quinta-feira, 20 de março de 2014

Chamem o Exército


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires
1. A Polícia não dá conta de toda criminalidade? Chamem o Exército!
2. Choveu muito e há pessoas desabrigadas? Chamem o Exército!
3. Traficantes estão entrando pelas fronteiras? Chamem o Exército!
4. Não há segurança para Copa do Mundo? Chamem o Exército!
5. O Papa vem nos visitar? Chamem o Exército!
6. Vai haver confusão no dia das Eleições? Chamem o Exército!
7. Precisamos ajudar o Haiti e a Indonésia? Chamem o Exército!
8. Tem criança na Amazônia que não foi vacinada? Chamem o Exército!
9. Ninguém mais encontra o avião que caiu na Amazônia? Chamem o Exército!
10. Minha mulher está me colocando guampas e as crianças não param de chorar? Chamem o Exército!
“Apenas não se esqueçam, seu bando de imbecis, que o Exército não é um cachorro que pode ser chamado quando queremos e que ninguém lembrou dele quando foram colocados no poder os traficantes, mensaleiros e assassinos de prefeitos que agora nos estão transformando na Venezuela e, em breve, em Cuba!”
O Exército com fome
A proximidade da data que comemora os 50 anos da Intervenção Militar de 1964 e nova edição da Marcha da Família seguem aquecendo, pelo menos nas redes sociais, o debate sobre o eventual papel das Forças Armadas (FFAA) na manutenção da democracia no país. Quando escrevi “O Exército Fantasma” deixei clara minha opinião a respeito do erro que se faz ao colocar a pergunta em termos de “vontade” de tomar o poder no país. Procurei mostrar que não há, para as FFAA, outra alternativa que não seja fazer isso ou desaparecer. Nesse artigo, quando eu escrever “Exército”, peço que os leitores considerem o conjunto das três forças: Marinha, Exército e Aeronáutica.

O que me leva novamente a abordar o tema é o fato de que, em alguns debates nas redes sociais, tenha sido levantada a hipótese de transformação do Exército Brasileiro (EB) num exército revolucionário. Mencionou-se a estratégia gramsciana e o “aparelhamento” dessa força como mecanismos capazes de transformar o EB num exército como o chinês ou o cubano. 

Sobre isso afirmo o seguinte: é possível subornar, corromper ou até mesmo comprar o EB...é possível sufocá-lo deixando-o sem mantimentos e munição e até – como eu já deixei claro no artigo anterior que vai acontecer – extingui-lo, mas não é possível fazer dele um Exército Revolucionário. 

Toda história recente dos grandes exércitos comunistas (soviético, chinês, cubano e norte-coreano) mostra uma gênese, uma formação completamente diferente. Todas essas forças que menciono entre parênteses nasceram “dentro da revolução”; não depois dela. Para entender isso que escrevi e compreender a diferença com o Brasil, necessário é aceitar que aqui a revolução já aconteceu. O PT já está no poder e não conta, ele mesmo, com o EB como garantia de seu projeto de poder. 

Toda representação armada, todo “acoplamento” existente entre poder político e militar que existe no Brasil hoje se dá exclusivamente entre o PT, os militantes de uma guerrilha camponesa disfarçada de movimento social (MST) e uma massa carcerária de meio milhão de condenados e usuários de drogas que estão dentro dos presídios brasileiros.

Tomando como exemplo aquilo que aconteceu na China, lembro que o Exército de Libertação nasceu do que foi o 8ºExército Revolucionário – força militar que atravessou o país na Grande Marcha combatendo não só os japoneses como os nacionalistas de Chiang Kai-shek. 

Recordando a Revolução Cubana, eu peço a vocês que considerem a Tomada do Quartel de Moncada como evento que, depois, deu origem ao grupo que formaria a Guerrilha de Sierra Maestra e mais tarde o Exército de Fidel Castro. Nada disso é passível de acontecer no Brasil e o PT sabe perfeitamente do que estou falando. 

É por isso que o plano desse partido não é converter o EB ao comunismo; mas destruí-lo...sufocá-lo aos poucos em termos de verbas enquanto aumenta cada vez mais no país o poder da Força de Segurança Nacional.

Para terminar, e no que toca a Marcha do próximo sábado, 22 de março, afirmo que o EB não estará junto com os manifestantes, que pouco ou praticamente nada disso que escrevi aqui faz sentido ao Exército e não fará até que ele sinta na própria pele a verdade sobre o que estou escrevendo..até que ,além da munição,faltem médicos nos quartéis..até que comecem a fechar, um depois do outro os Colégios Militares...até que o Exército se torne, irreversivelmente, um Exército com Fome.


Milton Simon Pires é Médico.

5 comentários:

Anônimo disse...

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema
O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

Anônimo disse...

CONTINUAÇÃO

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

A.J.

Anônimo disse...

Opinião vindo desse sujeito aí, me tira os tubos. Escreve uma coisa aqui e lá escreve completamente diferente.

antonio cruz disse...

Chamem todos da FFAA logo. O tempo está se esgotando.*

antonio cruz disse...

Chamem todos da FFAA logo. O tempo está se esgotando.*