sábado, 16 de fevereiro de 2013

Democratizando o exercício da medicina

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Gilberto Alvarez

Fomos acostumados a pensar o Brasil como um país de carências, principalmente de carências de profissionais: professores, engenheiros, médicos. Em relação à última categoria, contudo, esse problema não existe: em 2011, o país tinha mais de 371 mil profissionais médicos formados, o que representa 1,95 médico para cada mil habitantes – o dobro do número recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – 1 médico para cada mil habitantes. A questão, na verdade, é bem outra, é de iniquidade: se não faltam médicos no Brasil, eles estão muito mal distribuídos ao longo do território nacional. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, enquanto que a região Sudeste conta com 2,61 médicos por mil habitantes e o Sul, 2,03, o Norte do país tem 0,98 médico por mil habitantes e o Nordeste, 1,19.  

Este foi um dos motivos que levou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a dizer que “fechou o balcão” para a criação indiscriminada de novas faculdades de medicina. Agora, caberá ao governo federal escolher os municípios onde poderão ser criadas novas faculdades particulares e federais de medicina, de acordo com o interesse público. Nos próximos meses, o Ministério da Educação lançará editais para selecionar instituições de ensino interessadas em abrir novos cursos nas cidades indicadas pelo governo federal. Serão priorizadas as regiões onde há escassez desses profissionais ou onde haja condições para que possam ser adequadamente treinados.

A situação atual é insustentável. Há estados com pouca oferta de vagas em cursos de medicina, mas que dispõem de hospitais públicos e de capacidade para formar mais profissionais, como a Bahia e Goiás. Na outra ponta, estão estados como o Rio de Janeiro, que tem uma taxa de 1,44 vagas por 10 mil habitantes e 3,44 médico por mil habitantes e infraestrutura hospitalar que não dá conta de atender necessidades da residência médica.

Os novos cursos de medicina agora deverão obrigatoriamente oferecer residência médica, etapa fundamental para se fixar os médicos no local da graduação. Nos municípios em que vierem a ser criados esses cursos, será necessário o estabelecimento de pelo menos três programas de residência em especialidades prioritárias – clínica médica, cirurgia, ginecologia/obstetrícia, pediatria e medicina e família e comunidade.

O governo quer que os novos cursos sejam criados em cidades onde também existam pelo menos cinco leitos da rede pública de saúde por aluno. Essa exigência é para garantir condições de aprendizagem, uma vez que o ensino da medicina requer contato direto com os pacientes e isso é feito em hospitais do SUS. Também está previsto a exigência de um número mínimo de equipes de atenção básica por aluno, bem como a existência de leitos de urgência e emergência ou pronto socorro.               

Essas medidas do MEC vieram em boa hora. Um país que, depois de séculos de desigualdade social, começou finalmente a distribuir a renda gerada pelo crescimento econômico, deve se ajustar a essa nova realidade para fazer jus à condição de 6ª – e, em breve 5ª – potência econômica mundial.

Gilberto Alvarez é Diretor do Cursinho da Poli. 

3 comentários:

Milton Pires disse...

Prezado Gilberto, péssimo o teu texto ! A começar pelo título. A medicina não precisa ser "democratizada". O que se precisa é que jornalistas, profissionais que não entendem nada de saúde e acima de tudo - nós médicos - PAREMOS DE MENTIR. Aluizio Mercadante é um canalha como todo petista. Mente ao afirmar que uma nova distribuição de cursos de medicina no país vai mudar a situação de saúde. Afirmo que não vai e explico, como médico, o porquê: Quando um médico prefere ficar nas capitais em vez de aceitar um emprego no interior, ele o faz por 3 (somente três motivos): ou ele não precisa (já ganha muito bem) ou o emprego paga muito mal, ou ele TEM MEDO. Nós médicos não estamos ricos, meu amigo. Precisamos de emprego. Vários destes canalhas, prefeitos e secretários da saúde do interior, oferecem salários atraentes. Portanto, se és inteligente, sabes que ESTAMOS COM MEDO ! Quer saber do que? Eu te respondo: temos medo das condições de trabalho vergonhosas, da insegurança jurídica e da falta de ESTABILIDADE NO TRABALHO. Delegados e juízes não podem ser demitidos; médicos sim. Pare portanto de elogiar Aluizio Mercadante no site do Serrão - ele não é médico e não pode te responder, mas eu posso e vou fazê-lo, se me permites, duramente. Não use expressões politicamente corretas como "democratizando a medicina"..rss..rss. Elas fedem a hipocrisia dos petralhas, Gilberto. Diga a verdade, ou seja, que os novos médicos vão se formar nestas novas "faculdades democráticas" mas não vão ficar no interior. O que falta no Brasil não é abrir faculdade medicina alguma, mas sim FECHAR.

"Não tenha medo perante ou teu inimigo, proteja sempre os mais fracos, diga a verdade MESMO QUE ISSO CUSTE A TUA PRÓPRIA VIDA. Fazendo isso estarás em paz com Deus e contigo mesmo!"

PS - agora quero ver, Jorge, se tu transformas ou não esta resposta em um post ou vais deixar o tal Gilberto como dono da verdade..rss

Douglas Correa disse...

O local onde serão ministrados os cursos é de menor importância. Ministrem todos no NE e tão logo formados os novos médicos procurarão atuar nos mercados mais RENTÁVEIS . O importante é criar atrativos para os ingressantes na carreira ou mesmo fazer com que os beneficiados por escolas publicas/financiamentos oficiais , retribuam com estágios pós formatura nos centros carentes .

Douglas Correa disse...

O local onde serão ministrados os cursos é de menor importância. Ministrem todos no NE e tão logo formados os novos médicos procurarão atuar nos mercados mais RENTÁVEIS . O importante é criar atrativos para os ingressantes na carreira ou mesmo fazer com que os beneficiados por escolas publicas/financiamentos oficiais , retribuam com estágios pós formatura nos centros carentes .