quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O que nos reserva o futuro?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

O PT foi guindado ao poder há mais de dez  anos, mediante o que uma parcela mais cautelosa e menos empolgada da população qualificou à época como a maior armadilha eleitoral da história da república. Seu discurso prometia inclusão das camadas pobres e distribuição de renda. 

Iniciou o primeiro termo num ambiente de conjuntura econômica internacional favorável e condições de política interna propícias, que, ao invés de serem aproveitadas no sentido de modernizar o país, realizando as reformas desesperadamente necessárias, partiu para uma tentativa de sequestro do Legislativo, ao implantar o maior esquema de corrupção política de que se tem notícia, visando à aprovação de projetos de seu interesse, promovendo, ao mesmo tempo, um show de pirotecnia que incluiu "esse é o cara", uma farra de crédito, a disposição de sediar, sem os meios, megaeventos, e o  esvaziamento de empresas estatais - a maior delas hoje quase em estado falimentar -  que acabaram virando postos de atendimento a projetos dos "cumpanheiros". 

Assim, o advento da "marolinha" encontrou um país despreparado para enfrentar suas consequências, não restando outra alternativa a não ser prosseguir com os ensandecidos programas de isenções fiscais para favorecer alguns setores da indústria, sob a batuta de uma confusa e desrespeitada equipe econômica. 

Hoje, o resultado de todo esse espetáculo de  falsas luzes, agora num ambiente de discreta recuperação das economias do primeiro mundo, é um quadro inflacionário ameaçador, com câmbio volátil, saúde pública canibal, educação de péssima qualidade, segurança fragilizada, PIB medíocre, classe política desmoralizada  e uma justiça desgastada e desacreditada até internacionalmente, pela incapacidade de concluir um  processo de corrupção parlamentar. 

E o que nos reserva o futuro? Um embate eleitoral para daqui a pouco mais de um ano, sem oposição, com uma triste perspectiva de continuísmo. 

Será que o despertar da sociedade, ao mostrar sua recente capacidade de se indignar, poderá inserir algum fato novo nessa melancólica equação?    


Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-Mar-e-Guerra, reformado. 

3 comentários:

Manoel Vigas disse...


Saudações.

"E o que nos reserva o futuro? Um embate eleitoral para daqui a pouco mais de um ano, sem oposição, com uma triste perspectiva de continuísmo. "

QUE AS FFAA DA "BANÂNIA" ESTÃO ANIQUILADAS E DERROTADAS, ISTO NINGUÉM DUVIDA.

PIOR ?

SIM, O IMPRESSIONANTE É QUANDO LEMOS QUE NESTE ANO DE 2013 AINDA EXISTA GENTE INGÊNUA QUE ACREDITA EM "URNAS ELETRÔNICAS BRASILEIRAS 100% MANIPULADAS".

É O FIM ! ! !

NOTA:
E QUANDO A ANÁLISE VEM DE PESSOAS QUE "TEORICAMENTE" DEVERIAM ESTAR MAIS ATUALIZADAS ?

IMAGINE NUMA GUERRA <1@3$%&* !!!

ESTAMOS "FU".
ESTAMOS "FU".
ESTAMOS "FU".

Atenciosamente.
Manoel Vigas



BRAGA disse...

Preado sr. Paulo Roberto.
Dá uma lida no texto abaixo, por favor:

Os tempos e os regimes mudam mas as motivações das pessoas mantêm-se. Le Diable Rouge é uma peça teatral de 2008, com autoria de Antoine Rault. O extracto seguinte, dela retirado, é um diálogo entre Colbert e Mazarin, passado noutro tempo e noutro lugar, no reinado de Luís XIV, em França. Mas bem poderia ter tido lugar hoje em Portugal. Ou em 2008 neste mesmo Portugal.


Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Cardeal Mazarin: – Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado… é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: – Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarin: – Criando outros.

Colbert: – Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarin: – Sim, é impossível.

Colbert: – E sobre os ricos?

Mazarin: – Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: – Então como faremos?

Mazarin: – Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer, e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!


Saudações fraternas,
Braga

Valquiria disse...

De XIV à Lula/Dilma a história se repete mas o esperado é que a um certo momento a população se canse de reprises e reaja,mas com objetivos claros e não tão dispersa como vem sendo as manifestações.Chegamos ao ponto do tudo ou nada.Ou tiramos o que está aí sem demora ou continuamos naquela mesmice de o "voto é a força",o que na prática dá muito tempo para cometerem mais desastres.