terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Pior das Armadilhas

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

O mês de junho do corrente ano ficará indelevelmente gravado na memória dos brasileiros conscientes, como o que marcou uma sensação de despertar da sociedade para o mal representado pela corrupção generalizada da classe política e pelas ousadias fisiológicas e eleitoreiras dos governantes, em proveito próprio, ao largo do interesse público, nas três esferas de governo. 

Além disso, havia a esperança de que, com a erupção de indignação, o Legislativo e o Judiciário passassem a assumir seus papéis institucionais independentes, sem submissão a um Executivo que, esquecido que deveria servir ao estado brasileiro, mais representava um partido que não enxerga limites na sua ambição de poder. 

As primeiras manifestações foram caracterizadas por uma participação espontânea e sincera de todas as camadas da população, com repúdio até  de ações de agentes oportunistas, de natureza político-partidária, que viam nos movimentos um canal de alimentação de seus projetos suspeitos. Os atos de depredação decorrentes foram  inicialmente interpretados como consequências inevitáveis do entusiasmo motivador dos protestos. 

Logo, no entanto, passaram as destruições da propriedade a crescer, vindo a constituir a parte dominante das demonstrações, levando os participantes originais, de certa forma, a uma postura de intimidação, ao mesmo tempo que ficava a incômoda impressão da existência de uma rede de articulações com o fim de alcançar objetivos fora dos propósitos iniciais. 

O que se viu então foi um afastamento gradual dos que dinamizaram originalmente o despertar das consciências  e o aparecimento de grupos suspeitos, semi-organizados, os chamados "Black Bloc", mascarados, dedicados exclusivamente à destruição do patrimônio público, visando a desmoralizar e destruir o espírito que orientava os genuínos participantes. 

No momento presente há uma crença de que existe nos bastidores uma ação subterrânea coordenada por mosqueteiros acoitados no Planalto, no sentido de manipular os desordeiros gratuitos, na esteira das manifestações, e utilizá-los, em troca não se sabe de que benefícios, para fins políticos, inclusive com ataques a órgãos de imprensa que não rezam de acordo com a cartilha do governo, o que constitui grave ameaça à democracia. 

Pobre sociedade brasileira, vítima de mais uma armadilha, talvez a mais perigosa e ameaçadora entre todas as que a vitimaram nas últimas décadas. 

Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-Mar-e-Guerra, reformado. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu acho que a maioria está confusa com essa impressão de que todos os “desordeiros” tem alguma ligação com a manipulação de agentes infiltrados. Acho até que, muito pelo contrário, órgãos públicos e privados, até financiados pelo sistema, espalham a suposição dos ‘infiltrados’, justamente para minar o consciente coletivo. Vejo pelo mundo que manifestações contra governos corruptos e autoritários acontecem sem essa preocupação de aparentar uma ação pacifica e “democrática”. Na realidade, esses povos sentem a necessidade de mostrar à cúpula de seus governos, os quais não se dão conta do clamor e fogem das reivindicações e anseios do povo, que ele, o povo, não se intimida para partir para a confrontação contra aqueles que os mantém no cabresto. Lógico que esses governos apreciariam muito mais, em vez de confrontação, a passeata dos descontentes, por saber que só a confrontação tem a capacidade de mudar o rumo da história de imediato. Mas tal postura advinda de um povo exige muito sacrifício, o que o nosso nunca foi capaz de esboçar!