componentes do circuito primário estão dentro do prédio de contenção; no Japão, só o reator está dentro do prédio de contenção;

4) No Brasil, não se depende de energia de fora para acionar as bombas, principalmente, Angra1 que possui uma turbo-bomba acionada pelo vapor do circuito secundário. Já Angra2 possui de modo suplementar, quatro bombas acionadas por motores a Diesel em local muito bem protegido e à prova d’água; No Japão, tinha apenas dois geradores que não eram abrigados, protegidos e nem à prova de inundação;

5) No Brasil, o local onde foram construídas as usinas nucleares, é livre de terremotos e “tsumanis”, entretanto, toda a atenção é preciso para se abortar a sabotagem às usinas nucleares brasileiras, porque, se houver a possibilidade zero da sabotagem ocorrer, ela ocorrerá (haja vista, o ocorrido na Ilha de Alcântara, Maranhão: razão pela qual, há que se prever os métodos aéticos e insanos dos concorrentes, nessa área); no Japão, o território é sujeito a terremotos e tsumanis, o terremoto de grau 8,9 foi acima do máximo esperado que o de 8,2 do projeto (ou seja, sete vezes maior). Perdeu-se a energia que vinha de fora para energizar as usinas, mas esta foi mantida pelos geradores emergenciais diesel, desta forma, as refrigerações do núcleo e da piscina continuaram normalmente. Estaria aí encerrado o incidente nuclear. Porém, as usinas de Fukushima I Daiichi foram atingidas por um Tsunami (Tohoku-Kanto) superando o maior esperado para a região minutos depois (máximo esperado 5,7 metros, o acontecido 14 metros). Por efeito deste, as bombas colapsaram. Assim, as bombas que fazem circular a água dentro dos circuitos primários dos reatores ficaram sem energia e pararam. Esta água tem a finalidade de refrigerar o reator e ao mesmo tempo levar o calor para os trocadores de calor e assim dissipar o calor. O mesmo aconteceu com a água que circula para esfriar as piscinas;

6) No Brasil (e em todos os Estados que utilizam a energia nuclear) qualquer problema na proximidade ou de operação de um reator, ele é imediatamente e automaticamente desligado, numa operação de segundos que se chama “Shutdown” (desarme). Trata-se da inserção de barras contendo substâncias (Índio, Cádmio, Boro) de absorção de nêutrons que são “venenos” para a reação sustentada de fissão. Consiste, pois, de um desligamento do reator em modo emergencial. Em pouquíssimo tempo não existe mais uma fissão sequer, acaba aí, o incidente nuclear propriamente dito; no Japão, ocorreu um prolongamento do incidente como um todo, teve um acidente civil, químico, físico (caso de dissociação da água em oxigênio e de hidrogênio, explosão e incêndio) seguido de um acidente radiológico: fruto de causas externas causadas por um terremoto e um “tsunami” fora de escala. Logo o que ocorreu no Japão nenhum não pode ser rotulado cientificamente como acidente nuclear;

7) No Brasil, existe um grande reservatório de água com uma cota de mais de 100 metros e nascentes que em último caso tem condições de serem utilizados para arrefecimento usando apenas a gravidade; no Japão, nada existe parecido;

8) No Brasil, a decisão feita por técnicos competentes e cônscios de sua responsabilidade não levará a decisão das ações a chefes neófitos apadrinhados políticos. Deste modo a medida pró ativa que se fizer necessária, será realizada de modo mais rápido; no Japão, o escalão é longo e altamente hierarquizado;

9) No Brasil, o prédio da contenção do reator é muito, muito mais robusto do que o prédio da usina do Japão; g) No Brasil, a usina está construída no meio da Placa Tectônica Sul Americana; no Japão, a usina está construída à beira de cinco Falhas Geológicas. No Japão, se não tivesse havido o Tsunami acima do maior previsto em projeto, o fato de ter havido um terremoto sete vezes maior que o previsto não teria causado grande dano (o incidente estaria controlado). Enquanto a Planta Nuclear Fukushima I Daiichi teve o incidente nuclear transformado em um acidente radiológico de grande proporção devido ao Tsunami de imensa dimensão, a planta Nuclear Fukushima II Daini (10 km ao sul) se reteve a um incidente nuclear rapidamente sanado que sequer teve luzes da imprensa internacional. Ademais, o Japão possui 54 usinas e uma em construção, das quais visitei três. Existem cerca de 440 construídas ou em construção no mundo. Elas fornecem 30% da energia elétrica consumida no Japão.

O Japão possui dois tipos de usinas 50% aproximadamente de cada: 28 BWR (Boiled Water Reactor) que é de água fervente e 27 PWR que é de água pressurizada, como às de Angra. A vantagem determinante de um tipo de usina é as PWR são as mais seguras e de concepção muito mais moderna. Das 65 usinas nucleares, no momento, em construção, 55 são PWR, 2 são BWR, e 8 são diferentes.

Além do mais, as normas de usinas são muito rígidas e, no caso do Japão, o entendimento japonês obriga a evacuações preventivas, que, por norma, é feita num raio 2,5 vezes do que seria necessário. (Em incidentes puramente nucleares apenas de um reator a norma internacional de evacuação é de 5 km e uma recomendação de ficar em casa numa área até os 15 km de raio).

Lembro - aos brasileiros esclarecidos não mais dispostos a assistirem “os argumentos das autoridades” trabalharem contra os interesses do Brasil que os remunerou, remunera - o seguinte: IROSHIMA E NAGASAKI FORAM BOMBARDEADAS COM BOMBAS NUCLEARES E IMEDIATAMENTE RECONSTRUÍDAS, AS RESPECTIVAS POPULAÇOES DE CADA UMA DAS CIDADES DESTRUÍDAS NUCLEARMENTE VOLTARAM PARA AS SUAS CASAS IMEDIATAMENTE APÓS A RECONSTRUÇÃO – SEM O MENOR PERIGO DE RADIOATIVIDADE A SAUDE DE NENHUMA DELAS!

Finalmente, para não nos alongarmos, tomo a liberdade de transcrever, in limine (anexo) informações técnicas necessárias ao conhecimento do brasileiro, contribuinte de fato e de direito de todos os investimentos no país. Contribuintes, desde 1935, das pesquisas objetivando transformar em energia, através da utilização do manancial de mineráis nucleares que jazem no território brasileiro (Almte. Álvaro Alberto-Getúlio Vargas).

Guilhermina Coimbra, Professora e Advogada, é Presidente do Instituto Brasileiro de Integração das Nações-IBIN e Membro da International Nuclear Law Association/INLA/Bruxelas, Bélgica, desde 1979; Mestrado em Direito e Desenvolvimento/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/PUC/RJ, Brasil; Doutorado em Direito e Economia/UGF/Rio de Janeiro, Brasil; Professora-Adjunto de Direito Constitucional, Teoria Geral do Estado, Direito Internacional, Instituições de Direito Público e Privado, Legislação Profissional e Social, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro-UFRRJ, Brasil, 1988-2012, Participações em Livros de direito Internacional, das Editoras, Quartier Latin e Saraiva. E.mail: coimbra@ibin.com.brr Home page: www.ibin.com.br

4 comentários:

Anônimo disse...

A energia nuclear è necessária e o nosso futuro enérgico depende exclusivamente dela e do seu desenvolvimento.

Energias ecológicas è folclore!

A Alemanha decidiu fechar suas usinas nucleares até 2022, fechando de imediato quase 20 por causa do desastre no Japão, desastre em nada igual ao que poderia acontecer na Alemanha. Foi um gesto precipitado (mais um) da Angele Merkel. Resultado, por causa da onda de frio que assolou a Europa neste inverno de 2012, ela mandou reabrir oito usinas, não voltando a fechá-las porque a Europa depende do gás importado da Rússia. Putin tem a Europa sob suas patas e goza com isso.

http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,frio-acirra-disputa-por-energia-na-europa,833691.htm

Aqui, tenta-se por todos meios acabar com nossas usinas nucleares. Só pode haver interesses obscuros por trás dessa campanha, pois somos altamente deficitários em energia.

Atualmente, o País necessita de aproximadamente 6.000 MW por ano de acréscimo de potência instalada para suprir suas necessidades. Ao final da década de 2010, esse acréscimo anual será de 10.000 MW, quase uma Itaipu por ano. Por isso, abrir mão da possibilidade è um erro crasso! Um enorme erro!

O Brasil não prevê novas usinas nucleares até 2021. O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta terça-feira que, no plano decenal que compreende o período encerrado naquele ano não está prevista nenhuma outra central além de Angra 3.

No plano que considera o horizonte até 2030, porém, o governo prevê que haja espaço para a construção de quatro a oito centrais nucleares.

Para sair do papel, uma usina leva seis anos a partir do início da construção. Zimmermann diz, no entanto, que, antes de o governo tomar uma decisão nesse sentido, precisa de mais um tempo para discutir detalhes de seu programa nuclear.

http://economia.estadao.com.br/noticias/,plano-nao-preve-novas-usinas-nucleares-ate-2021,111567,0.htm

No entanto, o petróleo è a galinha dos ovos de ouro para este regime corrupto e soviético.

http://www.alertatotal.net/2011/05/chapeuzinho-vermelho-do-planalto-manda.html

Quando em 12/09/2008 o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o Brasil vai construir uma usina nuclear por ano ao longo dos próximos 50 anos, estava delirante, pois para sair do papel, uma usina leva seis anos a partir do início da construção.

Este governo não tem gente séria e muito menos minimamente responsável seja em área for.

Um governo palhaço!

Anônimo disse...

Respeito a sua opinião, porém, é mais do que uma opinião, me parece ser a exposição de um lado da história apenas, assim como fazem os que você tanto critica.

O problema não é a exploração dos recursos naturais do Brasil, é o perigo latente durante os próximos 100 mil anos, seja pelo lixo atômico, pela mineração ou pela usina nuclear.

Garanto uma coisa: se Fukushima fosse em a mil Km de SP, nós não estaríamos tendo esta conversa, estaríamos falando somente de sobrevivência, de como fazer para fugir do câncer, como fazer para beber água ou se alimentar, se nós teríamos a calma milenar do povo Japonês e como fazer para que esta bela nação não seja integralmente destruída.

O interesse de poucos (cientistas da área nuclear) precisa servir o interesse de muitos (o povo Brasileiro).

E já que você tocou no assunto da conversa fiada, diria que o desenvolvimento do Brasil não está na área nuclear, muito pelo contrário, pois, se acontecer um acidente radioativo de grandes proporções, simplesmente vai acabar a saúdo do povo e a economia vai para o espaço sideral... Até um acidente em Buenos Aires pode afetar radicalmente a estrutura do Brasil.

Se você está realmente preocupada com as pessoas e o desenvolvimento, penso que o ideal é observar a possibilidade de criação de uma grande rede de cooperativas para a fabricação, instalação e manutenção de equipamentos eólicos e fotovoltáicos para residencias e empresas, tendo em vista que a partir do início de 2013, todos vão poder vender energia para a distribuidora. Esta é a melhor forma de se gerar energia no local do consumo e de forma descentralizada, como também, trabalho e renda, sem risco para as pessoas do presente e do futuro, como também, sem risco para a economia do país.

O desenvolvimento do Brasil se faz com o cuidado especial ao povo Brasileiro e com a preservação da natureza para nós e para as futuras gerações, garantindo assim um futuro verdadeiro. O interesse de poucos (da industria nuclear e bélica) não pode ser considerado um desenvolvimento, menos ainda quando este coloca em perigo as pessoas.

Por outro lado, o povo não foi consultado sobre o nuclear, a ditadura do passado implantou usina nuclear, e hoje, a metodologia ditatorial continua, sem consulta à população. Estamos aguardando a aprovação do plebiscito nuclear (tramitando no Congresso Nacional) para que o povo se manifeste.

Anônimo disse...

Recomendamos a tod@s a leitura de dois artigos esclarecedores sobre este tema aqui abordado:

http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/08/sequelas-de-fukushima-joaquim-de.html

http://www.biomassabr.com/bio/resultadonoticias.asp?id=318

Anônimo disse...

Recomendamos a leitura do artigo:

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=82674