quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pluralismo Coletivista: A Tragédia do Século XX

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Antônio Ribas Paiva

Machado de Assis, gênio da literatura, crítico de costumes e das relações sócio políticas, definiu, com um laivo de sua genialidade, o equilíbrio, imprescindível, entre o indivíduo e o grupo social:

“Não existe felicidade pública que justifique um drama particular.”

É cristalina a crítica de Machado aos que, supostamente,  pretendem o bem comum à custa do massacre do indivíduo. Até porque o aprimoramento dos costumes não pode descambar para o regramento excessivo, que impeça o exercício da individualidade.

Os tiranos e tiranetes, que permeiam os governos, exercem a ditadura através do controle social, entre outros artifícios, com um cipoal de regras, para dificultar a reação das pessoas aos seus abusos totalitários. A violência, o desemprego, o endividamento, a precariedade do ensino e da saúde pública, são outros instrumentos para exercer o controle social.

Esse terror ditatorial objetiva anular os indivíduos, através da massificação, que esteriliza a inteligência, transformando as pessoas em rebanhos. É o sepulcro das ideias!

O Estado foi instituído para proteger as pessoas. Porém, como ente ficcional, a sua estrutura é presa fácil de grupos, que distorcem sua finalidade institucional, para oprimir os indivíduos e manter o poder.

Na consecução dos seus objetivos de poder, os tiramos dividem a sociedade em vários rebanhos, explorando as diferenças inerentes ao ser humano: biológicas, culturais, sociais, de gênero, econômicas, sexuais, religiosas e etc.

Porém, as armas mais eficientes, usadas como ferramentas de poder, são as ideologias: esquerda, direita, etc.

São ferramentas de poder, porque só servem aos tiranos. Nenhuma ideologia conhecida foi benéfica às pessoas.

O século XX foi trágico para a humanidade, em razão dos massacres promovidos pelas ideologias massificantes: o nazismo, o comunismo e o fascismo. Milhões de pessoas foram sacrificadas por governantes, em nome dos “Pluralismos Coletivistas”, de direita ou de esquerda, que pregavam a “felicidade pública”, a partir da opressão dos indivíduos, como se o homem pudesse atingir sua plenitude social, a partir da perda de sua identidade e individualidade.

Nesse aspecto, o século XX foi o desdobramento potencializado do Terror da Revolução Francesa.

Nas relações sócio-políticas, o equilíbrio é o objetivo a atingir; o respeito da maioria pelo indivíduo e pelas minorias e o respeito das minorias pelos costumes da maioria, porque o exercício da individualidade não precisa afrontar os costumes. Tudo coroado pelo respeito do Poder Público aos Cidadãos, fonte do Poder do Estado.

A importância do século XX, apesar do extraordinário progresso científico, do qual se aproveitou  toda humanidade, é como exemplo do mal a ser evitado: a tragédia do “Pluralismo Coletivista”, que vitimou a Alemanha, a Europa Oriental, a China e outros países do extremo oriente, sendo o Camboja, em relação a sua pequena população, o mais terrível, um verdadeiro genocídio.

A felicidade é característica e necessidade do indivíduo, que necessita da paz social, da liberdade e do progresso, para a sua segurança e desenvolvimento.

Não existe sociedade feliz e progressista com indivíduos infelizes! Até porque, a infelicidade e a falta de expectativas tornam as pessoas agressivas e improdutivas.

No campo material, a maior obra do Criador é a inteligência humana, que deve voltar-se para o Bem, em respeito ao Divino.

Portanto, o “bem comum” depende do respeito aos interesses dos indivíduos, que é a finalidade pública, a qual os governantes devem subordinar-se.

É evidente, que o “Pluralismo” foi a tragédia do século XX. Todavia, o risco da repetição da tragédia “Pluralista Coletivista” ainda persiste, porque os órfãos das ideologias mortas em 1945 e 1989, não aprenderam a procurar novos caminhos.

Não existem razões de Estado ou de governo, porque ambos devem servir às pessoas. Qualquer desvio dessa finalidade deve ser impedido, sob pena de repetirmos, indefinidamente, os erros do passado.

Machado de Assis iluminou o caminho: a sociedade não existe, a finalidade pública é o bem do indivíduo, objetivo que, certamente, aproveitará a todos.


Antônio José Ribas Paiva, Advogado, é Presidente da Associação dos Usuários de Serviços Públicos.

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