segunda-feira, 17 de março de 2014

Medidas insuficientes para evitar racionamento


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Pires

Após gerar grande expectativa nos agentes do mercado, o Governo divulgou as medidas para o setor elétrico que, infelizmente, não contribuem para mitigar o risco de racionamento de energia.
O Governo tem hoje dois problemas: um quantitativo e outro financeiro. O quantitativo diz respeito ao eventual déficit de oferta de energia elétrica, caso o regime de chuvas continue adverso. O problema financeiro diz respeito ao acionamento das térmicas e ao descasamento de caixa das distribuidoras, que estão expostas involuntariamente às variações de preço e compram parte da sua energia no mercado livre e vendem mais barato para seus consumidores. No anuncio de ontem (13/03), só a questão financeira foi atacada e, mesmo assim, de maneira populista, evitando os reajustes tarifários imediatos que elevariam a inflação. O Governo parece mais preocupado com o calendário político, apesar do custo em elevação, continuando a optar por tarifas mais baixas. A conta, que já supera R$ 20 bilhões, só começará a ser paga em 2015, após as eleições presidenciais.
É preciso que o Governo se conscientize da questão quantitativa para que tome medidas de incentivo a redução do consumo elétrico enquanto houver tempo. Em 2001, o racionamento/racionalização do consumo de energia elétrica evitou o apagão. Cabe lembrar que naquela ocasião ninguém ficou sem luz. Não houve corte de carga elétrica, mas sim um racionamento econômico, no qual cada agente ficou livre para optar como reduzir o consumo. Se não chover e o Governo não admitir a gravidade do problema, poderemos ter apagão, de fato, pela 1ª vez na história desse país.

Adriano Pires é Especialista em Infraestrutura. Originalmente publicado no blog do autor, em O Globo on Line, em 14 de Março de 2014.

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