quarta-feira, 26 de março de 2014

O Dragão do descaso contra a santa educação – Glauber Rocha me concederia essa licença poética?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jussara Carvalho Rocha
Meu nome é Jussara Carvalho Rocha e sou professora de Língua Portuguesa. Eu sempre grafo “Língua Portuguesa” assim mesmo, com iniciais maiúsculas.

Na semana passada, no meio de uma aula, um aluno do 7.º ano me disse sem rodeios, sem constrangimentos: “professora, ninguém aqui liga pra sua matéria!” Confesso que na hora senti uma espécie de baque seco; Língua Portuguesa normalmente não conquista multidões, mas ouvir assim, desse jeito, doeu.

Essa dor que, fermentada por alguns dias gerou indignação e irritação, não veio por conta do que o aluno disse, exatamente, mas pelo que representa essa fala dele, da geração dele, embora eu saiba que esse garoto não fala por todos, mas infelizmente fala por boa parte dos adolescentes e pré-adolescentes de hoje.

Então, eu pego a deixa da pergunta dele e devolvo: esses meninos estão interessados, “ligam” para o quê mesmo? Diante do que se desenrola à nossa frente, no que diz respeito à educação, vejo um futuro triste, de massas e massas de “profissionais” incompetentes, incompletos, pelo simples/grave fato de não terem buscado e acumulado conhecimento. Hoje, o que mais vemos são reportagens de tv propagando quão difícil é a contratação de mão de obra qualificada. Em um programa, certa vez, vi um grupo de estagiários de uma empresa que disputavam pela efetivação. O teste final, e não menos importante, foi um ditado; um simples ditado em que nenhum dos candidatos teve 100% de acerto. Muitos não ultrapassaram a marca de 60%. Triste.

O desprezo pela educação pública no Brasil encontrou um forte aliado, ou melhor, dois: de um lado, o descaso dos próprios familiares e alunos. Alunos esses que hoje se entregam a uma rotina de infinitas horas diante das telas de computador, fazendo “milhares de seguidores” nas redes sociais. Jovens que não sabem utilizar a tecnologia para dinamizar suas vidas, mas sim, como uma ferramenta de idiotização em massa; olha Eisntein aí na conversa (quem estiver ligado, vai entender).

Pronto: temos um sistema de educação que não educa, alunos que não aprendem e professores que não são valorizados. Pra quê melhor?? Juntemos a esses ingredientes, os “balcões”, as “vendinhas” de diplomas. Você quer um diploma universitário, meu filho? Então você terá! Há algumas décadas, no período “pré-cotas”, as universidades públicas eram o alvo, o sonho de muita gente. Uma boa formação era o que interessava de fato, por isso, o garoto estudava, corria atrás, porque sabia que fora dessas instituições, não poderia alcançar o que buscava. Hoje, no período franco das “cotas”e dos “fies”, que não passam de facilitadores na formação de medíocres profissionais por faculdades pífias, tudo leva a pensar e constatar que não há necessidade de se estudar tanto, porque de uma maneira, ou de outra, o diploma virá.

O que temos como perspectiva de futuro é isso: uma multidão de profissionais despreparados, oriundos de um sistema deficitário de ensino, do básico ao superior. Aliás, por que o termo “ensino superior”? Ah, isso é assunto para outro momento.

Nunca frequentei escola particular; vim da escola pública, num momento em que já estava sucateada. Corri atrás, corri por fora, corri na frente para realizar o que eu desejava: ser professora de Língua Portuguesa. Uma profissão desmerecida por tantos, infelizmente até por alguns colegas. Amo o que faço, sei que nasci pra isso. Não mudo por nada. Sei que é um caminho árduo, mas não tenho medo de briga. O que me entristece é o tipo de pensamento que brota em cabeças como a do meu aluno, citado no início do texto. Prevejo para ele um futuro triste, de mediocridade, de incompetência e de ignorância.


Jussara Carvalho Rocha é Professora de Língua Portuguesa.

13 comentários:

Anônimo disse...

Pois é professora. Num país onde o prresidente nunca leu um livro; seu ministro da educação aprova cartilhas com frases tipo "nós pega o peixe"; a presidente atual fala o português, mas de uma forma difícil de entender até pelos iniciados...
Com estes exemplos o que se pode esperar? Errado está o povo em achar que os dirigentes não precisam dar bons exemplos.
A Era da Degenerescência está apenas começando.

Anônimo disse...

Esse aluno vai se dar bem. Vai ser um petista de carteirinha.

Anônimo disse...

Que os professores insistam , nunca desistam. O Brasil precisa de vocês

Aguillar disse...

São os ossos do ofício - também sou professor

Anônimo disse...

Que bom seria se a partir de agora o Brasil tivesse uma Jussara em cada escola. Certamente, a salvação ainda seria possível.
Leônidas

Anônimo disse...

O país ainda caminha graças aos heróis anônimos!

Anônimo disse...

A mestra com carinho

Professora, não desista, mas o
próprio governo não ajuda, houve redução de material, entrega quase um mês depois do inicio das aulas, na escola do 1º ano, vejo vagabundos de 15 aos 18 anos entrando e mexendo com as meninas de 12 a 15 anos, no meu tempo só entrava aluno, este funk lixo cultural que só fala palavrão, vc sabia que um aluno da faculdade em SC se recusou a fazer um trabalho sobre Karl Max.

aguardiano22 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aguardiano22 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

CARTA DE UM ALUNO À um PROFESSOR COMUNISTA

Caro professor,

Como o senhor deve saber, eu repudio o filósofo Karl Marx e tudo o que ele representa e representou na história da humanidade, sendo um profundo exercício de resistência estomacal falar ou ouvir sobre ele por mais de meia hora. Aproveito através deste trabalho, não para seguir as questões que o senhor estipulou para a turma, mas para expor de forma livre minha crítica ao marxismo, e suas ramificações e influências mundo afora. Quero começar falando sobre a pressão psicológica que é, para uma pessoa defensora dos ideais liberais e democráticos, ter que falar sobre o teórico em questão de uma forma imparcial, sem fazer justiça com as próprias palavras.
Me é uma pressão terrível, escrever sobre Marx e sua ideologia nefasta, enquanto em nosso país o marxismo cultural, de Antonio Gramsci, encontra seu estágio mais avançado no mundo ocidental, vendo a cada dia, um governo comunista e autoritário rasgar a Constituição e destruir a democracia, sendo que foram estes os meios que chegaram ao poder, e até hoje se declararem como defensores supremos dos mesmos ideais, no Brasil. Outros reflexos disso, a criminalidade descontrolada, a epidemia das drogas cujo consumo só cresce (São aliados das FARCs), a crise de valores morais, destruição do belo como alicerce da arte (funk e outras coisas), desrespeito aos mais velhos, etc. Tudo isso sintomas da revolução gramscista em curso no Brasil. A revolução leninista está para o estupro, assim como a gramscista está para a sedução, ou seja, se no passado

Francisco Chagas disse...



Para concluir gostaria de citar o decálogo de Lenin:

1. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;
2. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação em massa;
3. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;
4. Destrua a confiança do povo em seus líderes;
5. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo
6. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no Exterior e provoque o pânico e o desassossego na população;
7. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;
8. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;
9. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes, nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa;
10. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa.

Obrigado, caro professor, pela compreensão.

João Victor Gasparino da Silva.

Nota: João Victor Gasparino da Silva é estudante do curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali)

Anônimo disse...

Agora gostaria de falar sobre as consequências físicas da ideologia marxista no mundo, as nações que sofreram sob regimes comunistas, todos eles genocidas, que apenas trouxeram miséria e morte para os seus povos. O professor já sabe do ocorrido em países como URSS, China, Coréia do Norte, Romênia e Cuba, dentre outros, mas gostaria de falar sobre um caso específico, o Camboja, que tive o prazer de visitar em 2010. Esta pequena nação do Sudeste Asiático talvez tenha testemunhado o maior terror que os psicopatas comunistas já foram capazes de infligir sobre a humanidade, primeiro esvaziaram os centros urbanos e transferiram toda a população para as zonas rurais. As estatísticas apontam para uma porcentagem de entre 21% a 25% da população morta por fome, doenças, cansaço, maus-tratos, desidratação e assassinadas compulsoriamente em campos de concentração no interior. Crianças também não escaparam, separadas dos pais, foram treinadas para serem ‘’vigias da Revolução’’, denunciando os próprios familiares, quando estes cometiam ‘’crimes contra a Revolução’’. Quais eram os crimes? Desde roubar uma saca de arroz para não morrer de fome, ou um pouco de água potável, até o fato de ser alfabetizado, ou usar óculos, suposto sinal de uma instrução elevada. Os castigos e formas de extermínio, mais uma vez preciso de uma resistência estomacal, incluíam lançar bebês recém-nascidos para o alto, e apanhá-los no ar, utilizando a baioneta do rifle, sim, isso mesmo, a baioneta contra um recém-nascido indefeso.

Anônimo disse...

se errei o estado me desculpa, mas estamos ferrados, SALVEM o BRASIL