terça-feira, 20 de agosto de 2013

Mecanismo de Negação

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Em psicanálise, entende-se por mecanismos de defesa aqueles processos de natureza subconsciente ou, de forma mais geral, inconscientes que tem por objetivo a defesa do ego. A base formadora de todo mecanismo é sempre a angústia gerada por um conflito emocional que não “pode” alcançar a plena consciência do indivíduo.

Não é o objetivo desse texto explicar toda gênese dos mecanismos de defesa e muito menos definir  os seus tipos. Sabemos da existência da formação reativa, da sublimação, projeção... e por aí vai... A coisa é extensa e, acima de tudo, complexa..Vamos aqui nos deter apenas num tipo específico – a negação·

Talvez a negação seja, de todos os mecanismos, um dos mais primários e perigosos. Por exemplo: uma menina entra numa confeitaria, rouba um doce e na hora de sair é cobrada (na frente do pai) pelo caixa. A criança responde - “eu encontrei e pensei que o dono deixaria eu ficar com ele”.  Pode-se perceber como é primária a capacidade da criança se defender, como ela apela para mentira com facilidade e como pode, facilmente, ser desmascarada.

Pois bem, isto explicado, pergunto: e quando 190  milhões de pessoas afirmam que “comunismo não existe mais” ? Qual o tipo de mecanismo que está envolvido nisso?
Vejam bem – Freud, até onde eu sei, jamais escreveu sobre a defesa de um “ego coletivo” e muito menos se envolveu profundamente com política, mas que é atraente usar de seus conceitos aqui no Brasil da “cumpanherada” é, não é mesmo?

Percebam que nós recebemos aqui as FARC, somos amigos de todos os estados terroristas do mundo, admiramos e defendemos as atitudes de Cuba e da Coréia do Norte, temos em Rondônia um movimento maoísta ocupando milhares e milhares de hectares e – ainda assim – afirmamos: “Milton, deixa disso...o comunismo acabou..”

Alguém poderia (e se não puder eu mesmo posso) argumentar que não se pode comparar isso com o fato de uma criança roubar um doce e ser pega. Afinal, o comunismo é um conceito abstrato muito mais amplo e complexo do que a existência (essa sim, física) de um doce.

Pois bem, respondo da seguinte maneira: não são crianças que afirmam que “comunismo não existe mais”; é o meio acadêmico (nossos “melhores pensadores”) que o faz. São pessoas capazes de entender aquilo que escrevo aqui com a mesma facilidade com que uma criança entende que “comer doce é bom”.

Vejam, meus amigos, o tamanho do problema com o qual temos que lidar! Nossa elite pensante (para aqueles que acreditam que temos uma) sequer reconhece a existência do problema! Comunistas são, para eles, pessoas de macacão sujo ou camponeses com uma foice na mão que querem “estatizar tudo”...

São quase personagens de romances russos...Comunismo “não existe mais”.. Ironicamente, mesmo usando dessa “defesa primária”, nossos intelectuais ainda são capazes de fazer diagnósticos psiquiátricos graves em quem os desafia! Assim, qualquer um que falar em ameaça comunista hoje no Brasil está “paranóico”..(pena que a nossa garota  que rouba doces não pode dizer a mesma coisa para o caixa da confeitaria..rss..rsss).

Seja roubando doces ou negando a existência de um movimento político organizado e extremamente perigoso, o resultado do mecanismo de negação é sempre o mesmo – um choque profundo com a realidade..frustração..e sofrimento capazes de, numa próxima vez, dotar o indivíduo de uma resposta (mesmo que seja um mecanismo de defesa) mais adaptada à realidade...

Crianças podem ser educadas pelos pais..elas crescem e amadurecem depois de serem reprendidas..foi assim com todos nós e (se for para civilização ser preservada) vai continuar sendo..

Com um país gigantesco e com quase duzentos milhões de pessoas é mais complicado..O Brasil não pode ficar de “castigo”...



Porto Alegre, 19 de agosto de 2013 AVC (antes da vinda dos cubanos).


Milton Simon Pires é Médico.

2 comentários:

Van Gogh disse...

Venho constatando essa triste realidade faz tempo: a de ser taxado como louco, pois não podemos discordar de absolutamente nada seja com quem for. Seja pessoa comum, seja até mesmo doutor em alguma coisa.

Van Gogh disse...
Este comentário foi removido pelo autor.